Cuidar e Educar

27 de abril de 2016 08:44 | UNOESC na Comunidade
Cuidar e Educar Foto: Divulgação

Ana Paula de Oliveira Scherer

Escrever sobre a primeira infância é, atualmente, um grande desafio, visto que enquanto categoria, esta é pouco valorizada, pois sua concepção no tempo sempre foi atrelada e entendida como um complemento assistencial.  Hoje, já se percebe a criança como sujeito histórico, um ser ativo, autor de suas relações e de sua cultura, porém, ainda busca-se um reconhecimento da instituição de Educação Infantil como espaço institucional de todas as crianças. É importante conhecer e entender o âmbito político ao qual a infância pertence, mas também é necessário estabelecer relações entre o que se passa notoriamente nos espaços institucionais.

As concepções de infância, historicamente, sempre priorizaram aspectos de cuidado. Ocorre que o direito à Educação Infantil não inclui somente o acesso das crianças em creches e pré-escolas, mas o direito a uma educação de qualidade, que considere as múltiplas linguagens infantis. Assim, é função da Educação Infantil propor experiências com princípios que priorizem a autonomia da criança em seu processo de desenvolvimento, sendo  fundamental a integração entre o cuidar e educar para um atendimento de qualidade na primeira infância.

Trabalhar na Educação Infantil exige do educador o conhecimento das especificidades da infância, pois este é um período que se caracteriza por importantes aquisições e transformações, seja nos aspectos cognitivos, culturais, sociais e motores, ou seja, envolve questões de cuidar e educar como processos fundamentais do processo ensino-aprendizagem.

Dentre as categorias que envolvem o cuidar e educar, podemos citar algumas que são fundamentais na construção de propostas pedagógicas para a infância, como: I) organização do tempo e espaço; II) o planejamento e organização do trabalho pedagógico, todas voltadas aos aspectos da qualificação do processo ensino aprendizagem e autonomia da criança.

Todas as relações educativas a serem estabelecidas junto à criança requerem objetivos que contemplem questões claras em relação ao cuidado e em relação ao educar, de modo a proporcionar a satisfação de todas as necessidades da criança.

A organização do tempo e espaço deve ter como foco a estruturação do cotidiano, o cuidado, a aprendizagem e a autonomia, de modo que não sejam pensados sob a ótica adulta, mas sob a comodidade da criança, tendo por base seu desenvolvimento e sua faixa etária. Para tanto, é necessária a participação da criança nesta organização, o que estimulará sua autonomia e desenvolvimento. Segundo BARBOSA (2006):

O espaço físico é o lugar do desenvolvimento de múltiplas habilidades e sensações e, a partir da sua riqueza e diversidade, ele desafia permanentemente aqueles que o ocupam. Esses desafios constrói-se pelos símbolos e pelas linguagens que o transformam e o recriam continuamente. (Barbosa , 2006, pág. 120)

O tempo e o espaço no contexto da Educação Infantil devem ter um caráter pedagógico com finalidades e intencionalidades, ou seja, planejadas pelo professor, oportunizando diversificadas experiências, bem como favorecendo a interação com o meio físico e social.

Assim, pela busca de concretizar uma identidade e exercer sua função social, é necessário na Educação Infantil, organizar um planejamento e desenvolver atividades que partam do cotidiano infantil, considerando a criança como cidadã, com direito de participar da construção de ambientes estimuladores para seu desenvolvimento e construir significações e formas mais complexas de sentir e pensar, buscando articular as áreas do conhecimento com as do desenvolvimento, dando ênfase as múltiplas linguagens.

Referências:

BARBOSA. Maria Carmen Silveira, Por amor e por força: Rotinas na Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed, 2006.


Por: Direto da Redação

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