Crise no setor de hemodiálise acomete atendimentos em Xanxerê

Dia D da Diálise busca chamar atenção para a crise no setor

28 de agosto de 2018 18:24 | Comunidade , Lance Notícias , Saúde , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Crise no setor de hemodiálise acomete atendimentos em Xanxerê Fotos: Alessandra Bagattini/Lance Notícias

A falta crônica de financiamento adequado para a diálise no Brasil vem provocando uma grave crise no setor, afetando principalmente o acesso dos pacientes ao tratamento. Houve o quase desaparecimento da diálise peritoneal como alternativa de tratamento, além do aumento da quantidade de pacientes aguardando na fila para ter acesso ao seu tratamento ambulatorial de diálise, muitas vezes internados em hospitais públicos, ocupando vagas de pacientes agudos e recebendo um tratamento inadequado, face à cronicidade dos casos. Nos últimos anos, houve aumento de 71% no número de pacientes dependentes de diálise, enquanto o número de clínicas aumentou apenas 15%.

Para chamar a atenção da população geral para essa situação, a Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) e a Sociedade brasileira de Nefrologia (SBN) promoverá um Dia D da Diálise, como parte da campanha de valorização do setor “Vidas Importam: a diálise não pode parar”. A ação acontecerá neste dia 29 de agosto e será realizada simultaneamente em diversas cidades brasileiras.

O principal objetivo da data especial é criar uma movimentação nacional para alertar a população sobre a crise e buscar sensibilizar o governo para a necessidade de se buscar formas de aumentar os investimentos no setor da diálise.

A ação contempla também a Unidade de Terapia Renal de Xanxerê. De acordo com o nefrologista Maurício Rezende Gomes, a falta crônica de financiamento adequado para a diálise afeta também a clínica do município.

“As clínicas estão passando dificuldades e podem não conseguir manter esse tratamento, já que esta crise vem se agravando nos últimos anos. Se for calcular a parte de inflação, equipamentos, estamos entrando em uma crise com risco de fechar serviços. Está chegando em um ponto que muitos não vão aguentar. Essa realidade também é vivida em Xanxerê, já que a maioria dos pacientes são via Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, 95% dos pacientes que realizam tratamento dependem do SUS que vem defasando e muito esses valores”, explica.

Atualmente, a Unidade de Terapia Renal de Xanxerê realiza tratamento em 60 pessoas, sendo que a Unidade abrange todos os municípios da região da Amai.

Ariberto Pavi de 43 anos, realiza o acompanhamento na clínica de Xanxerê, ele comenta que é por meio da hemodiálise que possui uma vida melhor.

“Eu descobri esse ano, em abril. Comecei a me sentir meio mal e vi que meus dois rins tinham parado. Desde então estou realizando tratamentos. Eu também peguei uma bactéria e precisei trocar a válvula do coração. Daí agora estou me recuperando bem e estou fazendo as hemodiálises e sem dúvida isso me ajuda a ter uma vida melhor. Isso não pode parar. Se não tivesse, eu não saberia o que fazer”.

O xanxerense Sérgio Ricardo Mendes, de 55 anos, também frisa a importância da realização do tratamento. “Estou desde dezembro de 2017. Eu descobri a situação fazendo uns exames e percebendo o inchaço nas pernas. Ai vim na clínica e foi constatado. Hoje a hemodiálise é muito importante. Está aqui em Xanxerê, de fácil acesso, é muito importante, pois viabiliza uma oportunidade maior de vida”.

Terezinha de 63 anos, moradora de Xanxerê, frisa que a hemodiálise é uma segunda chance de vida. “Eu descobri a doença aqui mesmo. Fiquei no ambulatório por seis anos, e daí eu não queria fazer a hemodiálise, mas quando não deu mais eu comecei a fazer. A hemodiálise é minha segunda chance de vida, se acabar como vamos ficar?”.

Custos operacionais

Atualmente, os custos operacionais com insumos importados e pessoal especializado estão impedindo as clínicas de investirem em expansão e novas tecnologias. De acordo com a assessoria da associação, apesar da baixa remuneração da tabela SUS, o Ministério da Saúde paga em dia para os fundos estaduais e municipais de saúde repassarem o recurso às clínicas, porém as secretarias, sem justificativa, retém o repasse por mais de 30 dias. Por conta disso, foi criada a campanha de valorização: “Vidas importam, a diálise não pode parar”. São mais de 120 mil pacientes renais crônicos que fazem diálise em 750 clínicas espalhadas pelo país e que dependem deste tratamento para manter uma vida próxima do normal.

 

Com informações Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante


Por: Alessandra Bagattini

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