Dia Nacional da Adoção: é necessário falar sobre adoção tardia

25 de maio de 2017 13:42
Comunidade , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Dia Nacional da Adoção: é necessário falar sobre adoção tardia Foto: CNJ

 

No dia 25 de maio é comemorado o Dia Nacional da Adoção. A data foi criada em 1996 no I Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção. Xanxerê também conta com um grupo de estudo e apoio a adoção. Mais que um ato de amor, a adoção de uma criança envolve uma série de processos e uma conta que não fecha: são muitos pais querendo crianças recém-nascidas e muitas crianças com idade mais avançada precisando ser adotada.

A adoção é considerada tardia quando ocorre envolvendo crianças com idade superior a dois anos. Porém, crianças de até três anos conseguem com maior facilidade colocação nas famílias brasileiras. A partir dessa idade que a adoção se torna mais difícil, sendo necessária para parte das crianças a adoção por estrangeiros ou a permanência em instituições de acolhimento.

Segundo a psicóloga Karine Ferronato Pretto, que acompanha o grupo de estudo e apoio a adoção de Xanxerê, no contexto social brasileiro existe um perfil de crianças consideradas difíceis de serem adotadas.

“Grupos de irmãos, negras, maiores de três anos de idade, que possuem alguma deficiência, ou portadoras de histórico de problemas médicos biológicos e que sofrem abandonos em série. Estes abandonos podem ser por parte da família biológica, do estado e da sociedade que ainda não compreendeu o conceito de inclusão da criança em família substituta”, explica.

A psicóloga ainda lista alguns preconceitos sobre adoção tardia:

– A dificuldade de criação de vínculos afetivos em decorrência do histórico de abandono e rejeição já vividos pela criança;

– O mito que o desejo da criança de conhecer a família biológica seja intensificado a tal ponto que prejudique o relacionamento com a família adotiva;

– A ideia de que há uma longa fila de espera e extensa burocracia para que possa se concretizar a adoção.

“A adoção é um tema que merece estudo e cuidado para ser tratado, pois envolve particularidades do indivíduo e da sociedade, como a rejeição, a existência e a reestruturação de novos esquemas familiares”, salienta.

 

Adotantes precisam ter paciência e sensibilidade

Os sentidos de filiação por adoção trazem particularidades não presentes na filiação biológica, e na adoção tardia esse processo é ainda mais complexo, pois o estágio de desenvolvimento da criança possibilita a ela se posicionar no processo interativo de forma mais ativa do que um bebê.  Esse processo exige paciência, perseverança e sensibilidade por parte dos adotantes para responder as necessidades da criança.

Para o sucesso da adoção é necessário um comportamento transparente e aberto entre os membros familiares, dessa forma os vínculos emocionais e sociais se constituem e são mantidos. Cabe ressaltar a importância dos acompanhamentos psicossociais de pré e pós-adoção, no sentido de se discutir com os candidatos à adoção questões relativas à parentalidade adotiva e, feita a adoção, favorecer o envolvimento afetivo dos pais com a criança.

“ A situação de ser mãe ou pai traz inseguranças e dificuldades inerentes a estes papéis sociais, a tensão na filiação por adoção ou biológica é constitutiva das relações entre pais e filhos, o que reforça a certeza de que adoção é apenas um processo de constituição de uma família com filhos como outra qualquer”, finaliza a psicóloga.

Para marcar o dia de hoje, o grupo de estudo e apoio à adoção traz para Xanxerê uma palestra com o tema “A criança que será a sua filha”, com a participação da doutora em psicologia e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Lídia Weber. A palestra será realizada às 19h30min, na Unoesc, auditório do Bloco E.

 

Leia mais:

Dia Nacional da Adoção será marcado por palestra com o tema “A criança que será sua filha” em Xanxerê

 

 

 


Por: Patricia Silva

Deixe seu comentário

Saiba Mais