De Xanxerê para Xanxerê: conheça a história de Neri de Paula- anos dedicados à arte

26 de julho de 2018 19:56 | Cultura , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
De Xanxerê para Xanxerê: conheça a história de Neri de Paula- anos dedicados à arte Foto: arquivo pessoal

Neri de Paula, natural de Xanxerê, completará 40 anos de palco. Desde criança soube que sua trajetória seria baseada na cultura e na arte.

Em entrevista ao LANCENOTICIAS.com.br contou sobre sua trajetória, desafios, encantos e devaneios que a vida de artista o proporciona. Além disso, o seu sonho voltado a Xanxerê.

“Quando eu era criança, deveria ter uns quatro anos, minha irmã, mais velha, apresentou uma peça na escola, onde ela fazia o papel de uma vilã. Ela estava linda. Eu fiquei muito impressionado. Eu comecei a me destacar nas leituras e os professores começaram a me escolher para apresentar poesias em horas cívicas. Uma professora pegou uma peça aonde um menino tinha muitos pássaros presos e ele tinha a consciência que precisava libertá-los. Eu me recordo que foi um sufoco para encontrar uma pomba […]. Quando eu vi, eu já estava promovendo torneio de futebol para comprar uma cortina. Comecei a escrever peças. Ficava na hora do recreio, depois da aula ensaiando, isso na quarta série”, comenta.

Aos 13 anos Neri começou a fazer parte de um grupo de teatro, ainda em Xanxerê, mas com pouco espaço cedido para sua arte. Pouco tempo depois, foi visto como artista e não parou mais de se destacar.

“Quando eu fiz 13 anos eu entrei no grupo eselsior, com Celito Pandolfi sendo o professor. Todo mundo era adulto, ninguém me dava muita bola. Quando eu tinha quase 15 anos, veio da Bahia, trabalhar em Xanxerê Clóvis Improta. Ele tinha feito teatro em Salvador, no Teatro Castro Alves. Ele me percebeu no teatro, como talento. Até então, ninguém tinha me percebido. Me deram o papel principal na peça O Auto da Compadecida. Eu fazia o Chicó. Eu me dediquei tanto àquele personagem que era o único que conseguia fazer o sotaque nordestino. Quando estreou foi um megassucesso: ninguém me chamava de Neri, só de Chicó”.

Após esse personagem tão marcante, veio outro. Desta vez o resultado foi o prêmio de Melhor Ator Catarinense.

“Após o Chicó, eu ganhei um personagem muito forte, de uma peça de Plínio Marcos, um grande dramaturgo brasileiro, peça chamada Quando as Máquinas Param. Eram só dois atores. Eu tinha 15 anos e fazia o papel de um homem de 25, casado, que morava numa favela e era sustentado pela sogra. Era uma loucura. Esse espetáculo me deu o prêmio de Melhor Ator Catarinense”.

Xanxerê não era mais para Neri.

“Me diziam ‘você não pode ficar aqui, você precisa ir embora’. Nessa época eu já era aprendiz de locutor na Rádio Princesa. A atriz que se apresentava comigo, tinha um namorado que fazia teatro em Itajaí no grupo profissional e ela foi embora com ele. Esse grupo veio atrás de mim. Enfim, sai de Xanxerê aos 15 anos para atuar nesse grupo profissional. Mas, um ano depois o grupo faliu e eu fiquei lá, a ver navios. Eu não quis voltar para Xanxerê, eu tinha um sonho, então fui para Curitiba. Fiquei um bom tempo lá e retornei para Xanxerê devido um acidente que sofri. Fiquei aqui e logo fui convidado para trabalhar na RBS TV que estava chegando em Chapecó, na área da produção. Não gostei muito da televisão: eu queria uma coisa e eles outra. Sai da TV e fundei um grupo de teatro. No primeiro espetáculo que ganhei, o prêmio era uma bolsa para estudar teatro. Fui estudar, num projeto da Fundação Catarinense de Cultura. Me formei e voltei a trabalhar em Chapecó. Lá se foram 29 anos. Quando foi construído o Teatro Municipal de Chapecó, uma luta que eu levantei, e esse teatro quando ficou pronto, nós artistas, não podíamos usar: foi uma decepção sem tamanho, muito doído. Isso me fez deixar Chapecó, vim-me embora, mas na intenção de ficar poucos meses em Xanxerê”.

Após a desilusão, voltou a Xanxerê e aqui criou raízes.

“Em Xanxerê, comecei a dar aulas de teatro. Formei muitos grupos e novamente voltei a escrever. Fiz lendas e Fatos de Xanxan Erê, tudo sobre a cidade; eu sempre gostei de pesquisar. Depois veio o convite para escrever a história de Onorino Bortoluzzi. Isso foi abrindo portas e portas e não quis mais ir embora. A literatura mantém a qualidade do meu teatro. Nós já estamos no quinto livro: teve o do seu Onorino; do Ivo Zollet; livreto do Center Hotel; um livreto da Dona Linda Ferronatto, um dossiê da vida dela; vai ser lançado agora um livro do Clube Sete de setembro, e temos outros projetos ainda”.

Vida de artista e sonho audacioso para Xanxerê.

“Não tem monotonia. Eu não saberia ser outra coisa. Os espetáculos são grandes desafios, os livros são desafios… Agora estamos nos organizando para viajar mais e trabalhando para criar um instituto multicultural Xanxan Erê. Poder público é sempre limitado, acho que é necessária uma atitude da rede privada e, se durante 29 anos eu trabalhei para que Chapecó tivesse um teatro, hoje eu trabalho para que Xanxerê tenha um Instituto Multicultural: ter um espaço, uma marca, para que as futuras gerações não precisem sair da cidade para viver da arte”, finaliza.

 

 

 

 

 


Por: Patricia Silva

Deixe seu comentário

Saiba Mais