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Gestores de campus do IFC são afastados por determinação da Justiça

22 de agosto de 2017 - 13:59 / Comunidade Educação Lance Notícias região | Comentários
Gestores de campus do IFC são afastados por determinação da Justiça (Foto: IFC/Divulgação)

Justiça Federal, através da 1ª Vara Federal de Chapecó, determinou o afastamento de gestores do Instituto Federal Catarinense do campus de Abelardo Luz, no Oeste de Santa Catarina, por suspeita de “interferência” do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na gestão do campus.

O afastamento do diretor e do coordenador pedagógico foi cumprido em 16 de agosto, segundo o Ministério Público Federal (MPF), e divulgado na segunda-feira (21) pelo órgão.

O MPF também pediu que “as pessoas nomeadas, em sua substituição para essas funções, neste momento, não tenham qualquer vinculação com o MST”.

Segundo informações, “um diretor provisório” já estava gerindo o IFC de Abelardo Luz. A assessoria de comunicação do IFC informou que a reitoria do instituto, que fica em Blumenau, no Vale do Itajaí, foi notificada oficialmente sobre o caso nesta terça-feira (22) e que a reitora está analisando os documentos junto à Procuradoria da República em Blumenau.

O MST informou, em nota que “condena a operação e afirma que não há dúvidas sobre seus reais interesses: criminalizar a atuação do Instituto, como parte de uma ‘ofensiva do estado em negar o direito à educação dos povos do campo”

Notebooks e celulares dos dirigentes suspeitos do IFSC foram apreendidos. O MPF também pediu quebra do sigilo de e-mails deles e também da reitoria do IFC. Os materiais foram encaminhados ao MPF de Brasília para análise.

Investigação

A investigação do MPF começou em fevereiro deste ano a partir de denúncias de que membros do MST estariam controlando o campus, que funciona desde 2013 no assentamento José Maria, em Abelardo Luz.

De acordo com o MPF, materiais disponibilizados por professores da instituição mostram ingerência do MST no campus. Essa intromissão estaria presente até na elaboração de projetos pedagógicos.

“Também identificou-se robustas evidências de que os dois dirigentes locais do campus, pessoas com forte ligação com o MST, não apenas possibilitaram essa espécie de controle do campus por aquele movimento, mas apoiaram e atuaram ativamente nessa indevida ingerência na gestão do IFC, havendo inclusive suspeitas de possível direcionamento de concurso público para a aprovação de integrantes do MST para o cargo de professor”, informa o MPF. Segundo o órgão, um inquérito foi instaurado na Procuradoria da República em Blumenau para apurar essa suspeita de direcionamento.

Ainda conforme o MPF, o campus não possui laboratórios para aulas práticas, não tem livros suficientes para todos os alunos, não possui vigilância nem área cercada e o espaço possui bandeiras e brasões do MST.

O MST afirma que no Brasil “há somente duas unidades de Institutos Federais localizadas em áreas de Reforma Agrária. Desde o início da implementação do campus em Abelardo Luz, foram inúmeras denúncias infundadas, parte de uma ofensiva que visa retirar o IFC do meio rural. Neste mesmo sentido, nas últimas décadas, milhares de escolas do campo têm sido fechadas, demonstrando a negação ao direito a educação aos trabalhadores e trabalhadoras do campo e a estratégia de inviabilizar seu modo de vida”.

Fonte: G1/SC

Por: Rafaela Forchesatto

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