Sabores e saberes: o texto e a gramática no ensino de Língua Portuguesa

25 de abril de 2016 16:39 | UNOESC na Comunidade
Sabores e saberes: o texto e a gramática no ensino de Língua Portuguesa

Maria Ivanilce de Mello Damarat

Este artigo revela partes fundamentais de reflexões realizadas ao longo do percurso acadêmico acerca do ensino da “Língua Materna”.  Para nós professores é importante ressaltar que, ensinar a gramática isoladamente do texto, ou ensinar o texto a partir da linguagem verbal do estudante, sem fazer uso da gramática, seria como fazer a receita de um bolo, preparar todos os ingredientes prescritos e não fazer uso do fermento. O seu trabalho não terá êxito, a sua receita não terá sabor.  A responsabilidade do professor da disciplina de língua portuguesa é muito grande: ele precisa assumir  postura de mestre dentro da sala de aula, postura essa que exige, entre outros,  conhecimentos gramaticais e conhecimentos linguísticos. Ao determinar o ensino de um gênero textual o planejamento deste gênero tem de estar articulado com a leitura, a produção e a gramática.

Segundo as autoras Squarisi e Salvador, quem está iniciando, para escrever um bom texto  é necessário fazer o uso de frases curtas, pois, com elas, “tropeçamos menos nas conjunções, nas vírgulas e nas concordâncias”. As autoras ressaltam que frases curtas tornam o texto claro, sem erros gramaticais, tornando-o mais objetivo. Para Heloisa Amaral, Mestre em Educação, “escrever é convencer para mudar”. Exemplo: o artigo de opinião faz parte dos gêneros discursivos da esfera jornalística e ao nos posicionarmos a respeito de determinada ideia, com o intuito de convencer o leitor, além dos argumentos de defesa em favor dela, o texto precisa estar coeso e ter coerência.  Ou seja, as ideias precisam estar articuladas entre si e bem formadas.

Comenta a autora Amaral, que “o jornal é um órgão formador de opiniões”.  Concordamos, pois  a força e a capacidade de intervir, seja em um debate ou em uma entrevista,  será mais ampla se os sujeitos que se envolvem e formam sua opinião a partir de vários olhares, em distintas mídias veiculadas. O importante deste gênero jornalístico é que ele está apoiado em fatos e informações exatas, comprovadas, ao ponto de influenciar numa sociedade, mudando convicções e hábitos.  Destacamos,  neste comentário, que alguns profissionais da área de Letras têm se preocupado somente na produção ou só na gramática e esquecem-se de que para escrever um bom texto, além da coesão e da coerência,  é extremamente necessário fazer o planejamento a fim de mapear todas as áreas que precisam ser trabalhadas ou modificadas.

Perguntas básicas que precisam estar elencadas quando fizerem o  planejamento: qual o público que vai dialogar? Qual a linguagem mais adequada para esse público? Quais são os arranjos gramaticais que não podem  faltar?  Qual é o objetivo deste texto? O que realmente precisa ser mudado em sua comunidade? Seja familiar, escolar, política ou religiosa. As perguntas devem estar respondidas no texto com convicção a ponto de chamar a comunidade para pensar, dialogar a respeito de determinado fato ocorrido.  Observa-se e ressalta-se aqui a responsabilidade do educador de língua portuguesa ao trabalhar  gêneros discursivos – notadamente o da esfera jornalística –  dentro da sala de aula.

Portanto, compreendemos que um bom planejamento é a base para a competente produção de texto. Escrever bem é também saber fazer uso da gramática no texto. Um bom texto é fruto de muita leitura e conhecimentos linguísticos, gramaticais e conhecimento de mundo. O locutor precisa conhecer bem o público a fim de influenciá-lo no seu discurso. É possível convencer o leitor para mudar? A partir das ideias e dos pronunciamentos das autoras Squarisi e Salvador expostas no livro “A arte de escrever bem”, e a partir das reflexões abordadas em sala de aula,  acreditamos que sim, desde que o  discurso escrito no texto cumpra com os requisitos exigidos para uma boa produção textual.

No entanto, o texto exige clareza nas ideias expostas, coesão e coerência, linguagem clara e objetiva, evitando gírias e palavras estrangeiras, empregando elementos gramaticais corretamente, pontuação, acentuação, as classes das palavras, os substantivos, adjetivos, artigos, verbos,  entre outros. A escrita e a rescrita do texto e a produção final são objetos fundamentais para um bom texto.  Enfim, para o bolo ficar bom é preciso seguir o passo a passo da receita. Também é assim no ensino da Língua Portuguesa: existem várias receitas a serem seguidas, porém, quando o professor determinar o gênero discursivo a ser trabalhado ele precisa cumprir com os requisitos que o gênero exige que seja ensinado, ou seja, ele precisa seguir o passo a passo,  utilizando-se da sequência didática. Logo,  entre sabores e saberes, podemos dizer que o texto está pronto para ser degustado…

(A autora é acadêmica do curso de Letras da Unoesc Xanxerê. Texto elaborado sob a orientação da Profª Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset.)

 


Por: Patricia Silva

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