Coletivo Janete Cassol publica nota de repúdio contra o feminicío registrado nessa segunda-feira (26)

27 de março de 2018 08:45 | Comunidade , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Coletivo Janete Cassol publica nota de repúdio contra o feminicío registrado nessa segunda-feira (26)

O Coletivo Janete Cassol atua na cidade de Xanxerê desde o mês de maio e 2017. Tendo como principal objetivo conscientizar sobre a violência contra a mulher e encorajar para que crimes como esse venham à tona, os membros do Coletivo trabalham com ações junto a comunidade, principalmente com mulheres.

Diante de mais um fato de feminicídio ocorrido em Xanxerê, no fim da tarde da segunda-feira (26), quando uma mulher foi brutalmente assassinada quando chegava a aula, o Coletivo publicou em suas redes sociais uma nota de repúdio ao crime.

Indianara Moura, de 22 anos, residia na cidade de Entre Rios com sua mãe e se deslocava até Xanxerê para estudar. No fim da tarde da segunda-feira (26), quando desceu do ônibus foi surpreendida por um homem que desferiu golpes de faca contra ela. O Corpo de Bombeiros foi acionado e a socorreu com vida, mas ela faleceu logo após dar entrada no hospital. O principal suspeito de ter cometido o crime é seu ex-namorado, que encontra-se foragido.

Confira, na íntegra, a nota de repúdio publicada pelo Coletivo:

“NOTA DO COLETIVO JANETE CASSOL PELO FEMINICÍDIO CONTRA INDIANARA DE MOURA

Chega de comentários equivocados e desnecessários!
Chega de violência contra a mulher!

Mais uma vez somos tomadas pela dor. Como tantas outras mulheres, Índianara, sem defesa alguma, deixou sua família, seus amigos, sua história. Em menos de dois meses, duas vidas ceifadas de forma brutal, deixando a nós o recado de que os poderes e a sociedade Civil estão sim se omitindo, seja no resguardo com a medida protetiva, seja na luta para não permitir que outras vidas sejam arrancadas de nós dessa forma tão triste. Em um espaço tão curto de tempo, Terezinha, Indianara, Janete nos deixam um compromisso de luta e resistência pelas vidas que aqui ficaram.. E o que realmente nos preocupa? O Machismo que está impregnado, esse mesmo que violenta e que mata.
Por favor, paremos com discursos do tipo “Deus quis assim” frente aos atos de pura violência humana e não divina. Não, Deus e ninguém mais, além de um ex que vê a mulher como sua propriedade privada e que não aceita o fim de um relacionamento, quis e planejou assim. Existe o NÃO, e ele precisa ser respeitado.
Os apresentadores de programas narram: “Era uma moça linda” (não entendi!); alguns ouvintes comentam “se tinha lei protetiva, por que foi estudar à noite?” (tampouco entendi essa!)… cadê a profundidade e a criticidade?
Quaaaaaantas Indianaras precisarão morrer pra que a lei Maria da Penha e a medida protetiva de fato protejam as mulheres brasileiras de homens machistas, possessivos, doentes e assassinos por aí? Precisamos de revolta nas redes sociais, mas precisamos principalmente, de revolta e vozes nas ruas de um dos municípios do Oeste de Santa Catarina que está sujo de sangue de mulheres inocentes, incluindo de #JaneteCassol. Vamos nos manifestar, sem medo, porque juntas e juntos nós podemos. Mais uma vez, não vamos nos calar. JUSTIÇAAAA. MACHISTAS, NÃO PASSARÃO.

#indianarademourapresente
#terezinhapresente
#janetepresente”

Acompanhe as atividades do Coletivo através da Página no Facebook.


Por: Alessandra Oliveira

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