“Dar o filho para adoção também é um ato de amor”, diz psicóloga

7 de julho de 2016 15:50
Comunidade , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
 “Dar o filho para adoção também é um ato de amor”, diz psicóloga Psicóloga explica processo de adoção (Foto: Divulgação)

Amor com certeza define a ação de adotar um filho. Seja recém-nascido ou já adolescente será um novo membro e passará a integrar uma família com todos os atributos que se tem direito. Mas, ainda existe muito preconceito em volta da adoção, como explica a psicóloga que acompanha o processo de adoção em Xanxerê, Karine Preto.

“Nós precisamos desmistificar a ideia de que é pior doar um filho mesmo não tendo condições de criar. Hoje a sociedade “apedreja” mais a mãe que dá o filho para adoção do que aquela que aborta. Doar um filho é sim um ato de amor, se eu como mãe não tenho condições de dar tudo que um filho merece e precisa o melhor a fazer é doar”, explica.

Karine explica ainda que em Xanxerê há 12 crianças até 12 anos em processo de destituição, ou seja, estão em acolhimento e passa pelo processo de retirada dos pais biológicos. Este processo dura mais de um ano, para que não se tenha dúvidas de que o melhor para aquela criança é ir para o sistema de adoção. Já adolescentes, são oito.

Das crianças, apenas três meninas já foram destituídas e estão disponíveis para adoção, mas o processo delas não é simples já que elas são irmãs e devem ser adotadas juntas, “destes 12, apenas 3 estão aptas a adoção que são 3 irmãs, uma de dez, uma de oito e outra de quatro anos. Quando uma criança de Xanxerê está disponível para adoção, então o perfil dela é conferido com o perfil dos adotantes de Xanxerê, se não encaixar abre para o Estado, se não dá, abre para o país e se também não dá abre para o exterior. No caso destas três irmãs, não há adotantes compatíveis em Xanxerê, nem no Estado, então agora o perfil delas será comparado com outros estados”, salienta.

Detalhes do cadastro

O que leva um casal a adotar uma ou mais crianças são inúmeros, mas para isso é necessário fazer parte do cadastro nacional de adoção. Este é um dos momentos mais importantes pois cada item pode interferir diretamente no tempo em que o casal deverá ficar na fila.

“ Alguns aceitam crianças mais velhas, mas não com irmãos, aceitam com irmãos mais não com doenças não tratáveis, os itens que impedem que as crianças tenham uma nova família são imensos. Cada detalhe que os pais colocam no cadastro interfere e faz com que a adoção demore mais”, detalha.

O tempo em que os pais ficam na fila de espera varia de caso para caso: “Em Xanxerê nós temos pais que estão aguardando há mais de três anos. Não há uma data exata, tudo varia de acordo com o número de crianças e com o perfil, claro. Mas, também há pais que dentro de seis meses já estão com os filhos em casa”, diz.

Para auxiliar os futuros papais nessa mudança de rotina Xanxerê conta com um grupo de apoio de pais adotantes, nos encontros os desafios, as novidades e as dúvidas são debatidas, “o grupo é fundamental, nele os pais tiram todas as suas dúvidas, trocam experiências, por que uma criança adotada, como também um filho biológico vem com todas as suas particularidades. Em Xanxerê já aconteceu casos de pais que adotam e depois de um tempo devolvem as crianças isso acaba com o conceito de família de uma criança, é isso que buscamos evitar ao máximo, costumamos dizer que não é um filho buscando uma família, mas uma família buscando um filho”, finaliza.

 

 

 


Por: Patricia Silva

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