Imigrantes haitianos comentam sobre dificuldades de morar em uma nova cidade

Bernadel e Louinel estão em Xanxerê há quase cinco anos e falam sobre trabalho e choque de culturas

27 de julho de 2018 14:59 | Comunidade , Cultura , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Imigrantes haitianos comentam sobre dificuldades de morar em uma nova cidade Bernadel e Louinel Maurice (Foto: Alessandra Oliveira/Lance Notícias)

Um dos maiores problemas enfrentados pelos imigrantes haitianos quando chegam no Brasil é aprender o idioma. Segundo eles, o português é o idioma mais difícil do mundo. Ademais, ao chegar aqui, todos buscam um meio de aprender a língua, com o intuito de melhorar a comunicação.

Outro ponto divergente é a cultura. Segundo Bernadel Louís Sainne, presidente da Associação dos Haitianos de Xanxerê (AHXA), todos que chegam aqui precisam de um tempo para adaptação, pois há um grande choque de cultura.

“Nossa cultura é bem diferente da cultura daqui, a comida é bem diferente, mas, quando chegamos aqui, tem que acostumar. Trocar a cultura não é difícil, mas levamos um tempo para essa adaptação. A gente sai de lá com uma cultura e quando chega aqui é outra coisa, bem diferente. Estamos acostumados com a comida e cultura daqui, mas, na nossa casa, fizemos as comidas haitianas, e às vezes, misturamos com coisas daqui também”.

Louinel Maurice, vice-presidente da AHXA comenta que ainda muitos homens vêm para o cá sozinhos, pois não têm dinheiro para trazer a família. Quando chegam aqui, muitos buscam a associação para conseguir se instalar na cidade, procurar um emprego e conseguir juntar dinheiro para poder ajudar a família e trazê-la para cá.

Mas, mesmo com apoio, muitos acabam desistindo e voltam para o país de origem. Um dos pontos citados por Maurice é o frio, pois o clima de Xanxerê é muito diferente do Haiti. Outra questão são os cargos destinados aos imigrantes que, na maioria das vezes, são em trabalhos braçais e que exigem mais esforço.

“Muitas pessoas vêm e voltam. A razão é simples. Chegamos aqui e parece que o dinheiro vem mais fácil, mas não é. Outro ponto é que muitos quando chegam aqui, o trabalho é muito pesado, e só trabalham só para mandar dinheiro para a família. Muitos terminam uma universidade lá e vem para cá procurar emprego, mas só encontram cargos de ajudantes. Aqui para os imigrantes, não tem cargos de profissional, só ajudando. Ficamos com os trabalhos mais pesados e mais abaixo na hierarquia”, declara.

Mesmo diante das dificuldades, Maurice declara que gosta do Brasil, que gosta de Xanxerê e que pretende ficar aqui

“Eu vou ficar aqui, porque gosto do Brasil, minha mulher e meu filho também moram aqui e eu vou ficar aqui. Todo mundo é mundo, mas todos não são os mesmos e, aos poucos, as pessoas estão entendendo isso”, conclui.


Por: Alessandra Oliveira

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