“Eu amo esse país, o que sou devo a ele” diz argentina que trabalha em Xanxerê

3 de dezembro de 2018 14:11 | Comunidade , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
“Eu amo esse país, o que sou devo a ele” diz argentina que trabalha em Xanxerê (Foto: Alessandra Oliveira/Lance Notícias)

Desde 2002 Xanxerê se tornou a segunda terra natal da argentina Cristina Tessari, de 43 anos. Ela veio para cá no dia 24 de maio de 2002 para um estágio breve de três meses e já faz 16 anos que trabalha em Xanxerê, na clínica Via Imagem. Hoje, ela possui dupla cidadania, pois sua mãe é brasileira.

Ela é natural de Wanda, situada no estado de Missiones, distante cerca de 400 km de Xanxerê. Segundo Cristina, a intenção inicial era desenvolver sua profissão de radiologista na Espanha e só veio para o Brasil pois seu primo é sócio da clínica que a contratou e ele convenceu seus pais e ela que essa experiência seria válida para seu currículo.

– Fiquei três meses, renovei meu visto, fui para um congresso que gostei muito e tive uma proposta de emprego em Concórdia, pois fiz alguns dias de estágio lá também. Não aceitei a proposta, pois a intenção não era ficar. A clínica comprou um aparelho de raio x em outubro de 2002 e eu fui a primeira pessoa convidada a usá-lo, já fazia seis meses que estava estagiando. Antes de surgir essa proposta eu tinha falado para meu pai me buscar, pois queria voltar, mas conversei com ele, expliquei sobre a proposta, a parte burocrática dos documentos e ele me incentivou a ficar – conta.

De acordo com ela, por conta de seus avós maternos serem brasileiros, eram eles quem tinham mais orgulho de sua trajetória no país.

– Fui a única neta que vim para o país dos meus avós. Cresci um monte aqui, a clínica me deu todo o suporte desde o início. Vim sem falar o português, tem muitas histórias de coisas que aconteceram comigo naquela época, mas com o passar dos anos fui melhorando muito. Tive pessoas que me acolheram demais aqui, meus dois colegas, a Beti e o Laudair. Naquela época o filho deles tinha dois anos e meio e supriu a falta que eu sentia das minhas sobrinhas que eram pequenas quando vim para cá – destaca.

 

Momento marcante

Um momento que não sai da memória de Cristina e ela faz questão de contar para todos que conhece é de um episódio de quando estava realizando a parte burocrática dos documentos para obter a cidadania brasileira.

– Tem uma história que eu sempre conto e tenho orgulho dela. Quando fiz a revalida dos meus diplomas, é preciso fazer tudo no cartório. Me lembro que fui no cartório da dona Morena Bortoluzzi e eu tinha levado R$ 50 aquele dia e os documentos deram R$ 70, então disse para ela que ia buscar no outro dia, ela disse não, que eu podia levar, porque ela sabia que eu voltaria pagar. Isso ficou muito marcado para mim, porque eu não falava o português e ela teve muita confiança em mim. Ela foi muito legal comigo – lembra.

 

Principal desafio

Conforme Cristina, dentre os desafios de estar em um novo país, com uma cultura diferente, o maior deles foi com o idioma e um costume em especial lhe chamou a atenção. Segundo ela, havia o desafio de comunicação com os pacientes e, também, manusear os aparelhos.

– O principal desafio foi o idioma e os costumes. Uma coisa que me chamou muito a atenção quando cheguei aqui foi aqui, por exemplo, 18h, para a cidade e eu vim de uma cidade que era 24h, as coisas funcionavam por todo esse tempo e isso me surpreendeu muito. Mas o maior desafio foi o idioma. As duas primeiras semanas na clínica eu falava espanhol, depois fui aprendendo e tem coisas que sinto vergonha de falar, chamar um paciente, por exemplo, quando tenho dúvidas, pergunto. Isso vai ter sempre – destaca.

 

Amizade e saudades

Hoje, Cristina mora em Xaxim, pois teve a oportunidade de comprar sua casa no município, mas está todos os dias em Xanxerê. Ela conta que até hoje é difícil lidar com a saudade, mas que muitos amigos lhe ajudam com isso.

– Vim para cá sozinha e lidar com a distância da família é difícil até hoje. Você nota que está envelhecendo quando vê as crianças crescendo, que você deixou lá pequenas. Saudades de mãe e pai. Nos comunicamos muito, hoje por meio de WhatsApp, mas por telefone sempre conversamos. Tios, meus avós que hoje são falecidos e a cada dois ou três meses tento ir para lá. O tempo sempre curto, mas tento manter sempre esse contato com todo mundo. É difícil reunir a família, mas a gente sempre tenta, principalmente em datas especiais – conta.

Segundo ela, amigos e pacientes já a convidaram para visitas em suas casas e, também, para comemorar datas especiais juntos. Além disso, Cristina expressa sua gratidão e amor ao país.

– Tudo que sou hoje, devo ao Brasil, comprei casa, carro, tô fazendo outra graduação, abri minha empresa. A rivalidade que se tem entre Argentinos e brasileiros é só no futebol e não é comigo. Eu amo esse país, adoro as pessoas e a culinária, amo tudo aqui – conclui.


Por: Alessandra Oliveira

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