É necessário ter amor pelo que se faz, diz Claudir sobre sua caminhada como padre

9 de janeiro de 2019 15:20 | Comunidade , Oeste , região , Religião , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
É necessário ter amor pelo que se faz, diz Claudir sobre sua caminhada como padre

Filho de família religiosa do interior de Faxinal dos Guedes, o atual pároco da Igreja da Paróquia Senhor Bom Jesus da Coluna de Xanxerê, Claudir Meoti, de 37 anos, se interessou desde muito cedo pela missão da igreja.

– Meus pais sempre frequentavam a igreja, não só como participantes para celebrar a missa, mas como membros atuantes da igreja, auxiliando na evangelização e festividades. Eles sempre tinham a missão de manter viva na comunidade a oração pelas vocações presbiterais – pontua Claudir.

Assim, Claudir acabava sempre envolvido com projetos voltados à igreja, como catequese e grupo de jovens. Após concluir o ensino fundamental, Claudir mudou-se para a cidade, para estudar durante a noite e trabalhar durante o dia.

– Sempre foi uma luta para estudar, em função de morar no interior. Com 14 anos sai de casa para morar com uma família da cidade, assim conseguia estudar durante a noite e trabalhar em uma empresa de ônibus durante o dia. Na empresa eu trabalhava um pouco de tudo, só não dirigia porque era de menor – brinca.

Mais perto da igreja, Claudir aproveitou para se aproximar da equipe paroquial e do padre, que percebeu o interesse e vocação para o ministério que Claudir possuía.

– O pároco me incentivou para participar de encontros, seminários e estágios vocacionais. Terminando o ensino médio eu tive que tomar uma decisão, ficar com meu atual trabalho, o qual poderia ter uma ascensão, pois estava muito bem, ou largar tudo para seguir a missão de Deus. Acabei optando por seguir este chamado – frisa.

A família de Claudir sempre apoiou o jovem em suas decisões, o que sempre fez toda a diferença para o pároco.

– Antes de me mudar para a cidade de Chapecó, onde iniciaria os estudos de filosofia e teologia, o padre me questionou, se eu sabia qual era a realidade de desemprego e situações de miséria que poderia enfrentar, e que eu estava abrindo mão de uma vida estabilizada para ir ao seminário de padre, que poderia não dar certo – pontua.

Apesar da insegurança, Claudir fala que o chamado de Deus era maior que qualquer dúvida.

– Quando Deus te chama você pode espernear e correr, mas essa vontade acaba te alcançando. Assim pedi minha demissão, passei no vestibular e no início de fevereiro de 1999 ingressei no seminário – comemora.

 

 

De boia-fria para pároco

O seminário é o momento de decisão. São realizados diversos projetos sociais e trabalhos de boia-fria, buscando o auto sustento. O grupo de estudantes iniciou com nove membros, porém apenas três conseguiram a formação.

– Durante este processo é natural resultar algumas crises, que são normais e necessários para o amadurecimento e o crescimento. O momento da crise é para reflexão, não para decisão, em função das diversas emoções que não nos deixam raciocinar direito e é fundamental para o processo de formação – pontua.

Sete anos de estudo, entre filosofia e teologia, são quase definitivos para quem deseja seguir neste ramo.

– Como em toda vocação para o ser humano, ela é para sermos felizes, Deus nos chama para sermos felizes, por isso é necessário ter amor pelo que se faz. O grande bem é ser feliz naquilo que se vive e faz. Hoje tenho 13 anos de ordenado, e graças a Deus estou muito realizado e feliz, de minha fé e vocação – observa.

A missão do ministério não é diferente de outros chamados, e não o diferencia de outra pessoa, por isso se faz necessário a participação da população. No dia 31 de janeiro de 2016 Claudir se mudou para Xanxerê, onde permanece até hoje.

– Às vezes, percebo um certo receio das pessoas em conversar comigo ou me convidar para suas casas, e isso não deve acontecer, pois o padre está em comunhão com a sua igreja. O sentido da nossa vocação deve estar na vida comunitária, sem isso não tem sentido – frisa.

O padre está no momento do nascimento e na hora da morte com as famílias. Entre meio as pessoas e novos desafios para a evangelização.


Por: Karina Ogliari

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