FAESC apoia portaria da Polícia Ambiental para controle de javalis

26 de julho de 2017 07:47
Agricultura , Comunidade Compartilhar no Whatsapp
FAESC apoia portaria da Polícia Ambiental para controle de javalis (Foto: Divulgação)

Atendendo apelo da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), o governo do Estado regulamentou a caça, captura e abate de javalis em território catarinense através de portaria publicada no Diário Oficial do Estado. Em decorrência, a Polícia Militar Ambiental estabeleceu o aplicativo “Ambiental SC” como o sistema para gestão e acompanhamento dessa atividade.

O aplicativo deve ser baixado no celular ou tablet. Nele, os caçadores se cadastram e recebem um código, que acompanhará o seu histórico.  A portaria ainda impõe diversas regras para a caça, como registro de porte de armas.

“O javali tornou-se um tormento para os produtores rurais porque destrói as plantações e ameaça a vida das pessoas que trabalham na área rural”, resumiu o presidente da FAESC José Zeferino Pedrozo. De acordo com o dirigente, a PM Ambiental visitará os Sindicatos Rurais das microrregiões onde a presença de javalis é mais intensa para orientação dos produtores. Nesses encontros também estará em pauta o combate à criminalidade no campo.

Esses animais exóticos formam populações fora de seu sistema e representam ameaças ao meio ambiente, causam enormes prejuízos à economia, à biodiversidade e aos ecossistemas naturais. As perdas econômicas decorrentes das invasões biológicas nas culturas, pastagens e nas áreas de florestas são imensas.

Pedrozo destacou que os perigos à saúde humana são elevados. Cita osresultados do estudo, que tem apoio da FAPESP, de autoria do professor Mauro Galetti do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, do seu doutorando Felipe Pedrosa, da bióloga Alexine Keuroghlian da Wildlife Conservation Society (Brasil) e do professor Ivan Sazima colaborador do Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pesquisa concluiu que a relação entre javalis e morcegos é muito preocupante.  A quantidade de morcegos-vampiros, que transmitem raiva e preocupam agropecuaristas, pode aumentar no Brasil e nas Américas por conta do crescimento das populações do javali.

Na Mata Atlântica (que inclui Santa Catarina), cerca de 1,4% dos morcegos- vampiros apresenta o vírus da raiva. A transmissão de raiva por vampiros é uma das maiores preocupações dos pecuaristas no Brasil, mesmo nas regiões onde o gado é vacinado. Mas animais selvagens, o que inclui os porcos ferais, não são vacinados, criando um potencial elevado de disseminação da doença.

Ferocidade

Por outro lado, os javaporcos aliam a ferocidade dos javalis com as dimensões e a fertilidade do porco doméstico, animal selecionado para fornecer mais carne e crias do que seu ancestral selvagem. Um javali macho adulto chega a 100 quilos. Um javaporco pode ter mais de 150 quilos e reproduz constantemente.

O Brasil enfrenta uma invasão de javalis e javaporcos sem precedentes na zona rural, com aumento de 500% desde 2007. Em 1989, javalis ferais no Uruguai começaram a cruzar a fronteira com o Rio Grande do Sul do Brasil. Foi o início da infestação que se alastrou para o território catarinense, atingindo as regiões da serra e do meio-oeste. Javalis e demais suídeos (porcos) em estado asselvajado são considerados uma das piores espécies exóticas do mundo, destacam os pesquisadores.

Os javaporcos andam em bandos, são agressivos e muito perigosos. Como o javali (e o javaporco) é considerado uma espécie nociva à fauna brasileira, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) liberou a caça ao animal em território nacional desde 2013. A FAESC alertou que o problema não se limita apenas a porcos. Os animais nativos que são mordidos por morcegos-vampiros, como antas, veados e capivaras, carregam a ameaça potencial de transmissão de outras doenças virais existentes nos javalis.

Assessoria de Imprensa MB Comunicação. 

O presidente da FAESC, José Zeferino Pedrozo, destaca que o animal representa uma ameaça no meio rural. (Foto: Divulgação)

 


Por: Alessandra Bagattini

Deixe seu comentário

Saiba Mais