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Realidades diferentes, sonhos iguais: a história de duas mulheres no curso do CBMSC

29 de março de 2018 - 15:35 / Bombeiros Comunidade Xanxerê | Comentários
Realidades diferentes, sonhos iguais: a história de duas mulheres no curso do CBMSC (Fotos: Alessandra Oliveira/Lance Notícias)

Muitas vezes e busca pela realização de um sonho se torna o propósito principal na vida de muitas pessoas. E foi isso que trouxe Jéssica Cruz e Tatiana Carlini para Xanxerê. Elas são alunas da primeira turma do curso de formação de soldados do 14º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Xanxerê. As duas são as únicas mulheres em uma turma de 31 alunos.

Em todo o estado foram oferecidas 300 vagas para novos soldados. Destas, foram destinadas 272 vagas para homens e apenas 18 para mulheres. Dos mais de 10 mil inscritos estavam mais de 2.500 mulheres, ou seja, eram mais de 130 mulheres disputando cada vaga. Por conta disso, as duas alunas soldado que estão em Xanxerê sentem-se orgulhosas por terem conquistado seu lugar no curso.

Jéssica Cruz tem 24 anos e veio de Criciúma para participar do curso. Engenheira florestal de formação a jovem não se contentou com uma vida de profissional de escritório e foi isso que a fez buscar o concurso do CBMSC.

“Logo que me formei comecei a atuar na minha área, de forma autônoma, pouca coisa porque na nossa profissão tá um pouco difícil. Depois eu passei em um concurso para engenheiro florestal e comecei a atuar em uma cidade vizinha da minha. Eu comecei a ver que aquela parte de escritório não estava fechando comigo, não era meu perfil e grande parte da minha profissão é assim. A partir daí eu comecei a pesquisar outras coisas e quando abriu o concurso do bombeiro eu vi uma oportunidade, vi que se encaixava muito no meu perfil e a profissão do bombeiro é muito respeitada. A partir do momento que eu falei para os meus familiares que ia fazer o curso eu tive muito apoio e isso me deu mais ânimo para continuar”, conta.

A aluna conta que no momento da escolha das vagas sua esperança era conseguir uma vaga na cidade vizinha da sua, Tubarão, mas isso não aconteceu. “Depois que eu soube que vinha para cá, fiquei um pouco chateada porque é longe e eu nunca tinha vindo para o Oeste, mas quando eu vim, fiquei muito feliz, porque a viagem foi muito tranquila e eu trouxe meu noivo comigo, o que foi bem bom para mim e eu gostei muito da cidade, o pessoal é bem simples e eu gosto disso. Meu noivo também fez o concurso e está esperando a abertura da segunda turma e esperando ser chamado, por enquanto ele continua estudando”.

A aluna soldado Tatiana Carlini tem 23 anos, vem de Brasília e é engenheira civil de formação. No seu caso o sangue militar já corre nas veias desde pequena, pois seu pai é militar do exército. “Desde pequena eu tive uma forte influência militar dentro de casa. Meu pai é militar do exército, eu estudei em colégio militar e meu tio é bombeiro aqui em Santa Catarina e eu vejo que ela gosta muito da profissão, que ele tem uma paixão e eu admito muito isso. Surgiu a oportunidade do concurso, eu resolvi fazer, estudei, me preparei para o teste físico e acabou que deu certo, resolvi aceitar essa oportunidade e estou gostando”, conta.

Sua expectativa era fazer o curso em Florianópolis, mas por conta das poucas vagas femininas na capital ela acabou sendo realocada para cá. Aqui ela divide moradia com uma mulher e ficou sabendo da vaga nessa casa através da internet. “Mesmo com a minha vontade de fazer o curso na capital, foi bem tranquilo para mim vir para cá porque sei que Xanxerê é referência em vários aspectos dentro do Corpo de Bombeiros, gostei bastante da cidade também. Por enquanto meu namorado está fazendo um mestrado em Florianópolis e ele aguarda uma segunda turma do curso de formação também”.

As duas contam que os primeiros dias de curso e de adaptação estão sendo puxados. Todos os dias os alunos tem diversas atividades para cumprir além das aulas. A primeira semana propriamente dita foi de adaptação sobre o meio militar. Já nessa semana iniciaram as aulas teóricas.

Ser mulher dentro do curso
As corporações do Corpo de Bombeiros ainda são um meio bastante masculino. Um exemplo claro é a divisão das vagas no concurso. Apesar disso, Jéssica destaca que há um grande companheirismo dentro do curso.

“Esse meio ainda é bem masculino, mas a mulher está conseguindo se encaixar. Eu e a Carlini tentamos fazer ao máximo tudo o que é passado, no nosso limite. Nossa relação com os alunos homens também é muito boa, eles se preocupam também, perguntam se está tudo bem. Isso é o companheirismo e por isso a adaptação está sendo bem tranquila” conta.

Tatiana destaca que para as mulheres passar no curso foi uma tarefa bem mais difícil e que estar dentro do curso hoje é uma conquista. “Para passar no concurso foi bem mais concorrido para as mulheres, foi bem acirrado, mas sinto que temos um papel bem importante aqui dentro. Sem querer chamamos a atenção por sermos mulheres e por isso buscamos dar sempre o nosso melhor para mostrar que conseguimos, temos garra, força e determinação para fazer o que é preciso” conclui.

O curso dura cerca de nove meses e a expectativa é que as aulas sigam até o mês de novembro. Além das aulas teóricas e práticas que acontecem no Centro de Referência de Desastres Urbanos (CRDU) de Xanxerê os alunos também irão se deslocar para outras cidades do estado para participarem de aulas práticas de áreas específicas.

Por: Alessandra Oliveira

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