Coletivo Janete Cassol emite nota a respeito do julgamento de Indiamara de Moura

28 de fevereiro de 2019 16:24 | Visualizações: 760
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Coletivo Janete Cassol emite nota a respeito do julgamento de Indiamara de Moura Foto: Alessandra Bagattini/Lance Notícias

Na quarta-feira (27) aconteceu em Xanxerê o júri popular da morte de Indiamara de Moura. O acusado foi condenado a 18 anos e oito meses de prisão em regime fechado.

Diante do resultado, o Coletivo Janete Cassol, de Xanxerê, emitiu uma nota sobre o ocorrido. Confira:

Dia 27/02, mais de 10 horas de julgamento, e o assassino de Indiamara de Moura, Nain Dewites finalmente é condenado a 18 anos e 8 meses de prisão em regime fechado pelo crime de feminicídio triplamente qualificado.

O caso ocorreu em março de 2018, e o Coletivo Janete Cassol vem acompanhando tudo, realizando atos, notas de repúdio, falas em diversos espaços, para que ninguém esqueça o que ocorreu naquele dia, a morte de uma jovem de 22 anos, que sonhava ser enfermeira.

Em respeito a família, no dia de ontem ficamos à disposição, para dar total apoio caso fosse necessário, preferindo não nos manifestar até que o julgamento ocorresse.

Acompanhamos tudo, e os detalhes sórdidos demonstram o quanto estamos atrasados no que se refere ao machismo institucional. Não bastou acabar com a vida dela naquele fatídico dia, tentaram acabar com a sua moral. Sim, ela sofreu uma grande violência mesmo após a sua morte.

Tentaram desqualificar a sua vida. Não era uma defesa como qualquer outra. Ofenderam, culparam sua família ao longo de todo julgamento. Eles sabiam que ele seria condenado, mas para aliviar sua pena, falavam a todo momento que Indiamara e sua família criaram um monstro, que ela era culpada de tudo, que privaram ele da paternidade, (mesmo ele tendo passado um final de semana antes da morte da Indi com a filha, como vinha fazendo conforme decisão do juiz, aos domingos).

Vieram à tona imagens e falas constrangedoras da filha, que já vivia em um transtorno psicológico muito grande por medo e por estar envolvida nessa situação toda de violência e tentativa de se separar… Usaram essa criança, que nesse momento chora a ausência da mãe, porque o pai não poupou sua vida. Foram mais de sete golpes de faca, e parte de seu intestino ficou a mostra, a mãe da filha que ele diz tanto amar, agonizou até a morte…

Definitivamente ela não quis esse casamento, e demorou oito anos para tentar se libertar, ele não permitiu que ela fosse feliz novamente…

Ah, e se não bastasse, a defesa tentou desqualificar o feminicídio, alegando que gera desigualdade. (É sério isso?)

O dia de ontem ficará marcado. O conselho de sentença decidiu com responsabilidade que ele deve pagar pelo assassinato de Indiamara. E em um momento tão difícil, de tanta dor, as falas dos nossos promotores Ana Cristina Boni e Cassio Marroco, confortaram nossos corações. Há de se acreditar que há seres humanos espetaculares, de muita sensibilidade à frente de nossa promotoria. Agora a pergunta que não quer calar. Quem matou Terezinha Luiz dos Santos? Vamos aos próximos capítulos”.


Por: Patricia Silva

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