Sistema educacional brasileiro: a falha da atualidade que põe em risco o futuro

18 de agosto de 2016 08:28 | UNOESC na Comunidade
Sistema educacional brasileiro: a falha da atualidade que põe em risco o futuro

Angelika Tiecker

Dhiulya Pilonetto

 

 

Há muito conseguimos perceber a precariedade do sistema educacional brasileiro, com falhas entre as propostas filosóficas e metodológicas e a real concretização do que acontece no dia a dia em sala de aula. Ademais, os projetos criados para suprir as carências se mostram ineficazes; feitos, muitas vezes, apenas para mascarar as falhas e mostrar ao cenário internacional a boníssima educação implementada no Brasil, que, na realidade, é completamente carente e débil.

Analisando mais a fundo, deparamos-nos com uma formação docente-pedagógica insatisfatória e inadequada, formando profissionais inaptos a ministrar aulas e realizar a transferência de conhecimentos entre professor-aluno. Outrossim, os locais de ensino disponíveis para a educação pública estão depredados e em condições miseráveis, dificultando ainda mais a eficiência do aprendizado.

Não bastando a preocupação gerada pelos fatores acima citados, deparamo-nos, também, com pais desleixados que acreditam fielmente que “a educação vem da escola” quando, por legalidade, estes deveriam intervir e participar diariamente na formação intelectual, cultural e de caráter dos filhos. Situação essa que compromete não só o trabalho dos professores como, também, afeta consideravelmente a dedicação das crianças em buscar o conhecimento.

Sem incentivo e sem coerção, as crianças de classes mais carentes se veem, cara a cara, com a criminalidade e, muitas vezes, vão ao encontro direto desta já que, sem conhecimento, se torna o meio mais fácil de sobreviver. No fim dessa cadeia sucessória, encontramo-nos com a alta criminalidade praticada por menores infratores – que em 2015 alcançou uma porcentagem de 0,9% dos crimes cometidos no Brasil – e percebemos o quão a realidade brasileira está danificada por problemas causados primordialmente pelo sistema educacional falho que possuímos.

Evidentemente, os resultados dessas falhas viriam e, em 2012, além de o Brasil ganhar o título de sexta maior economia do planeta, foi arrebatado com um título triste e constrangedor: o 88º lugar em um ranking publicado plena Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Cabe salientar que, nesse mesmo ano, o país dedicou à Educação 4,7% do seu PIB (Produto Interno Bruto) total. Anos mais tarde, em 2015, o país conseguiu atingir um investimento na Educação de 5,7% do PIB, uma soma vultosa e que, infelizmente, não garantiu uma educação de qualidade. Diante disso, questiona-se: como um país que investe valores significatos na Educação, é beneficiado com lacunas gravíssimas e resultados de terceiro mundo? Nesse ponto, fica visível que o entrave é muito maior do que somente o que se ouve nas conversas debatidas num domingo à tarde entre vizinhos de partidos políticos distintos.

A má distribuição do orçamento, a carência na formação dos professores, o repasse de responsabilidade dos pais aos professores e destes ao governo, e todos os outros problemas gerados pelo descaso com a educação brasileira, não poderiam gerar outro reflexo senão o cenário atual vivido por todos e que compromete os dias futuros.

Visando a solucionar todas as falhas e tendo como pretensão a garantia de um futuro brilhante ao nosso país, é preciso em primeiro lugar que os pais tenham plena e total compreensão de que a responsabilidade em educar os filhos cabe única e exclusivamente aos próprios pais. Os professores, a direção do centro de ensino e todos os demais envolvidos, têm responsabilidade em possibilitar a obtenção de conhecimento e nada além disso. As questões básicas de obediência, de respeito, de discernimento entre agir corretamente ou não, a formação de caráter, vêm de casa, vêm do seio familiar. É inadmissível que os pais, agentes principais, joguem a responsabilidade a terceiros. Em segundo lugar, cabe à comunidade fiscalizar e supervisionar os investimentos locais em obras educacionais e buscar os resultados desses investimentos; isso porque, pessoa por pessoa, comunidade por comunidade, vistoriando em sua localidade, garante a alteração do meio em que vive, possibilitando, dessa maneira, que outras comunidades se espelhem e promovem  maior abrangência das mudanças. E, por fim, para que o governo consiga preencher as lacunas, é necessário que os projetos de investir 10% do PIB sejam priorizados ao aprimoramento da gestão educacional, melhoramentos da administração escolar, inovações no sistema educacional, tornando-o mais atrativo e prático às crianças e jovens, promovendo a interação e a digitalidade (vivida tão intensamente no século XXI).

Acima de tudo, é preciso que a população brasileira – incluímos aqui toda a população, independente do cargo que ocupe – tenha noção da importância da educação na formação de um país. Cabe a todas as pessoas que elas deixem de fazer parte dos 70% da população que não sabe o que o prefeito está fazendo para melhorar a qualidade de ensino, dos 99% de eleitores que não considera que as propostas de educação sejam determinantes na escolha do voto e dos 89% que não veem a educação como um principal problema do país[1].

Já passou a hora de o brasileiro entender que o veículo para um futuro digno, íntegro e valoroso e, também, reconhecimento internacional, é a educação, não o carnaval.

(As autoras são acadêmicas do curso de Direito da Unoesc Xanxerê. Texto elaborado sob a orientação da Profª Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset.)


 

[1] Dados obtidos em: Por que o Brasil está no 88º lugar no ranking mundial da Educação?, Jornal Zero Hora. Disponível em: <http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/precisamosderespostas/19,1430,3869663,Por-que-o-Brasil-esta-no-88-lugar-no-ranking-mundial-da-educacao.html>


Por: Patricia Silva

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