Coluna Viver Bem: obesidade, por que devemos nos preocupar com isso?

17 de agosto de 2018 03:32 | Viver Bem
Coluna Viver Bem: obesidade, por que devemos nos preocupar com isso? Foto: Divulgação

Bom dia, hoje falaremos um pouco sobre obesidade, seus riscos e por que devemos tentar evita-la!

Primeiramente, o que é obesidade?

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo. Para o diagnóstico em adultos, o parâmetro utilizado mais comumente é o do índice de massa corporal (IMC). Ele é calculado dividindo-se o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado.

As classificações para IMC, são:
Baixo Peso: <18.5 kg/m2
Peso normal: 18.5 – 24.9 kg/m2
Sobrepeso: 25 – 29.9 kg/m2
Obesidade Classe 1: 30 – 34.9 kg/m2
Obesidade Classe 2: 35 – 39.9 kg/m2
Obesidade Mórbida Classe 3: ≥40 kg/m2

Outra medida muito importante é a circunferência do abdômen, ou seja, o diâmetro da barriga. Quando a gordura se instala entre os órgãos do abdômen e aumenta a barriga, ela é perigosa, e está por trás de muitos males fatais associados à obesidade, como as doenças do coração, por exemplo. A medida da circunferência do abdômen é a forma mais simples de saber se há acúmulo de gordura nessa região. Homens com cintura maior do que 102 cm e as mulheres com cintura maior do que 88 cm estão em maior risco de diabetes, dislipidemia, hipertensão e doenças cardiovasculares devido ao excesso de gordura abdominal.

A obesidade aumenta o risco de várias doenças, como pressão alta, diabetes, infarto do coração, problemas nas articulações, entre outras. Além disso, o excesso de peso pode interferir na questão estética, social e psicológica, tendo grande impacto na qualidade de vida.

Em suma os principais fatores que contribuíram para o aumento do sobrepeso nos brasileiros são: alimentação fora de casa, processos de trabalho com redução do esforço físico ocupacional, alterações nas atividades de lazer, que passam de atividades de gasto acentuado, como práticas esportivas, para longas horas diante da televisão ou do computador e do uso crescente de equipamentos domésticos com redução do gasto energético da atividade.

Não ache que deixar de subir de elevador e ir de escada não fará nenhuma diferença. Faça você uma conta rápida e simples de soma e subtração! Imagine 100 calorias a mais por dia durante todo um ano. Agora faça o contrário, 100 calorias a menos por dia. Só pra você ter uma ideia, 1 Kg de gordura tem aproximadamente 7.000 calorias. Fez as contas? Assustador não! Para animar você, uma simples caminhada de 15 minutos gasta aproximadamente 100 calorias, animador não?

Porém, devemos concordar que toda essa pressão na busca por resultados na vida dificilmente irá mudar, então, porque não encarar esse desafio com mais disposição para resolver os problemas? Pensar melhor? Ter mais resistência? E ainda, acabar o dia menos cansado para curtir a família?

Exercício e obesidade

O primeiro passo é estar disposto a alterar alguns pontos na sua rotina, como alimentação ou preferir ir a pé a compromissos ao invés de carro.

O segundo passo é procurar um médico que entenda do assunto assim como de exercício, e um educador físico especialista em exercício e obesidade.

Desde 2000, uma entidade americana (ACSM) reconhece que qualquer exercício físico é favorável a saúde. Mas cada exercício traz consigo adaptações específicas, por isso a importância de saber qual exercício é ideal para cada indivíduo.

Uma coisa garanto a você, o impacto do exercício no processo de emagrecimento está diretamente relacionado à quantidade de energia que você gasta, ou seja, quanto mais você gasta maiores são as chances de você perder peso.

A obesidade é uma doença crônica, o paciente e o profissional de saúde devem entender que o sucesso do tratamento exige um esforço de toda a vida. Este esforço promete ter sucesso quando envolve o paciente, sua família, seu ambiente social e, invariavelmente, uma equipe multidisciplinar que, ao longo do tempo, atua junto ao paciente no auxílio à manutenção do peso ideal.

A decisão de tentar um tratamento para perda de peso também deve considerar a disponibilidade da paciente para fazer as mudanças de estilo de vida necessárias avaliando: razões e motivação para perda de peso; tentativas anteriores de perda de peso; apoio esperado da família e dos amigos; compreensão dos riscos e benefícios; atitudes em relação à atividade física; disponibilidade de tempo e possíveis barreiras, incluindo limitações financeiras.

