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Delegados de SC terão preparação para atender casos de homofobia

2 de março de 2017 - 13:48 / Comunidade Polícia | Comentários
Delegados de SC terão preparação para atender casos de homofobia Delegados de SC terão preparação para atender casos de homofobia. (Foto: Reprodução RBS)

 

A Polícia Civil de Santa Catarina, a partir desta quinta-feira (02), vai fazer uma preparação para policiais e delegados para atendimento de casos de homofobia. Uma resolução do ano passado da instituição determinou que as delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCami) também atendam esse tipo de agressão.

Neste carnaval, Santa Catarina registrou pelo menos dois casos de homofobia, ambos em Florianópolis. No sábado (25), uma jovem fez boletim de ocorrência dizendo que levou um soco após tentar defender um casal de amigas. Na segunda (27), um homem foi à delegacia para registrar que foi agredido após beijar um amigo durante o ensaio de uma escola de samba.

A coordenadora estadual das DPCamis, Patrícia Zimermann, disse que o policial que se negar a fazer o registro de homofobia deve ser denunciado.”Nós temos que identificar quem são essas pessoas, para conversar com elas e capacitá-las para um melhor atendimento. Então é por isso que a gente precisa identificar o servidor e conversar com o policial civil”.

Dificuldades nas delegacias
O código penal brasileiro não prevê a homofobia como um crime. As vítimas, muitas vezes, sofrem em silêncio ou não encontram ajuda nas delegacias.

A representante da Comissão de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santa Catarina, Margareth Hernandes, disse que a vítima pode exigir que a palavra “homofobia” apareça no boletim de ocorrência, mesmo que ainda não conste no código penal.

“Pedir para que o policial responsável, que está confeccionando o boletim de ocorrência, que ele faça, que ele descreva ali no relato que foi vítima de homofobia, para que seja apurado isso futuramente como um agravante”, disse Margareth Hernandes.

Assassinatos em Santa Catarina

Segundo o Grupo Gay da Bahia, a única entidade do Brasil que faz levantamento de violência contra gays, lésbicas e travestis, seis pessoas LGBTs foram assassinadas em Santa Catarina no ano passado. Mas essas mortes não aparecem em nenhum registro oficial do governo porque não foram registradas como consequência da homofobia.
“Você é reviolentado porque você tem que provar que você não está mentindo, você tem que provar que realmente você foi violentado”, disse o diretor da ONG Acontece, Fabrício Gastaldi.

 

Por: Alessandra Bagattini

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