Do amor familiar à profissão: intérprete de Libras conta como decidiu seguir na profissão

26 de julho de 2018 14:06 | Educação , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Do amor familiar à profissão: intérprete de Libras conta como decidiu seguir na profissão (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

O 26 de julho é lembrado como o Dia do Intérprete de Libras. Regulamentada como profissão por meio da lei nº 12.319 de 1º de setembro de 2010, o intérprete tem a responsabilidade pela formação do cidadão, assim como os professores. O intérprete de Libras, no Brasil, vem, gradativamente, conquistando o seu papel de destaque e reconhecimento na sociedade.

Movida pelo amor familiar e por ter afinidades com a área, Alice Demarco já atua como intérprete de Libras há mais de quatro anos. O primeiro contato da xanxerense com a Língua Brasileira de Sinais foi em casa, pois tem uma irmã que é surda.

Ela conta que começou a aprender a Libras quando acompanhava a irmã na escola e, assim, foi conseguindo também melhorar sua comunicação com ela. “Nossa brincadeira em dia de chuva era ler dicionários, apostilas em Libras e brincar com os sinais”, conta.

Alice tem 22 anos e atua na área desde os 18, quando começou a trabalhar em escolas. Hoje, ela cursa Letras – Libras à distância, pois, segundo ela, as graduação e cursos de formação nessa área são difíceis de encontrar na região. Além disso, Alice possui um certificado de proficiência em Libras-Prolibras, conquistado em 2015, em Florianópolis, após uma semana de provas objetivas e práticas.

A profissional atua na Câmara de Vereadores, em uma associação de surdos e cegos do município e também em uma escola municipal como professora bilíngue, ensinando língua de sinais e língua portuguesa.

Quanto às dificuldades, Alice comenta que o maior obstáculo enfrentado é a falta de valorização por parte dos profissionais que contratam um intérprete.

“A falta de valorização por parte de quem nos contrata é a maior dificuldade. É um trabalho de um custo um pouco alto, mas correto, pois tem um desgaste físico muito grande e esse trabalho nunca poderá ser feito somente por um profissional quando se trata de palestras, seminários, reuniões. O tempo limite é de 30 minutos e precisa de outro profissional para substituir. Na nossa região, infelizmente, o trabalho voluntário ainda acontece o que não é correto, quem convida um intérprete de Libras para atuar que tenha consciência que é como qualquer outro profissional e precisa ganhar a sua remuneração”, destaca.

Alice percebia que ela tinha uma compreensão diferente das coisas, em relação a irmã, que é surda. “O amor pela profissão surgiu em uma relação entre irmãs e pela consciência que as informações que eu estava recebendo através da minha audição ela não tinha, passando assim despercebido. Se alguém não a ajudasse na comunicação ela não saberia, não aprenderia muitas coisas. E eu escolhi essa profissão por amor mesmo, por me sentir grata em ver que ajudei alguém a buscar ajuda médica e melhorar sua saúde, de alguém que foi ao banco e conseguiu realizar um sonho, ganhou conhecimentos para sua vida nas escolas”, comenta.

Antes mesmo de atuar na profissão oficialmente, Alice já realizava esse trabalho de intérprete quando saía com sua irmã. Em reuniões e encontros em que ela acompanhava a irmã mais velha, era convidada a fazer a interpretação do que era falado para as pessoas surdas.

Ela destaca que não teve dificuldades para aprender Libras por ter o contato com a língua já em sua família. Mas, para ensinar, ela está sempre em constante aprendizado, pois precisa se adaptar às necessidades de cada aluno.

“Para ensinar estou sempre em constante aprendizado, cada pessoa é diferente e preciso achar a melhor forma de transferir meus conhecimentos a eles. Tem alunos surdos que tem contato com Libras na sua família desde que nasceu e sua aquisição se torna mais rápida, seu desenvolvimento é melhor; já outros o único contato é na escola, então, o processo é mais demorado. O conhecimento de sua identidade influencia muito também, pois ele tem que se aceitar surdo, ele tem que entender que ele não ouve e precisa da Libras para se comunicar”, conclui.


Por: Alessandra Oliveira

Deixe seu comentário

Saiba Mais