A avaliação de um paciente deve incluir o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e circunferência abdominal. Há evidências para apoiar o uso do IMC na avaliação de risco, uma vez que fornece uma medida mais precisa da gordura corporal total em comparação com a avaliação do peso corporal por si só. Nem a bioimpedância proporciona uma vantagem sobre o IMC no manejo clínico dos pacientes adultos, independentemente de gênero. Porém, um julgamento clínico deve ser empregado quando se avalia pacientes com massa muscular importante porque o IMC pode superestimar o grau de adiposidade.

O excesso de gordura abdominal é um importante fator de risco independente para a doença. A avaliação da circunferência abdominal para avaliar os riscos associados com a obesidade, ou excesso de peso, é suportada pelas evidências científicas. Diferente do que já se preconizou a medida da relação cintura-quadril não configura nenhuma vantagem sobre a circunferência abdominal sozinha. A medição da circunferência abdominal é particularmente útil em pacientes que são classificados como normais, ou acima do peso. Não é necessário medir a circunferência abdominal em indivíduos com IMC ≥ 35 kg/m2 uma vez que pouco acrescenta ao poder da classificação do IMC.

Indivíduos com cintura superior a estes valores devem ser considerados de risco acima do definido por seu IMC.

Indivíduos com menor risco devem ser orientados sobre as mudanças de estilo de vida eficazes para evitar qualquer ganho de peso. Os objetivos da terapia incluem a redução do peso corporal e a manutenção de um peso corporal menor em longo prazo. A prevenção de maior ganho de peso é o objetivo mínimo.

A taxa de perda de peso deve ser de 1 a 2 quilos por semana. Maiores taxas de perda de peso não garantem melhores resultados no longo prazo. Após os primeiros 6 meses de tratamento de perda de peso, a prioridade deve ser a manutenção do peso alcançado através de mudanças combinadas na dieta, atividade física e comportamento. Além disso, uma nova perda de peso pode ser considerada, após um período de manutenção de peso.

Prevenir ganho de peso pode ser uma meta apropriada para as pessoas com um IMC de 25 a 29,9, que não estão de outra maneira em alto risco. Em geral, as dietas contendo 1.000 a 1.200 calorias por dia devem ser selecionadas para a maioria das mulheres, uma dieta entre 1.200 e 1600 calorias por dias devem ser preferidas para homens e pode ser adequada para mulheres que pesam 75 quilos ou mais, ou que praticam exercício.

Mudanças de longo prazo nas escolhas de alimentos têm maior probabilidade de serem bem sucedidas quando as preferências do paciente são levadas em conta e quando o paciente é instruído sobre a composição dos alimentos, etiquetagem, preparação e tamanho da porção.

Embora a gordura na dieta é uma fonte rica em calorias, redução da gordura alimentar sem a redução de calorias não produz perda de peso. O contato frequente com os profissionais no período de adaptação da dieta é imprescindível para melhorar o cumprimento do tratamento.

Outras medidas são importantes e indispensáveis: exercícios físicos, terapia comportamental, farmacoterapia, cirurgia bariátrica, sendo esta uma conduta tomada após o insucesso de todas as outras.

A sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda sete ações para a prevenção da obesidade.

 

– Mantenha-se ativo: a maneira mais indicada para prevenir a obesidade, é mudar o seu estilo de vida. Caminhe o máximo que puder, troque o elevador pelas escadas, se for possível, caminhe até o trabalho. São ações simples que fazem a diferença. Além disso, você pode correr, nadar, pedalar, jogar futebol ou fazer exercícios de musculação, o que importa é não ficar parado.

 

– Alimente-se de maneira saudável: a FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos) recomenda que uma pessoa consuma em media 2.000 calorias por dia, distribuídas em alimentos tais como lácteos, carnes, cereais, frutas, verduras e legumes. Você pode tentar adaptar sua alimentação para cumprir estes requisitos, será uma das maneiras mais eficazes de prevenir a obesidade.

 

– Controle o seu peso: é importante nos pesarmos uma vez por semana para controlarmos o peso.

 

– Beba água: muitas vezes, as pessoas confundem a desidratação com os sinais de fome. É recomendável bebermos de oito a dez copos d’água por dia. A água limpa e desintoxica todas as impurezas do organismo.

 

– Realize um check up médico pelo menos uma vez por ano: ao detectar qualquer complicação mais cedo, o médico poderá tratá-la rapidamente, sem maiores consequências.

 

– Mantenha a comida gordurosa fora de sua alimentação: pode ser muito difícil cumprir essa tarefa, mas você pode substituir essa comida por outros alimentos saborosos, porém, saudáveis.

 

– Coma apenas quando sentir fome: Estudos afirmam que as pessoas naturalmente magras são assim porque comem apenas quando sentem fome. Comer apenas quando nosso corpo nos indica a necessidade, é uma boa maneira de prevenir a obesidade.

 

Daiana Dambroso (CRM/SC 20.681)

20/07/2018


Por: Alessandra Oliveira

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