Ciclista de Xanxerê conta como foi participar da prova de 1.200 km na França

27 de agosto de 2019 16:03 | Visualizações: 1627
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Ciclista de Xanxerê conta como foi participar da prova de 1.200 km na França Fotos: Arquivos Pessoais

Depois de meses de preparação no Brasil, o promotor de Justiça, Marcionei Mendes encarou o desafio de completar a prova mais antiga e conhecida no mundo do ciclismo. A competição ocorreu na França, na última semana, e reuniu mais de seis mil competidores.

Foram quatro dias de prova, sendo que Marcionei conseguiu concluí-la após 88 horas – o tempo limite era 90. O trajeto na França é chamado Paris-Brest-Paris, totalizando 1.219 quilômetros com uma altimetria de 12 mil metros.

Em entrevista ao Lance Notícias, Marcionei contou parte dos desafios que enfrentou durante o trajeto. Ele fez uso de várias estratégias uma delas foi pedalar a noite, isso devido as altas temperaturas

– Depois que consegui me inscrever, começou a loucura de me preparar para esta prova. Eram seis dias por semana de treino. Eu vivi para o ciclismo e para meu trabalho. Eu fui preparado para a prova, mas não fui preparado para a atmosfera que ia ter nessa prova. Foram participar da prova 6.673 pessoas, que começaram a sair às 5h e a cada 15 minutos saia 300 participantes. Eu sai às 18h45 do dia 18. A saída foi dentro de um parque muito bonito. O legal era que por onde nós passávamos, as pessoas estavam na beira das estradas nos incentivando. Eram palavras de incentivo e muitas palmas. Tinha uma intensidade, que aparentava ser meus familiares. Eu não tinha noção da paixão desse povo pelo ciclismo. Isso ocorria o dia todo. Peguei uma variação de temperatura de 3ºC e 38ºC. Eu passava pelas madrugadas e as pessoas estavam sentadas na beira da estrada, com cobertor e torcendo pelos ciclistas – conta.

Além da emoção de participar da prova, Marcionei guarda consigo as lembranças. Isso porque a alegria da população que torcia por todos os participantes é algo que ele guardará para sempre em sua memória.

– Chega uma parte da prova em que você está tão cansado que você começa a pedalar em prol daquele povo. Eu nunca na minha vida, com 47 anos, fui tão incentivado e admirado por uma coisa que eu faço, que é andar de bicicleta, pedalar. Nós chegamos na cidade com status de astro. As pessoas colocavam as mãos para os competidores bater – detalha.

Outro fato que Marcionei recorda é no momento que precisou parar para pedir água.

– Eu estava com duas garrafas, quando eu passei e pedi por água e as pessoas que ali estavam se movimentaram como um todo e arrumaram para mim. Eu dormi em um ponto de ônibus, ao lado de dois homens. São coisas que levarei para vida toda. Quando eu estava muito cansado, passou alguns franceses, onde aproveitei para pegar roda. Eles pedalavam muito bem e depois disso me renovei, busquei mais forças para continuar. No meio do caminho ainda prestei ajuda para uns indianos que depois foram me agradecer – frisa.

Para conseguir pedalar na maior prova de ciclismo do mundo, e mais antiga, Marcionei precisou conquistar outras medalhas no Brasil, sendo que a última foi o Audax 600, ou seja, 600 quilômetros de muitas pedaladas.

– Vou levar tudo para a vida toda. Cada segundo, minuto e horas. Muito aprendizado e pretendo participar novamente – conclui o competidor.


Por: Alessandra Bagattini

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