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Uma cidade de qualidade para todos

25 de novembro de 2016 - 13:26 / UNOESC na Comunidade | Comentários
Uma cidade de qualidade para todos Movimento do Parque da Cidade no primeiro final de semana de 2010, o brasiliense acredita no aumento da prᴩca esportiva.Parque da Cidade.

 

Aline Caragnatto

 

A vida da maioria da população se concentra na cidade ou em seu entorno. No meio urbano estão as atividades de comércio e serviços, que causam concentração de pessoas:  algumas estão de passagem e muitas ali residem. Um problema dos grandes centros é que estão cada vez mais pequenos para as pessoas e maiores para os veículos. Como melhorar a cidade para o pedestre? Ela precisa ser pensada para isso: boa infraestrutura para caminhada, sombreamento e organização.

A comodidade se tornou um fator determinante em nossas ações diárias e muitas vezes optamos por utilizar o carro quando o trajeto poderia ser feito a pé. Quando o fazemos, deparamo-nos com parte dos passeios danificados, estreitos e sem acessibilidade, o que dificulta o fluxo para todos. Para que a cidade beneficie pedestres é preciso visualizar o dia a dia de quem não possui veículo e de quem apresenta necessidades diferenciadas.

Outro fator que está em falta para a boa qualidade das vias e calçadas é a vegetação. A massa de concreto formada pelas edificações substituiu o verde e tirou a qualidade do espaço urbano. Calçadas com sombreamento podem ser um fator de decisão na hora de tirar o carro da garagem. O estímulo é eficaz quando há um trajeto agradável e também auxilia o meio ambiente, evitando a emissão de dióxido de carbono dos veículos e o gasto de energia quando optamos em ficar em casa no ar condicionado.

Um grande defeito das cidades é dar prioridade ao veículo. Para muitos, essa concepção é absurda: as vias precisam ter mais estacionamento do que calçadas, mais asfalto do que árvores, e é assim que tornamos as cidade lugares monótonos, sem vida e sem qualidade. A evolução do meio urbano para o pedestre deve ser visualizada como melhora de vida para a população, mas sem tirar a rotina de fluxo no comércio e serviços. Perguntas básicas podem fazer parte da sua reflexão: quando se está dirigindo, você tem tempo de olhar as vitrines, por exemplo? Sem arborização e boas calçadas, as pessoas vão querer caminhar e ver o comércio local? Andar mais de carro ajuda o meio ambiente?

Exemplos pelo mundo comprovam que pensar para pedestres é possível. A cidade de Copenhague, na Dinamarca, implementou suas primeiras zonas exclusivas para pedestres já na década de 1960, e hoje é conhecida pelo amplo uso da bicicleta como meio de transporte.

O número de automóveis vem crescendo a cada ano: no Brasil, 1 carro para cada 4 pessoas e a tendência é que esse número cresça cada vez mais. Mas, para que isso mude,  infraestrutura para caminhadas e uso de veículos não motorizados precisa existir e ser de qualidade, para permitir que as pessoas mudem suas concepções de cidade de qualidade. Uma boa cidade não é a que tem mais veículos, mais estacionamento e mais prédios. Precisamos pensar e planejar o futuro de nossas cidades  e exigir isso de nossos representantes, mas, também, cuidar dela, do meio ambiente e dos equipamentos urbanos: é na coletividade que tornamos e mantemos a cidade um lugar melhor para se viver.

Referências

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2014/03/com-aumento-da-frota-pais-tem-1-automovel-para-cada-4-habitantes.html

http://thecityfixbrasil.com/2015/04/08/nossa-cidade-cinco-exemplos-de-caminhabilidade/

 

(A autora é acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unoesc Xanxerê. Texto elaborado sob a orientação da Profª Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset).

 

Por: UNOESC na Comunidade

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