(49) 9 9827.3230

Conheça a história de Valdir, personagem da Rua Coronel Passos Maia de Xanxerê

5 de setembro de 2017 - 15:57 / Comunidade Lance Notícias Variedades Xanxerê | Comentários
Conheça a história de Valdir, personagem da Rua Coronel Passos Maia de Xanxerê Ele que é indígena, e reside no município há mais de 50 anos, tem muita história para contar. (Fotos: Alessandra Bagattini/Lance Notícias)

Você que passa pela Rua Coronel Passos Maia, no centro de Xanxerê, já deve ter visto o Valdir Rodrigues da Silva. Ele que é indígena, e reside no município há mais de 50 anos, tem muita história para contar.

As marcas na pele mostram o quanto já sofreu, mas sua memória ainda é jovem, e ele resume sua vida em uma frase: “Sou grato a Deus por tudo”.

Natural de Nonoai, Rio Grande do Sul, ele comenta que foi abandonado pelos seus pais biológicos, mas o tempo foi seu ensinamento.

“Sou índio e solteiro, nasci em Nonoai no Rio Grande do Sul. Meu pai e minha mãe eu não conheci, fui entregue em um balaio para um casal. Quando vim para o Oeste, tinha 11 anos. Sai fugido, consegui carona e vim parar em Chapecó. Mas a maior parte do trajeto fiz a pé. E a noite sempre arrumava um lugar para dormir”, diz.

Primeiro emprego

Valdir comenta que ao chegar em Chapecó, conseguiu seu primeiro emprego, em uma padaria. “Consegui um emprego em uma padaria, até chegar o dia em que o casal que me criou, me encontrou e me levaram novamente para Nonoai. Depois disso, fui servir ao exército, mas logo voltei. Vim seguindo minha vida quando vi, já estava em Chapecó e logo vim aqui para Xanxerê”.

Vida em Xanxerê

Hoje Valdir trabalha com loterias federais e comenta que quando iniciou as vendas, sofreu muito.

“Aqui não tinha estrada, era tudo mato e carroça. Eu vi a neve em 1973, ficou quatro semanas tudo coberto. Para sair de casa tinha que puxar a neve com a enxada. Xanxerê é bom, uma vez era melhor, mas hoje é bom também”.

Hoje com 83 anos, ele comenta que é muito grato a Deus por tudo. “Tenho 83 anos, eu durmo em casa, mas fico aqui na Rua direto, vou para casa só para dormir, moro no Bairro Tacca e trabalho com a Loteria Federal, venho aqui para não ficar em casa sem fazer nada. Já vendi muitas loterias premiadas. Aqui eu arrecado dinheiro para sobreviver, precisa ir à luta, senão, não adianta”.

Maleta do amor

Uma de suas companheiras de vida é sua maleta. Valdir comenta que utiliza ela para guardar todas as suas recordações, inclusive fotos da família e fotos dos prêmios que vendeu das loterias.

“Nela eu guardo minhas recordações. Eu amo fotografias e aqui tenho todas. Quero continuar aqui, até quando Deus me chamar, essa é minha vida, e sou muito grato a Deus por tudo, ele é meu dono e eu sigo os passos dele”.

Valdir, tem uma irmã que reside em Concórdia, segundo ele, os convites para ir morar lá são constantes, mas prefere ficar em Xanxerê.

Por: Alessandra Bagattini

Deixe seu comentário