Ser ou estar professor: eis a questão!

3 de junho de 2016 16:11 | UNOESC na Comunidade
Ser ou estar professor: eis a questão!

Ana Paula Casal

 

Sabemos que a constituição nacional agrega direitos e deveres aos cidadãos e que somos regidos pelas leis que constituem esse documento. As constantes mudanças que ocorrem na sociedade mudam os pensamentos e as atitudes, mas as leis continuam iguais, exigindo do cidadão nova postura diante da sociedade, concretizados na ética profissional. Diferentes profissões são estabelecidas por meio de códigos de valores definidos, os quais trazem claramente a ética a ser seguida. E o professor, já possui código de ética? Não. Ele se constrói na medida em que os desafios chamam para a responsabilidade e colocam em prova a capacidade de lidarmos com as diferenças, no processo de construção da “chamada escola democrática”.

Dessa forma, deparamo-nos frequentemente com educadores sem perspectivas de trabalho, em consequência de conflitos escolares e da própria desvalorização da profissão. Mesmo assim, esse não deve ser o núcleo das  preocupações desses profissionais. Saídas individuais ou vontades particulares, não são a melhor alternativa para resolver os problemas da educação.  A existência de uma escola que contemple projetos coletivos, os quais funcionem de modo eficaz, necessita da articulação de pensamentos entre todos os sujeitos, objetivando qualificar o ensino e as relações.

Em consequência disso, o status, o comodismo, as necessidades, muitas vezes guiados pela paixão, fazendo as pessoas seguirem a carreira de professor, e acomodarem-se com o passar do tempo.  No entanto, o papel do profissional de educação não é simplesmente estar em sala de aula, mas ser um educador, considerando que as vantagens ou desvantagens não dependem da realização ou insatisfação de cada um: é o educando quem vai se beneficiar ou não dessa escolha.

Nesse sentido, o professor é antes de tudo um aprendiz, ele não só ensina, mas também aprende com os alunos. Segundo Paulo Freire, em carta para professores “[…] não existe ensinar sem aprender: o ato de ensinar exige a existência de quem ensina”. Desse modo, considera-se que o ensinar e o aprender andam juntos, pois quem ensina reconhece os conhecimentos a serem repassados e, diante disso, aprimoram seus estudos à medida em que surgem as curiosidades, dúvidas, incertezas, valorizando a vontade de aprender do aluno.

Contudo, partir do princípio de ter amor pela profissão e estar compromissado com a transformação, semeando ideais capazes de aguçar o senso crítico, a reflexão – sem dúvidas – é ser professor. O poder ser professor vai além das questões pedagógicas: é também a responsabilidade em desenvolver relações horizontais no meio educacional, criando vínculos e identidades, possibilitando ao educando assumir posições perante o mundo.

Na contramão, o estar professor consiste em algo não permanente, não por inteiro, não se dedicar com o propósito de fazer a diferença, não criar, não descobrir, o de estar sempre indisponível no tempo disponível. Estar professor talvez seja dar o mínimo, para quem espera o máximo, para quem acredita no trabalho do educador e o papel que ele representa na sociedade. Ao submeter-se ao papel de estar professor, corre-se o risco de conviver com olhares aflitos e inseguros das pessoas que buscam, na docência,  a esperança de sanar dúvidas e realçar as potencialidades.

Desse modo, torna-se necessário refletir acerca das atitudes dos educadores, especialmente em relação à ética profissional, a qual sempre visa ao bem comum, conciliados os interesses individuais aos sociais. Ela pode ser representada pelo educador por meio das relações com a escola e com a sociedade. Esta última, focaliza na responsabilidade de ajudar o educando a fazer parte do mundo, como sujeito ativo e atuante na/da história. O intuito maior é a defesa dos princípios, direitos e deveres e de formar indivíduos na sua integralidade.

Portanto, embasados nos ensinamentos de Paulo Freire, “A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe coloca no dever de se preparar, de se capacitar”. O fato de ser professor não significa ensinar sem competência, sem compromissos, sem objetivos. Acreditar na educação é antes de tudo ter um código de ética, e que não se pode exercê-la simplesmente por ser uma profissão. O que se espera do profissional da educação são atitudes, competências e habilidades que propiciem ao educando perceber que o mestre possui méritos e conhecimentos necessários para educar, e traz consigo seu próprio código de valores, demonstrando-o na prática docente, por meio da ética profissional.

(A autora é acadêmica do curso de Letras, da Unoesc Xanxerê. Texto elaborado sob a orientação da Profª Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset.)

 

 

 


Por: Patricia Silva

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