TEMA-REMA: REMA, REMA…

2 de maio de 2016 16:16 | UNOESC na Comunidade
TEMA-REMA: REMA, REMA…

Tatiane Ratkiewicz dos Santos

A obra O texto e a construção dos sentidos, da Ingedore Villaça Koch traz questões sobre produção de texto e a construção de sentido, comuns na escrita e na fala. Aborda ainda tematização e rematização, que são estratégias de construção do texto falado e escrito. Discute-se que a produção dos sentidos no texto depende das seleções significativas para as diversas articulações tema-rema possíveis (tema: segmento sobre o qual se predica algo; rema: comentário sobre o tema).

Para articulações do tema-rema é necessário haver segmentação sintática do enunciado, circunstância em que só locutor possa utilizar de forma estratégica a tematização e rematização no deslocamento do tema ou do rema. A função da tematização é evidenciar um elemento do enunciado, enquanto a rematização marca o elemento focal e geralmente ocorre com a anteposição do rema ao tema.

Por que se abordar este TEMA-REMA: REMA, REMA? Observa-se hoje a significativa dificuldade na articulação da produção textual entre discentes, acadêmicos usuários da escrita. Quando se fala em produção textual nas escolas e universidades é algo que traz significativo desconforto emocional.

Este desconforto é oriundo de não haver conhecimento aprofundado e domínio prévio de como ser abordada uma  primeira produção textual. Não tem a ver com falta de conhecimento, mas sim a difícil arte de saber articular gramaticalmente (ortografia, pontuação, morfossintaxe, semântica) os gêneros discursivos.

Sabe-se hoje que arte de escrever bem vem da prática LER, LER e LER. Mas,  a geração de hoje está ocupada mais com o mundo tecnológico e suas abreviações, que vêm crescendo avassaladoramente nos últimos anos. Percebe-se que em algumas produções textuais destinadas ao ensino fundamental, os discentes têm dificuldades em expor suas ideias com clareza na hora da produção, não conseguem fazer tessituras ou amarras de um parágrafo a outro: algumas vezes trazem ideias incompatíveis ao texto, não conseguem seguir uma linha cronológica ao texto produzido, fazendo de sua produção uma bela “colcha de retalhos.”

Em relação ao ensino médio, uma das maiores dificuldades são educandos que apresentam dificuldades de leitura, produção e interpretação de textos. Veem na   internet uma grande ferramenta para salvá-los: a arte de “copiar e colar” trabalhos prontos divulgados pelo meio de comunicação.  Tornam-se alunos funcionais, pois não possuem clareza de argumentação em um texto, assim, sua capacidade cognitiva fica comprometida. Quando são pegos em uma situação real de produção textual dentro das salas criam fobias e demonstram suas fragilidades na hora de elaborar um texto.

Já, no meio acadêmico, perdura uma dificuldade ainda maior. Ao adentrar ao mundo universitário, se veem uma série de problemas: falta de ideia, clareza, leitura, interpretação e produção textual. É neste mundo que o discente sente realmente a falta da internalização, ensinamentos passados pelos mestres de sua jornada escolar.

O REMA, REMA, REMA, remete aos problemas enfrentados por pessoas que passam pelo distanciamento do novo, vivem uma rotina funcional com a qual suas capacidades cognitivas ficam adormecidas e,  quando retornam ao esforço necessário para adquirir conhecimento, possuem obstáculos maiores e, por isso, REMAM, REMAM e REMAM para sair do comodismo.

O processo de aprendizagem parte do querer. Contudo, parte também do conhecimento e do domínio acerca da arte de produzir um bom texto. Partindo do conhecimento e do domínio, tema-rema traz um norte que auxilia na elaboração e clareza de ideias em uma produção textual. A utilização delas possibilita hierarquizar elementos linguísticos que, adequadamente empregados, colaboram para a coerência discursiva. Portanto, sabe-se que há grandes dificuldades para se produzir bons textos, mas, também,  deve-se procurar aprimorar os saberes, internalizar ao máximo o aprendizado. Sugere-se, para que as competências sejam desenvolvidas, que pais e professores incentivem a aquisição do hábito da leitura e o emprego da norma culta nas atividades da fala e da escrita.

(A autora é acadêmica do curso de Letras da Unoesc Xanxerê. Texto elaborado sob a orientação da Profª Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset.)

 

 

 

 


Por: Patricia Silva

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