Entre bagunças e ocorrências: conheça a história de Xanxerê, o cão-herói aposentado do 14º BBM

23 de agosto de 2018 13:41
Bombeiros , Comunidade , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Entre bagunças e ocorrências: conheça a história de Xanxerê, o cão-herói aposentado do 14º BBM Cão Xanxerê hoje (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

A carreira de um cão-bombeiro dura cerca de dez anos. Mas, para Xanxerê, esse tempo foi um pouco menor, durou cerca de seis anos, entre seu nascimento até a aposentadoria. Apesar de doenças e dificuldades, hoje Xanxerê está prestes a completar o seu 14º aniversário.

Xanxerê é um labrador e um dos primeiros cães-bombeiros da corporação de Xanxerê. Natural do município que carrega em seu nome, ele é filho do cão Avaí, que ficou conhecido em todo o país.

“Ele é filho do Avaí, primeiro cachorro nosso e que julgamos ser um grande cachorro. Ele tinha uma inteligência muito incrível. Estávamos iniciando na atividade, não tínhamos muito conhecimento, às vezes ensinávamos algo e depois precisávamos ‘deletar’ e colocar novas técnicas nele. Avaí sempre teve um resultado positivo, mas ele tinha um problema e só conseguimos um filhote dele: o Xanxerê”, conta o tutor do cão, tenente coronel Walter Parizotto.

Parizotto conta que os cinotécnicos estavam com uma expectativa muito boa na época, pois haviam acabado de voltar de um curso de formação com bombeiros colombianos e queriam aplicar as técnicas aprendidas.

“Em 2006 fui para Florianópolis fazer um curso, ele foi comigo, íamos juntos para as aulas. Ele tem muitas histórias. Ele ficava no centro de ensino, não tinha um local totalmente adequado e ele aprontou muitas coisas lá”.

Xanxerê foi certificado e participou de várias ocorrências como cão-herói, sendo decisivo no ano de 2008, no resgate de pessoas em meio as enchentes e deslizamentos que castigaram o litoral catarinense naquele ano.

Depois de alguns anos de trabalho, o cão começou a apresentar alguns sintomas e teve falhas em uma certificação e também em uma ocorrência de busca e resgate. Foi aí que recebeu o primeiro diagnóstico ruim: cardiopatia dilatada.

“Em uma ocasião de uma certificação ele falhou e isso nos deixou frustrados, de certa forma, mas vimos que tinha alguma coisa com ele. Depois, ele foi em uma ocorrência com o Borba, teve um esforço e desmaiou. Isso foi entre 2009 e 2010. Diante disso, fizemos um exame e descobrimos que ele tinha um problema cardíaco, cardiopatia dilatada, que faz o coração inchar demais e pressionar o pulmão, o que causa falta de oxigênio, por isso quando ele fazia muito esforço acontecia isso”, explica Parizotto.

Após isso, o labrador foi afastado dos treinamentos. A partir desse momento, Xanxerê começou a perder a visão e recebeu um segundo diagnóstico ruim: o cão-bombeiro estava com diabetes.

“Em 2011 percebemos que ele estava ficando cego. Ele fez mais exames, na cidade de Lages e foi diagnosticada diabetes, que é uma doença irreversível. E do problema cardíaco, o coração tinha crescido muito e ele veio com um diagnóstico de que teria poucos meses de vida. Como a vida de cachorro é breve, optei por deixa-lo viver da forma que ele gostava, sem privá-lo das coisas. Ele era louco por banana na época, eu deixava ele comer o quanto queria e ele está ai até hoje. Seis anos que ele recebeu esse diagnóstico fatídico e ainda está ai”.

Hoje, na sua vida de cão-herói aposentado, Xanxerê ainda auxilia na formação de novos cinotécnicos. Ele é usado durante os cursos, para que os bombeiros saibam lidar com o animal no período da velhice.

“Usamos ele durante os cursos, porque todas as pessoas se sentem atraídas pelo trabalho com filhotes, mas o trabalho com o cão idoso exige muito. Ele já não tem mais a percepção de onde vai ficar, ele dá muito trabalho. Preparamos o aluno para ver essa realidade, que eles vão receber um filhote, que vão ter esse trabalho e que terão de ter esse cuidado com ele a vida toda.  Nos cursos ele é uma figura, porque ele precisa ser carregado, precisa de muitos cuidados, às vezes acaba fazendo xixi no alojamento, então ele dá um trabalhão que é para os alunos sentirem isso”, explica.

Xanxerê se tornou cão escola e é cuidado e paparicado pelos alunos. “Na nossa estratégia de formação fizemos esse trabalho com os cães, observamos o jeito que eles cuidam dos cães, o jeito como tratam ele, para que possamos ver o perfil que queremos no profissional”.

Xanxerê tem uma geração de filhos, diversos que atuaram e atuam como cão-bombeiro, mas nenhum em Xanxerê. Dentre os que mais se destacaram está o cão Ice, que hoje atua no litoral catarinense. Agora, a Sol, bisneta de Xanxerê, está no quartel de Chapecó para ser treinada e seguir os passos do avô e bisavô dentro do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina.


Por: Alessandra Oliveira

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