Inclusão: professoras ministram aulas na casa de alunos especiais para garantir ensino

31 de julho de 2018 10:39 | Educação , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Inclusão: professoras ministram aulas na casa de alunos especiais para garantir ensino Alunos recebem professores em casa (Foto: Patrícia Silva/Lance Notícias)

Acesso à educação é garantido por lei para as crianças e adolescentes. Mas, e quando o aluno não pode ir até a escola por motivos adversos, como um problema grave de saúde? Para isso existe o programa de atendimento domiciliar, aonde, o professor é quem vai até o aluno.

Na Escola Professor Iracy Tonello, há duas professoras que fazem parte desse projeto: Adaiana Guadri e Luciane Bordignon.

“O meu aluno é o Lucas, ele tem fobia, tem medo de ficar em lugares com muitas pessoas. Por conta disso acabou desenvolvendo obesidade mórbida. Ele tem bastante dificuldade de socialização. Ele está no primeiro ano do ensino médio. Já reprovou, pois quando ele precisava vir na escola, ele faltava bastante, quando vinha ficava escondido no banheiro. Agora que ele conseguiu o atendimento em casa, ele é mais tranquilo. Ele tem o ritmo dele, se estivesse em sala de aula não conseguiria acompanhar a turma, o programa é fundamental para ele”, comenta a professora Adaiana.

As professoras vão até a casa dos alunos quatro vezes por semana, entre às 08h15min e 11h30min. Entre às 07h45min e 08h15min, a primeira aula da manhã, as professoras adaptam as aulas antes de levar para os seus alunos. As professoras que trabalham em sala de aula, repassam o conteúdo para Adaiana e Luciane.

Luciane, já acompanha o seu aluno há dois anos. Foi a vontade dele, em aprender, que fez com que sua mãe buscasse o acompanhamento especial. A mãe de Adriano chegou a cogitar tirar o filho da escola, mas ele não aceitou ficar longe do conhecimento.

 

Adriano e sua professora (Foto: Patrícia Silva/Lance Notícias)

 

Adriano tem 18 anos e está cursando o terceiro ano do ensino médio. Além de ter síndrome de down, ele possui problemas respiratórios. Quando frequentava a escola, ao mínimo esforço, até mesmo em caminhar, ele sofria com falta de ar e por diversas vezes, precisou ser encaminhado ao hospital.

“Eu trabalho desde 2015 no projeto de atendimento domiciliar. Esse ano e ano passado eu acompanho o mesmo aluno, o Adriano. Nós pegamos o conteúdo com as professoras, adaptamos para ele, e levamos até a casa dele. Ele gosta bastante, agora nas férias, ele estava bastante ansioso pelo retorno”, comenta a professora Luciane.

Vania Siqueira, mãe de quatro filhos, inclusive o Eduardo, conta que é uma satisfação muito grande ver o seu filho recebendo o ensino.

“É muito bom, até porque se ele não tivesse a professora que vem aqui na casa, ele não estaria mais estudando. Quando ele ia para a escola, passava mal, chamavam o Samu e ele ia para o hospital direto. Era um horror. As professoras que me explicaram sobre esse programa e então ele começou a ser beneficiado”, diz a mãe.

Quando a professora chega, Adriano já prepara a mesa, arruma os cadernos e traz o calendário que montou com a professora, tudo para deixar o cômodo da casa mais parecido possível com uma sala de aula.


Por: Patricia Silva

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