Especialista em economia orienta como proceder com o dinheiro do FGTS

1 de agosto de 2019 14:15 | Visualizações: 927
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Especialista em economia orienta como proceder com o dinheiro do FGTS Foto: Divulgação

As novas regras para saques do FGTS deixaram muitos brasileiros com dúvidas. Sabe-se que o saque de R$ 500 inicia a partir de setembro tanto de contas ativas como inativas. Posterior a isso, a partir de 2020, inicia-se o saque-aniversário.

Para sanar algumas dúvidas com relação ao saque, o Lance Notícias conversou com um especialista em economia, Cristian Rafael Pelizza, que falou sobre as vantagens e desvantagens.

Conforme Cristian, a nova regra do FGTS possui duas vantagens em relação à regra atual. A primeira é a remuneração de 3% sendo paga integralmente ao trabalhador, enquanto na regra atual paga-se apenas 50% da remuneração. E a segunda é a possibilidade de saques anuais numa escala variável que depende do saldo total do FGTS que a pessoa possui.

– Com relação à remuneração de 3% ela ainda é baixa em relação à algumas alternativas que existem no mercado. Para se ter uma ideia, o centro da meta de inflação brasileira é de 4,5% ao ano, ou seja, se a inflação estiver no centro da meta o rendimento real do FGTS para o trabalhador é negativo, independendo da regra utilizada. Apesar disso, os 3% ao ano não diferem de maneira significativa do rendimento da poupança, o que significa que realizar os saques anuais para manter na poupança não é vantajoso. Algumas alternativas de investimento possuem risco baixo e remuneram melhor que a poupança e o FGTS, como os depósitos a prazo nos bancos (CDB), títulos públicos e letras de crédito agrícola ou imobiliário. Os títulos estarão sujeitos ao imposto de renda e outras tarifas bancárias, exceto o LCI e LCA que são isentos de imposto de renda. Vale destacar, no entanto, que ao aderir a essas classes de investimento a pessoa fica sujeita a uma menor liquidez, já que são títulos que, em geral, possuem prazos maiores até o vencimento. Com a tendência atual de queda nas taxas de juros, que seguem a taxa Selic, definida essa semana em 6% ao ano, é possível que o FGTS passe a render mais que a poupança, se mantida a taxa atual de retorno de 3% ao ano – explica o especialista.

Ainda conforme Cristian, não aconselha fazer saques com intuito de gastar com consumo ou reforçar os gastos familiares correntes.

– Ao fazer o resgate a única vantagem de aplicar na poupança e não no tesouro direto seria a liquidez, possibilidade de sacar o recurso quando bem entender. Os títulos do tesouro negociados hoje possuem vencimentos que vão de 2022 a 2050. Ou seja, para não haver riscos e o indivíduo fazer o resgate integral do valor do título mais os juros precisaria esperar até as datas citadas. Caso contrário, é possível vender o título no mercado secundário, estando sujeito às variações de mercado. De qualquer forma, não percebo vantagem, em termos de rendimento, em resgatar o FGTS para manter o dinheiro na poupança. É possível buscar outras alternativas de investimento. Quanto aos saques anuais, independente da faixa de renda ou saldo acumulado, é preciso estar atento a alguns aspectos. Não aconselho que sejam feitos saques com intuito de gastar com consumo ou reforçar os gastos familiares correntes. O FGTS funciona quase como um valor de seguro para o caso de a pessoa ser demitida sem justa causa. Ao fazer o saque anual, reduz-se o saldo e em caso de demissão os recursos se tornarão mais escassos. O único caso em que os saques podem ser úteis, exceto em caso de investimentos com melhor retorno, é para o pagamento de dívidas que possuem taxas de juros muito elevadas, como cartão de crédito ou cheque especial. Nesse caso, o ideal é quita o mais rápido possível, já que não se encontram alternativas de investimento no mercado que possuam retorno tão elevado – acrescenta.

Para concluir, o especialista ainda aconselha o trabalhador e buscar alternativas para investimentos.

– De maneira geral, meu conselho é evitar gastos com consumo e buscar alternativas de investimento. Para as pessoas que já conhecem o mercado financeiro e não necessitem de liquidez imediata os saques podem ser vantajosos, já que existem alternativas de investimento com rendimento maior que o FGTS. Para as pessoas que não possuem um bom conhecimento do mercado financeiro a melhor alternativa pode ser mesmo manter o saldo, obtendo retornos de 3%, já que a poupança não retorna muito mais e assim se mantem uma garantia maior em caso de desemprego – finaliza.


Por: Carol Debiasi

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