Alcoólicos Anônimos: um caminho para a sobriedade

8 de novembro de 2018 14:17 | Comunidade , História , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Alcoólicos Anônimos: um caminho para a sobriedade Foto: Divulgação

A ideia de fazer um grupo Alcoólicos Anônimos (AA) autónomo surgiu inicialmente em Akron nos Estados Unidos da América, em 1935 quando Bill Wilson, um corretor da bolsa de Nova Iorque, e o Doutor Robert Holbrook Smith, um cirurgião de Ohio com um grave problema de alcoolismo, decidiram criar uma comunidade de entreajuda para apoiar os que sofrem deste problema e para se manterem eles próprios sóbrios. Essa ideia acabou se espalhado por todo o mundo.

O AA de Xanxerê, recebe frequentemente novos membros em busca da sobriedade, explica Ademir 2° (nome fictício), que frequenta o AA há mais de 32 anos. “O AA foi feito para todos, mas nem todos foram feitos para o AA”.

Ele explica que um dos maiores defeitos do ser humano é não admitir a derrota. “O alcoolismo é uma doença progressiva, irreversível e fatal, a única cura são as terapias de grupo do AA, nas segundas e sextas-feiras, mesmo que seja feriado, estamos lá reunidos. Por 30 anos convivi com o álcool, antes de procurar a ajuda do AA. Quem nunca ouviu a frase: ´é uma ótima pessoa, uma pena que bebe´. Porque o álcool muda as pessoas”.

O AA não é só para quem bebe, mas para pessoas com problemas psicológicos, para as horas difíceis. “Mas muitas pessoas ficam um tempo no AA e depois voltam para os velhos hábitos, porque acham que estão curados, mas não estão, precisamos constantemente dessas reuniões para ficarmos sóbrios e bem”.

A sede o AA é em Xanxerê, mas o grupo viaja para as cidades de Vargeão, Faxinal dos Guedes e São Domingos, Ponte Serrada, Seara, Xaxim e Abelardo Luz.

Com 16 anos, Ademir já estava convivendo com o álcool, por influência da família. “Você abre a geladeira e qual é a primeira coisa que aparece? uma lata de cerveja pra te recepcionar”. Para ele o que falta é a conscientização da população, do mal que essa bebida causa. O alcoolismo é um hábito. “As pessoas não conseguem fazer um churrasco sem tomar uma cerveja”.

Ademir explica que as pessoas que estão viciadas no álcool nunca admitem que perderam o controle. “A bebida é a doença da negação, a pessoa fala que bebe quando quer, que para quando quer, e que paga a conta com o próprio dinheiro. O porem é que as pessoas vão a falência, deixam de pagar tudo pra não dever no bar, e assim manter o vício”, explica.

O alcoólatra prejudica as pessoas que mais ama. “Quando você está em um bar com os amigos, paga um monte de cerveja, mas se está em casa e teu filho pede R$ 5,00 você dá R$ 2,00 e ainda pede o troco. O problema não é o último gole, mas sim o primeiro, porque quando começa não quer mais parar”.

Esses 32 anos no AA representam uma mudança na vida de Ademir, “Somos homens e mulheres unidos por um único objetivo, nos mantermos sóbrios e ajudar quem precisa”.

Ademir comenta que não tem como explicar tudo o que representa o AA. “Para compreender o AA a pessoa tem que ir lá, só indo na reunião para ver a mudança, o nosso remédio sai pela boca e entra pelo ouvido, nós alcoólicos somos todos iguais, só muda o endereço”, finaliza Ademir.

As reuniões do AA são realizadas em Xanxerê, no Centro Comunitário da Igreja Matriz, nas segundas-feiras e sextas-feiras, das 20h às 22h.


Por: Karina Ogliari

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