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Um país com Tolerância

9 de setembro de 2016 - 14:46 / UNOESC na Comunidade | Comentários
Um país com Tolerância

Juliano Ribeiro

Historicamente, a religião já esteve relacionada com inúmeras passagens de guerras, atrocidades e atos que foram repletos de intolerância. A verdade absoluta imposta por cada credo já desperta em si um conflito social. Assim, em uma análise imparcial, parece sensato chegar à mesma conclusão que John Lennon em sua música “Imagine”: a de que um mundo em paz implicaria um no qual não houvesse religiões. Porém, dessa forma seria excluída a ampla representação histórica e cultural da religião e a liberdade de expressão que, felizmente, resguarda a autonomia de crença.

A liberdade religiosa é um direito civil não apenas pela necessidade de o ser humano de exercitar seu componente espiritual, mas também porque a religião inclui uma atribuição social. No Brasil, a pluralidade de crenças poderia causar intolerância. Contudo, felizmente, esta é exceção no país, com número de ocorrências baixo e pouca expressão; isso porque a cultura brasileira assimila as diferenças, não exclui, por exemplo, a umbanda representa o sincretismo religioso brasileiro, já que é uma religião fundada no país, que reúne elementos do catolicismo, espiritismo e de culturas africanas.

A ausência de liberdade está presente no Brasil desde o processo de colonização, já que índios e, posteriormente, escravos africanos que eram oprimidos e induzidos a seguir a religião da época, praticada pelos colonizadores portugueses. Tal contexto reflete na sociedade contemporânea, ocasionando problemas advindos de tempos atrás, como o desprezo por crenças africanas e indígenas, por exemplo.

A Revolução Francesa foi fundamental para a separação entre igreja e Estado, criando o laicismo, responsável por garantir e proteger a liberdade religiosa. Desde então, vários países vêm aderindo tal doutrina, entre eles o Brasil. Entretanto, ainda assim, existem inúmeros casos de intolerância religiosa nesse território, conduta que está diretamente ligada a fatores como o desrespeito às leis.

Primeiramente, observa-se que o Brasil já apresenta leis jurídicas que visam a punir a prática da discriminação de crenças ou descrenças. Contudo, grande parte populacional não respeita tais imposições, como aponta o Índice de Percepção do Cumprimento das Leis, produzido pela Fundação Getúlio Vargas, seja por ignorância ou, até mesmo, por sentimento de superioridade social, consequentemente, o cenário intolerante prevalece.

Para não apenas imaginar o Brasil como um país sem intolerância religiosa, mas atuar para que assim seja, é necessário não apenas punir quem aja contra a liberdade de expressão do outro, mas que a educação brasileira ensine respeito e conhecimento da diversidade de crença, afinal, apenas se pré-julga o que não se conhece. Para isso, é válido ensinar em casa e nas escolas a respeito de cada religião, formando filhos e alunos conscientes e transmitindo como valor primordial que um homem de conhecimento reduzido julga aquilo que lhe é apresentado; já um homem culto conhece e compreende bem aquilo que lhe é diferente.

(O autor é acadêmico do curso de Direito da Unoesc Xanxerê. Texto elaborado sob a orientação da Profª Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset.)

 

 

Por: UNOESC na Comunidade

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