Falta de diálogo na família é o maior impasse para doação de órgãos

21 de fevereiro de 2018 15:29
Comunidade , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Falta de diálogo na família é o maior impasse para doação de órgãos (Foto: Divulgação)

O estado de Santa Catarina lidera o ranking de doação de órgãos no Brasil há 13 anos. No ano de 2017 o estado superou os índices de doação de órgãos para transplantes. Em todo o estado foram registrados 282 doadores de múltiplos órgãos, o que representa que 67% dos familiares abordados autorizaram a doação. Esse dado coloca Santa Catarina entre os melhores do mundo em doações de órgãos. Esse número é três vezes maior que a média nacional comparando o número de habitantes.

Foram realizados durante o ano passado 1.217 transplantes no estado e mesmo assim no mês de dezembro a fila para transplante em Santa Catarina era de 559 pacientes.  No último ano em Xanxerê, foram nove doações efetivadas em 18 abordagens, resultando em 50% de respostas positivas. Dessas, duas doações de múltiplos órgãos e o restante doações de tecidos. No hospital de Xanxerê, por ser um centro de referência cardíaca, é mais comum a captação de tecidos, principalmente o ocular.

Segundo a gerente de enfermagem e coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do Hospital Regional São Paulo, Maryellen Cazeraghi, o papel dessas comissões em todo o estado é fazer a busca de pacientes que são potenciais doadores e abordar as famílias.

A coordenadora comenta que ainda a maior dificuldade enfrentada por eles na hora da abordagem a família é a falta de diálogo em vida. Muitas vezes por não saber a vontade de seu familiar a família se vê em um empasse quando é abordada. Por conta disso a comissão busca sempre realizar atividades de conscientização junto a sociedade.

“O objetivo é conscientizar as pessoas a pensar na causa da doação para que sejam doadores, mas também se esse não for o desejo, que essa vontade seja respeitada. Por isso realizamos esse trabalho com as famílias de mostrar a importância dessa conversa em casa, de deixar claro o seu desejo” explica.

A doação de órgãos proporciona aos pacientes que estão na fila de espera uma vida nova. Isso porque, dependendo do órgão ao qual ele aguarda, sua qualidade de vida fica muito diminuída e suas atividades restritas.

São doadores em potencial pacientes que apresentam morte encefálica, sendo doadores de múltiplos órgãos ou parada cardíaca, podendo doar apenas tecidos. Ademais, várias análises e exames são feitos para classificar o paciente como sendo apto a doar os órgãos para que posteriormente não haja nenhum risco de infecção ao possível receptor.


Por: Alessandra Oliveira

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