Estado é reconhecido pelo agroturismo

16 de abril de 2016 07:55
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Estado é reconhecido pelo agroturismo Foto: Acolhida na Colônia/Divulgação

“O SC Rural foi um divisor de águas para o agroturismo”. É assim que Dilmo Israel, agricultor familiar de Urubici, refere-se ao programa coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca. Durante o 6ª Seminário Estadual da Acolhida na Colônia, que aconteceu na terça-feira, 12. Em Florianópolis, os presentes puderam conhecer melhor as histórias dos beneficiários do SC Rural e como o agroturismo contribui para a melhoria na vida dos agricultores catarinenses.

O Programa SC Rural tem sido um grande apoiador do agroturismo. Só para os empreendimentos ligados à Acolhida na Colônia, o programa destinou R$ 5,2 milhões nos últimos anos. Os recursos alavancaram a atividade com ampliações e melhorias de instalações, compra de equipamentos e recuperação de estradas de acesso aos empreendimentos, entre outros benefícios. Para Dilmo Israel, que também é o presidente da recém-criada Federação Catarinense das Associações de Agroturismo Acolhida na Colônia, o SC Rural foi um importante parceiro para o fortalecimento do turismo em propriedades rurais no estado.

“A ação do Governo do Estado, através do SC Rural, foi um divisor de águas para nós. E eu falo isso em nome de Urubici e das demais associações da Acolhida na Colônia. Ele deu o aporte financeiro para fazermos investimentos que não teríamos condições de fazer. Com essa ajuda, os produtores conseguiram praticamente dobrar a capacidade de hospedagem e de atendimento. Isso, com certeza, mudou completamente a vida das famílias apoiadas pelo projeto”, afirmou.

A ideia de compartilhar com os turistas os conhecimentos e modo de vida dos agricultores catarinenses surgiu há 17 anos e, atualmente, já são 120 famílias em todo estado que encontram no agroturimo uma importante fonte de renda. O integrante da equipe técnica da Acolhida na Colônia de Santa Rosa de Lima, Sebastião Vanderlinde, revela números que atestam o crescimento do setor em Santa Catarina e a importância do SC Rural nessa jornada. “Se pensarmos em agroturismo na Acolhida na Colônia, eu diria que nós temos o antes do SC Rural e o depois do SC Rural. Temos aproximadamente 120 associados na Acolhida e, desses, 52 já acessaram recursos do programa ou vão acessar agora”, disse.

No município de Santa Rosa de Lima, o primeiro a ter um projeto apoiado pelo SC Rural, eram 50 leitos para receber turistas. Hoje, esse número dobrou. O mesmo acontece na Serra catarinense: se antes eram 45 leitos, agora são 85 quartos para visitantes.

Vanderlinde acredita que as melhorias vieram não só com os recursos do programa, mas também com o apoio para a organização da Acolhida da Colônia. “O SC Rural foi um salto de qualidade para a Acolhida na Colônia, foi motivo de organização, provocou um debate interno, obrigou o grupo a se organizar melhor. Como o recurso é acessado em grupos de pelo menos dez agricultores articulados, isso, necessariamente, exigiu debates, pensar a associação, fazer um plano de negócios e se capacitar. São várias ações, além dos recursos, que são muito importantes”, salientou Vanderlinde.

O agroturismo contribui também para a valorização do trabalho do homem do campo. O secretário da Agricultura e da Pesca, Moacir Sopelsa, ressalta que os turistas que visitam as propriedades rurais acabam conhecendo os costumes e as experiências dos agricultores e passam a valorizar o trabalho no meio rural. “São pessoas que nunca tiveram contato com a agricultura e que vivem uma experiência nova. Isso vale também para o agricultor que recebe pessoas interessadas no seu modo de vida. Com certeza, o agroturismo mexe com a autoestima dos produtores rurais e trazem um novo olhar para a vida das famílias”, diz Sopelsa.

O diretor de projetos especiais da Secretaria da Agricultura e da Pesca, Ditmar Zimath, afirma que o agroturismo e o SC Rural casam perfeitamente: “O Governo do Estado, com o Programa SC Rural, trabalha para tornar o ambiente rural e pesqueiro favorável a investimentos: atrativo, menos burocrático, com um Estado mais ágil e mais presente. E o SC Rural não é só um programa de produção agropecuária, é um programa de fomento a atividades no meio rural e pesqueiro. Por isso, o agroturismo teve um casamento perfeito com o Programa SC Rural”.

Ditmar Zimath também chama a atenção para a atividade de turismo por ela trazer toda uma nova dinâmica de desenvolvimento. “Você atrai pessoas de fora do município, de outras regiões, de outros estados e países para conhecer. E, ao mesmo tempo, cria outras oportunidades de negócios no entorno. Mesmo as propriedades que não têm envolvimento direto com o agroturismo têm a oportunidade de venda de artesanato, de produtos agropecuários e até a venda de outros serviços. Porque os turistas não vêm apenas para conhecer a produção da agricultura familiar. Muitas vezes eles querem atividades de lazer, com equipamentos de turismo, pesque e pague, parques aquáticos, passeios, rotas, trilhas… Isso traz oportunidades aos agricultores, para as comunidades e para os municípios”, afirmou..

Há seis anos participando da Acolhida na Colônia, a agricultora Luzia Cuzik, vê no agroturismo uma oportunidade para manter a família no meio rural: “O agroturismo representa hoje mais de 80% da renda na nossa propriedade. Mantemos a originalidade do projeto, que é hospedar em nossa casa. Recebemos o visitante como se fosse alguém da família, estabelecendo uma relação de confiança. Recebemos, em média, 80 hóspedes ao mês e já temos reservas até outubro do ano que vem”.

Agroturismo em Santa Catarina

O agroturismo surgiu como um novo nicho de agregação de renda para a agricultura familiar de Santa Catarina. A cofundadora da Associação Acolhida na Colônia de Santa Rosa de Lima, Thaíse Costa Guzzatti, explica que a maneira de receber e de hospedar turistas no âmbito da Acolhida na Colônia tem uma diferença fundamental do chamado turismo rural. “Nosso conceito é agroturismo: agricultura mais turismo. É o turismo vinculado à agricultura familiar. Enquanto o turismo rural refere-se a estabelecimentos rurais, no meio rural, mas não necessariamente é uma propriedade rural ativa. A gente gosta de fazer essa diferença, porque nós não temos um hotel no meio rural. Nós temos propriedades rurais que se abrem ao turismo de convivência”, informou.

O presidente da Federação Catarinense das Associações de Agroturismo Acolhida na Colônia, Dilmo Israel, destaca que o principal desafio para o crescimento do agroturismo é a falta de infraestrutura no meio rural. Entre as demandas dos agricultores que fazem parte da Acolhida na Colônia está a aprovação da Lei do Turismo Rural na Agricultura Familiar de Santa Catarina. “Em termos práticos, a lei vai nos dar a condição de tirar nota fiscal de produtor rural para serviços de turismo na agricultura familiar, tanto de hospedagem como de alimentação”, finaliza. (Assessoria de imprensa)


Por: Patricia Silva

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