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Moradores de rua de Xanxerê são frutos da dependência química, aponta estudo

30 de agosto de 2017 - 11:54 / Comunidade Lance Notícias Saúde Xanxerê | Comentários
Moradores de rua de Xanxerê são frutos da dependência química, aponta estudo Foto: Reprodução

O Ministério Público solicitou ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Xanxerê um levantamento a respeito das condições dos moradores de rua do município. O levantamento foi entregue a Promotoria para sugestão de políticas públicas que poderão ser tomadas.

O perfil das pessoas em situação de rua em Xanxerê, são principalmente homens, com faixa etária de 35 anos, como destaca a coordenadora do CREAS Luciane Regina Tomazini.

“Foram entrevistados atualmente em situação de rua, pessoas que possuem como perfil, homens, adultos, dependentes químicos, usuários de álcool e de drogas, todos de Xanxerê, com uma idade média de 35 anos, com vínculos familiares rompidos ou fragilizados, destes, aproximadamente 50%, possui uma atividade informal, de forma eventual, que gera sobrevivência e manutenção da dependência química”.

A coordenadora ainda destaca que também foram identificados grupos indígenas em situação de rua.

“Ainda identificamos grupo indígenas itinerantes nesses locais, que temos muito em nossa cidade, principalmente os que fazem uso de bebida e acabam ficando na praça e nas ruas. Nos dias de inverno nós tivemos que fazer bastante buscas, principalmente na questão do terminal rodoviário”, ressalta.

O levantamento realizado constatou que todas a pessoas abordadas em locais determinados pela Promotoria, estão morando nas ruas devido a dependência química.

“Devido a dependência química, essas pessoas se encontram em situação de rua. Eles são muito mais um caso de saúde pública, do que de situação de rua, porque se eles tivessem um suporte para se livrarem do vício, medidas adequadas, eles não estariam na rua. Depois que eles ficaram viciados é difícil sair sozinho do vício sem ajuda. Então é um caso, primeiro de saúde pública”, comenta Jussara Edi Pulga Mendo, técnica de referência de situação de rua.

Fenômeno complexo:

“O fenômeno de população de rua é complexo e necessita de ações que vão além da política de assistência social, uma vez que envolve a ausência de outras políticas, como moradia, dependência química, desemprego, baixa escolaridade, entre outras”, destaca Jussara.

Dependência química como principal fator:

“É em função da dependência que os vínculos familiares se romperam e estão fragilizados, acabam não sendo mais acolhidos, porque a família também não aguenta e não tem um suporte para conseguir que eles retomem uma vida normal”, ressalta a técnica.

Projetos já estão sendo realizados:

“Independentemente da resposta que a gente aguarda da Promotoria, nós já começamos um trabalho, uma vez por semana, alunos de psicologia da Unoesc irão atender, nas quartas-feiras de manhã, um certo grupo que conseguimos levantar, que frequenta a casa solidária, e serão atendidos na casa, e também aqui no CREAS, em questões mais técnicas, de encaminhamentos, nas terças-feiras pela tarde. Esses atendimentos são de livre demanda, eles que vem buscar. Não existe protocolo interno do CREAS e da assistência social que faz isso”, finaliza.

Por: Alessandra Bagattini

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