Aluno soldado do curso de formação do CBMSC conta desafios da rotina

31 de julho de 2018 15:59 | Bombeiros , Comunidade , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Aluno soldado do curso de formação do CBMSC conta desafios da rotina (Foto: Alessandra Oliveira/Lance Notícias)

Hudson Luiz Lopes de Almeida, de 24 anos, é natural de Natal, no Rio Grande do Norte, é cientista farmacêutico e bioquímico de formação e reside em Xanxerê há cerca de seis meses. Hudson se mudou para cá para realizar um sonho de criança: se tornar bombeiro militar.

Tendo o pai como bombeiro militar aposentado, Hudson escolheu Santa Catarina para prestar o concurso por ser uma das melhores corporações de Corpo de Bombeiros do país. Na primeira semana de curso, no mês de março, em entrevista ao LANCENOTICIAS.com.br, Hudson declarou estar animado e ansioso com o início do curso.

Hoje, após concluir metade da formação, o aluno soldado comenta que já se acostumou com a rotina de aulas, mas que no início a rotina era bastante pesada.

“Quando começamos o curso, temos uma expectativa que vai ser mais fácil, mas quando viemos para cá percebemos que a realidade é outra. Temos nossas limitações e dificuldades, mas aos poucos vamos revertendo a situação e melhorando. Agora está mais tranquilo porque acabamos nos acostumando com a rotina. Antes era mais pesado porque a gente não estava acostumado, agora que entramos na correria fica normal”, comenta.

Quanto as dificuldades enfrentadas por Hudson na adaptação em outra cidade e estado, ele destaca que, para ele, o mais complicado é se acostumar com o frio da região. Quanto a alimentação, ele destaca que conheceu pratos típicos da região que ele não tinha conhecimento.

“Em relação ao frio é complicado, porque temos que nos agasalhar muito bem, lá na minha terra natal a temperatura mínima é de 25ºC e aqui a gente se depara com 0ºC, até menos e ai fica bem puxado. Temos muitas aulas fora também, no campo, e quem não está acostumado como eu fica mais difícil. Mas a gente vai se acostumando, se agasalhando, pegando uns macetes para não passar frio. A questão da comida, é um pouco diferente, principalmente na questão dos temperos. Tem umas sobremesas diferentes, alguns doces. O pessoal até brinca comigo por conta de algumas comidas que eu não conhecia, como sagu e algumas coisas que lá não tem”.

Em março, na primeira entrevista, Hudson disse que sua família tem pretensão de se mudar para o Estado após a sua formatura. Agora, a intenção é a mesma, mas, durante o período de curso, ele só consegue se comunicar com a família e matar a saudade por meio de ligações e via internet, pois os familiares só devem vir para Xanxerê em sua formatura.

“Para minha família vir para cá é complicado, porque é bem longe e a passagem é cara. Eles vão vir para a minha formatura, que vai ser em novembro. Quando eles vierem vou apresentar o quartel, o CRDU, quero levar eles para conhecerem outras cidades também e depois disso eles vão escolher onde querem morar. Não sabemos onde vamos ficar depois de formado, mas meus pais pretendem morar no litoral e eu vou ficar perto deles”, comenta.

A maioria das aulas acontece no Centro de Referência em Desastres Urbanos (CRDU) e elas acontecem de segunda a sexta-feira, das 8 às 18h20min. Todos os dias, ao término das aulas os alunos soldados realizam treinamentos e manutenções no local.

Além disso, os alunos soldados já estão realizando um estágio no quartel. Após o horário das aulas e durante os fins de semana, alguns alunos vão para o quartel e trabalham junto com a guarnição de serviço do dia no atendimento às ocorrências, para ter uma vivência prática do trabalho do bombeiro.

No atendimento às ocorrência, Hudson destaca que, para ele, a mais impactante até agora foi um acidente de trânsito em que ele estava no quartel junto com a guarnição de serviço do dia e auxiliou no local do acidente.

“Logo no primeiro dia que eu cheguei no quartel, minutos depois tocou a sirene, tivemos que colocar todo o equipamento de segurança e fomos atender um acidente com três óbitos. Foi meio pesado, pois eram três jovens que estavam em um carro que colidiu com um caminhão e chegamos lá e tivemos que auxiliar, mas não diretamente. O pessoal mais experiente foi desencarcerando as vítimas, nós ajudamos a retirar os corpos, a isolar a cena, tirar os curiosos para não atrapalhar o atendimento e ajudar também nos equipamentos. Foi a ocorrência mais impactante até agora, porque logo de cara peguei uma ocorrência com três óbitos”, conclui.


Por: Alessandra Oliveira

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