Médica alemã conta sobre a missão que a trouxe para Xanxerê

28 de março de 2018 16:10 | Comunidade , Lance Notícias , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Médica alemã conta sobre a missão que a trouxe para Xanxerê O casal veio como missionários para tratar os doentes e ajudar os pobres sem cobrar nada em troca. (Foto: Patrícia Silva/Lance Notícias)

Ajudar as pessoas mais carentes. Esse foi o principal motivo que trouxe Gisela Katharina Happe Möller, natural da Alemanha, para morar no Brasil. A médica nasceu em 1926, na cidade de Trier. Ela e seu esposo Kurt Möller perderam na Segunda Guerra Mundial tudo o que tinham devido a um bombardeio Norte- Americano, ficando apenas com a roupa do corpo. Dez anos depois vieram para o Brasil como missionários para tratar os doentes e ajudar os pobres sem cobrar nada em troca.

Gisela e seu esposo vieram para o Brasil em 1955, de navio, ficaram dois anos em Curitiba para aprender a falar a língua portuguesa e logo após se mudaram para Xanxerê. Com 92 anos, a médica não se recorda dos detalhes, mas em suas lembranças está guardado o número de pessoas que ajudou quando veio para o município. “Vivo há muitos anos aqui. Eu fui médica e ajudei mais de 300 mil pessoas, de toda a região, sem cobrar nada”.

O cão de Gisela é seu companheiro de todas as horas. (Foto: Patrícia Silva/Lance Notícias)

 

 

A filha mais velha, Carithea Klein, relembra que a primeira casa que a família morou, foi no centro do município. “Depois de aprender a falar português, meu pai procurou um lugar para morar e chegaram aqui em Xanxerê. A primeira casa que alugamos, foi onde hoje é a Geração Papelaria, tinha uma casa enorme de madeira. A casa tinha duas portas, uma, onde meu pai falava de Deus para as pessoas e na outra porta onde minha mãe atendia os doentes”.

Após tratar uma mulher e curá-la Gisela e seu marido foram presenteados com a casa que ela vive até hoje no Bairro La Salle em Xanxerê. Preservando a mesma decoração há mais de 50 anos, a casa é considerada um museu histórico da cultura alemã. “Ela atendeu a mãe do dono do terreno que moramos hoje. Como a mulher estava para morrer e a mãe atendeu ela e ela se curou, em troca disso ganhamos o terreno, onde o pai construiu a casa e o ambulatório”.

Além da casa, a família construiu mais de oito igrejas na região, o objetivo era auxiliar o máximo de pessoas possível. “Meu pai fez nove igrejas aqui na região e a mãe atendeu mais de 300 mil pessoas, sem cobrar nada. Foi meu pai que desenhou as casas e fez toda a parte da administração. Ele acompanhou tudo enquanto estava construindo e sempre cuidou de tudo”, detalha a filha.

Na época a família vivia de doações recebidas por meio da igreja. “Nós vivíamos de doações das igrejas evangélicas. Meu pai foi o único sobrevivente da Guerra contra a Rússia, ele ficou doente, tiraram ele e logo depois todos os colegas dele morreram congelados. Depois disso ele quis descobrir o sentido da vida, ele era ateu, até ter um encontro real com Jesus e começar a construir a sua história”.

Carithea também seguiu os passos da mãe. Hoje, além de pastora ela também é enfermeira e professora de alemão. “A turma que dou aula é de 10 alunos, pois a fonética é muito difícil e precisa de tempo e paciência”.

Após tantos anos Gisela ainda tem dificuldade de entender a língua portuguesa, mas sempre agradece por tudo que viveu. “Sou feliz porque ajudei muitas pessoas e também porque Jesus morreu na Cruz por mim e eu queria servir a ele, por isso nunca cobrei nada”, conclui.

A filha mais velha, Carithea Klein. (Foto: Patrícia Silva/Lance Notícias)

 

 


Por: Alessandra Bagattini

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