Coletivo Janete Cassol publica nota de repúdio quanto ao crime contra mulher registrado na segunda-feira (19)

20 de fevereiro de 2018 09:37
Comunidade , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp

O Coletivo Janete Cassol atua na cidade de Xanxerê desde o mês de maio e 2017. Tendo como principal objetivo conscientizar sobre a violência contra a mulher e encorajar para que crimes como esse venham à tona, os membros do Coletivo trabalham com ações junto a comunidade, principalmente com mulheres.

Diante do fato ocorrido no fim da tarde da segunda-feira (19), quando o corpo de uma mulher foi encontrado em meio a uma área de mata, o Coletivo publicou em suas redes sociais uma nota de repúdio ao crime. A moça foi encontrada completamente nua, com um ferimento no pescoço e parte de seu rosto e cabelos carbonizados. Encontravam-se junto ao corpo alguns documentos, que também foram queimados e roupas íntimas, que possivelmente pertenciam a vítima.

“Nosso trabalho enquanto Coletivo, é para encorajar mulheres, acolhe-las. Mas, muitas delas não tem uma segunda chance como essa jovem. E aqui fazemos referência aos homens e mulheres que reproduzem o machismo. Ele mata e a prova disso é mais uma mulher que não pôde se defender diante de tamanha crueldade, de outras tantas mulheres que diariamente sofrem diversos tipos de violência, que se calam por medo, por insegurança. Não importa a roupa que ela veste, o horário, ou aonde ela estava, ela é vítima e isso precisar ficar claro para a sociedade. Para as mulheres e homens também que como nós sonham com igualdade e justiça, se unam a nossa luta, não vamos mais nos calar. Precisamos nos desconstruir juntas e juntos e ter consciência que devemos nos respeitar, e não permitir mais que calem a voz dessas mulheres, lutar para que tenhamos políticas públicas efetivas, que a estrutura social seja garantida, que tenhamos mais amor e nenhuma a menos” declara o Coletivo.

Confira a nota de repúdio publicada pelo Coletivo:

NOTA DE REPÚDIO AO CRIME CONTRA MULHER REGISTRADO NO DIA 19/02/2018 NA CIDADE DE XANXERÊ

30 anos depois e a cena se repete. Com requintes de crueldade, humilhação, em condição desumana. Mais uma mulher dentre tantas que todos os dias são privadas de viver e de conviver pela intolerância, pelo machismo..

Em meio a um matagal, no Centro da cidade, numa rua pouco iluminada, encontrada mulher, com perfurações no pescoço e parte da cabeça e dos cabelos queimados, suas roupas íntimas e documentos queimados também no local.

Desrespeito, tratamento discriminatório, desigualdade… A violência contra a mulher é uma violação dos direitos humanos e elencando, dentre outras formas de violência doméstica e familiar, física, psicológica, sexual, patrimonial, moral até chegar a morte.

Apesar das reivindicações, luta que estamos travando diariamente enquanto Coletivo, dos avanços no que se refere a igualdade entre homens e mulheres, o patriarcalismo e o machismo continuam enraizados na estrutura social do nosso povo. A mulher ainda sofre pela falta de valorização social, econômica, política e identitária. E nós vamos permitir isso até quando?

Contabiliza-se que uma mulher morre a cada hora no Brasil. Quase metade desses homicídios são dolosos praticados em violência doméstica ou familiar por meio do uso de armas de fogo, números que coloca o país em 5º lugar no ranking mundial nesse tipo de crime e o Oeste como a região mais violenta em Santa Catarina..

Temos consciência de que muitos homens estão lutando ao nosso lado, e nós mulheres precisamos sim evitar a reprodução do machismo, ele agride, ele mata..

Mulheres, homens, uni–vos pelo fim das violências. Chega de desamor, intolerância, desrespeito. Ocupem os espaços que são seus de direito, e vamos a luta por nenhuma a menos.

#JANETE PRESENTE”

Acompanhe as atividades do Coletivo através da Página no Facebook.


Por: Alessandra Oliveira

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