Após 30 anos dedicados à PM, policial aposentado destaca sentimento de dever cumprido

7 de novembro de 2018 10:01 | Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Após 30 anos dedicados à PM, policial aposentado destaca sentimento de dever cumprido Rudimar Kaiffer (Foto: Alessandra Bagattini/Lance Notícias)

Rudimar Kaiffer, de 51 anos, hoje é militar aposentado e dedicou 30 anos da sua vida à sociedade. Kaiffer, é natural de Xavantina, e por meio de familiares chegou à Polícia Militar. Dedicou boa parte da sua carreira aos trabalhos do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT). Inclusive, foi o primeiro de Xanxerê a conquistar a certificação necessária para atuar nessa área e concretizar a implementação do PPT no município.

“Eu vim para Xanxerê ainda criança e aos 18 anos, eu trabalhava como cromador numa empresa do município, e eu soube do curso que tinha em Chapecó, então eu fui. Fiz o teste, passei. O nível era segundo grau, fazia algumas perguntas, eram várias etapas. Depois vinha o físico e o psicológico. Fiz a escola em Chapecó, depois me deslocaram para Xanxerê, ainda onde era antigamente as instalações. Fiz a Operação Veraneio em 1989, voltei, depois fiz o curso especializado, em Florianópolis. Fui para a Força Nacional em Brasília, fazer o curso também e fui chamado para o Rio de Janeiro”, comenta.

No Rio de Janeiro, ele ficou pouco mais de um ano e logo voltou a Xanxerê. “Lá é terra de ninguém… Muito ruim, péssimo. A bandidagem tomou conta. Se for em área que não for tua lá, eles matam. Depois de um ano e meio voltei. Se ficar muito tempo lá, fica louco”.

Apesar da gratidão e o amor pela farda, Kaiffer frisa que o trabalho por muitas vezes é ingrato.

“Eu fui o primeiro no município de Xanxerê a fazer o curso para trabalhar no PPT, depois o pessoal foi para Chapecó fazer o curso também para compor uma guarnição e conseguimos implantar aqui. Primeiro era GRT, depois foi PPT. Passou 30 anos e me aposentei. O Sistema está cada vez mais difícil. Hoje trabalho no Ministério Público. Mas é um serviço muito ingrato, é como um casamento, quem está fora quer entrar e quem está dentro quer sair. Se você faz você paga, se não faz, paga também. O pessoal critica muito que com 50 anos está se aposentando, mas a vida de PM é difícil. Tem que ser padre, pai, mãe, psicólogo, a gente pega cada coisa, que também nos afeta, mesmo Xanxerê sendo uma cidade tão pequena”.

Questionado sobre um caso que tenha o marcado, ele relata vários, principalmente de bebês abandonados. “Encontrar crianças, fetos abandonados. Na minha época o policial era bombeiro, era agente carcerário, era tudo”.

Kaiffer finaliza dizendo que sente saudade, mas que leva consigo o sentimento de dever cumprido.

“Mas isso foi minha vida, sempre gostei, admiro muito. A gente sente saudade quando vê os colegas, mas tudo tem seu tempo: começo, meio e fim. Pergunto para os colegas como está a cidade e eles falam que está bom, então comento que precisam agradecer os velhinhos”, finaliza.

 


Por: Patricia Silva

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