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Automedicação: um problema social

1 de junho de 2016 14:18 | UNOESC na Comunidade
Automedicação: um problema social

Aline Maria Beal

Há tempos, a ida ao médico a fim de realizar consultas de rotina tem se tornado incomum, possivelmente em decorrência da escassez de médicos nos postos e das grandes filas a serem enfrentadas no Sistema Único de Saúde (SUS). A sociedade brasileira tem deixado a saúde em desleixo, inúmeras vezes pela falta de recursos para recorrer a um médico particular ou, simplesmente, por não verem a necessidade de um acompanhamento médico para problemas como dores de cabeça, estresse excessivo, distúrbios de ansiedade e tantos outros.

Nesse contexto, o povo recorre a formas mais práticas para tratar seus males, fazendo da automedicação uma aliada diária. Automedicação pode ser definida como a utilização de medicamentos por conta própria ou com o auxílio de terceiros não habilitados para o tratamento de doenças cujos sintomas foram percebidos pelo usuário. Ademais, a facilidade de comprar medicamentos sem prescrição nas farmácias auxilia tais práticas.

No entanto, o indivíduo geralmente é desprovido de conhecimentos sobre o risco que a automedicação pode trazer para sua saúde em curto, médio e longo prazo. Em audiência pública sobre a Política de Medicamentos Fracionados, o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello disse: “O medicamento, se utilizado de forma inadequada, pode causar mais danos do que benefícios. ” Há veracidade nisso, visto que o uso indevido de remédios se tornou problema de saúde pública não só no Brasil, mas mundialmente. Paralelamente, pesquisas apontam que os analgésicos dominam a lista de medicamentos mais comprados sem prescrição. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), revelam que as reações adversas por medicamentos são responsáveis por mais de 10% das internações hospitalares.

Como consequência do uso irracional, as reações adversas podem incluir dependência, alergias e até a morte. A combinação de diferentes tipos de remédios ao mesmo tempo pode acarretar anulação ou potencialização dos efeitos por eles causados. Quando não se descobre a causa da dor e da enfermidade, o uso incorreto da medicação é capaz de ocultar outros sintomas, logo, agravando o quadro do paciente.

Ao mesmo tempo em que a automedicação preocupa, ainda há outra prática relacionada ao uso irracional de medicamentos. O uso indiscriminado está diretamente ligado à medicalização, que é o processo te tentar encontrar a cura e o bem-estar por meio de medicamentos em seu uso exclusivo, sem buscar outras alternativas para o tratamento de determinada doença. Correlacionar remédios, boa alimentação e exercícios físicos podem minimizar os sintomas da doença, solucionando o problema mais rapidamente do que fazendo o uso da medicação ocasionalmente errada. A intoxicação por medicamentos ocupa o primeiro lugar dentre as causas de intoxicação registradas no país, à frente de agrotóxicos, produtos de limpeza e alimentos estragados.

Embora o cidadão brasileiro apele pela automedicação por conta da situação da saúde no país, a opinião pessoal de cada indivíduo ao que diz respeito sobre a importância de sua saúde, bem como de seus familiares e amigos, também pode estar diretamente relacionada a essa questão. Ainda, algumas propagandas, sejam elas televisionadas ou não, muitas vezes induzem e incentivam o consumo de determinado medicamento que nem sempre é o indicado para aquela necessidade. Desta maneira, isso também indica uma das razões da problemática.

Em suma, a automedicação e o uso indiscriminado de medicamentos oferecem ameaça para a saúde pública do país. Os recursos usados nos atendimentos relacionados a reações adversas poderiam ser utilizados para causas mais necessárias se a população se conscientizasse. É imprescindível que cada indivíduo procure orientação médica e farmacêutica a fim de sanar dúvidas sobre a doença e seus sintomas, a indicação e os efeitos dos medicamentos. Deste modo, órgãos responsáveis pelos sistemas de saúde bem como, profissionais capacitados, podem ter a iniciativa de organizar campanhas de conscientização para a causa reeducando a sociedade e erradicando a prática da automedicação.

(A autora é acadêmica do curso de Farmácia da Unoesc Xanxerê. Texto elaborado sob a orientação da Profª Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset.)

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Por: Alessandra Bagattini

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