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Casal de Xanxerê participa de projeto voluntário na África levando atendimento médico, odontológico e espiritual

3 de fevereiro de 2017 - 14:55 / Comunidade Cultura Variedades Xanxerê | Comentários
Casal de Xanxerê participa de projeto voluntário na África levando atendimento médico, odontológico e espiritual Foram 54 voluntários que participaram (Foto: arquivo pessoal)

“A gente vai com a intenção de ajudar aquele povo, mas no fim quem aprende é a gente”, assim resume Fabiola Ferreira, natural do Rio Grande do Sul, noiva do xanxerense Leonardo Schielich. Eles participam do projeto do Instituto da Base Gênesis, que leva o trabalho voluntário para Guiné-Bissau, no continente Africano. Guiné-Bissau é o 6º país com menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo.

O objetivo dos voluntários foi levar atendimento médico e odontológico aos moradores daquela localidade, além de construir uma igreja e difundir o cristianismo no país.

“Foi através do Instituto Gênesis de São Paulo que conseguimos nos encaixar e ir junto. O instituto auxilia refugiados e tem um projeto social em outros países, esse país que nós fomos agora foi Guiné-Bissau. Fomos em 54 voluntários”, conta Fabiola.

O grupo saiu de São Paulo no dia 26 de dezembro de 2016 e ficou um mês durante missão. Foram mais de cinco mil atendimentos odontológicos e médicos. “Auxiliamos na Universidade muçulmana de lá e na parte espiritual, a maioria do grupo era adventista do sétimo dia e construímos uma igreja no local”.

O que mais marcou

“Lá é muito diferente de tudo que existe no Brasil, eles vivem o hoje e dividem com todos, é uma generosidade muito grande. Por mais que sejam um povo muito pobre, o pouco que eles têm eles dividem”, relata Fabiola.

“Após essa experiência a gente passa a se perguntar: o que eu estou fazendo pelo meu próximo? Muitas vezes a gente encontra alguém que está passando por dificuldades, mas simplesmente vê aquela cena e nada faz. Lá (Guiné-Bissau) a gente acaba desenvolvendo um trabalho automático, é uma realidade que te transforma. Se formos comparar o Brasil com lá, aqui nós temos saúde, temos muito mais recursos e as vezes eu faço muito menos aqui, que poderia fazer muito mais”, diz Leonardo.

Custo da Viagem

O valor da viagem é custeado pelo voluntário. Leonardo e Fabíola gastaram cerca de R$8mil cada um com a viagem. Ambos conseguiram ajuda de patrocinadores que fizeram doações para as despesas além de medicamentos, equipamentos para os atendimentos médicos.

 

Maiores necessidades do povo de Guiné-Bissau

Diferente do Brasil, em Guiné Bissau a comunidade não recebe atendimento médico ou odontológico de forma gratuita. São pouquíssimos profissionais que atuam na área e todos cobram muito caro, desta forma o povo mais carente não tem acesso a esses serviços. O projeto levou esse atendimento de forma totalmente gratuita.

“Por exemplo, um professor de lá, ganha o mesmo que R$150 reais, da nossa moeda, a moeda deles é o franco, mas que é muito pouco. Imagina esse salário com uma família de 10 filhos, duas esposas, é uma família com média de 12 pessoas, então eles não vivem como deveriam. O alimento deles é peixe com arroz, então se não tem nem para comida quase, imagina para remédios. As vezes a gente reclama dos postos daqui, mas lá quando eles vão no médico, o profissional dá um receituário de medicamento e outro de equipamentos, por que lá eles não têm soro, não tem seringa, não tem a gaze, é o paciente que tem que levar e pagar”, explica Fabiola.

A língua oficial de Guiné-Bissau é Português, mas apenas as crianças que vão para as escolas aprendem e a porcentagem é mínima. A língua mais falada no país é o crioulo.

Impacto cultural

A Cultura de Guiné-Bissau é muito diferente do Brasil, por exemplo, homens podem ter duas esposas. E, o homem fica em casa, enquanto as mulheres saem para trabalhar, geralmente na agricultura.

“Eles acreditam em Irã, que seria satanás, não que eles adoram o diabo, mas eles fazem sacrifícios com medo dele”, explica Leonardo.

“Eles fazem sacrifícios de animais, de filhos recém-nascidos, pactos de sangue, isso tudo é muito comum. Então a gente foi com esse propósito de levar outra visão, não para mudar a religião deles, mas para eles pararem com o sacrifício humano, a mutilação genital feminina onde é retirado o clitóris e nos homens, alguns são muçulmanos e eles fazem a circuncisão, mas o problema é que não tem anestesia, não tem medicamente, não tem nada, então quem sobrevive pega infecção, é uma questão bem delicada. A religião deles é tão forte que leva muitas vezes o risco à vida”, diz Fabiola.

As mulheres somente podem utilizar métodos contraceptivos se o marido permite. Mas, não há condições financeiras de comprar pílulas e preservativos nem são conhecidos por eles, até por que ter um número alto de filhos é um orgulho.

“Nós levamos preservativo, mas quem pedia era o pessoal do exército, por que eles já têm mais conscientização, mas a população no geral não. Lá o abuso infantil é muito presente, aqui nós falamos sobre o assunto, diferente de lá. Inclusive eles têm um ditado que diz ‘a primeira flor da bananeira colhe quem plantou’ então a menina perde a virgindade com o pai quando menstrua pela primeira vez, isso não é visto como abuso, mas acarreta uma série de outros problemas, como gravidez”, conta a voluntária.

 

Leonardo e Fabiola

Missão

O projeto existe desde a década de 80 e muitos se converteram ao cristianismo e pararam principalmente com os sacrifícios que já não acontecem na capital, apenas em cidades do interior.

 “Foram 15 dias de evangelismo e falamos de tudo, desde o início até os dias de hoje, tem lugares que eles nem sabem da existência de Jesus. Foi relatado desde o primeiro passo, quem escreveu a bíblia, até a morte de Jesus e quando Jesus voltará para ressuscitar e levar todos para o céu. Não temos o objetivo de converter pessoas, apenas de libertar eles e mostrar Jesus”.

Leonardo e Fabíola já tem projetos de retornar para Guiné-Bissau no fim do ano e dar continuidade ao projeto. Interessados em conhecer mais ou ajudar, podem buscar informações no site do Instituto da Base Gêneses.

 

Por: Patricia Silva

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