“Foi uma sensação de morte” relata policial após sete anos quando teve seu corpo queimado

26 de julho de 2019 11:37 | Visualizações: 1817
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“Foi uma sensação de morte” relata policial após sete anos quando teve seu corpo queimado Foto: Divulgação

Sete anos se passaram desde que o policial militar Valmir Bressan Carmago teve seu corpo incendiado em uma ocorrência durante a operação veraneio. Na noite do dia 2 de janeiro de 2012, por volta das 20 horas, ele, juntamente com outra policial recebeu o chamado de que um homem havia danificado os caixas eletrônicos da agência do Banco do Brasil no município de Abelardo Luz. Foi então que o inesperado aconteceu.

Na tentativa de impedir a ação do homem que estava sozinho dentro da agência bancária, Camargo foi se aproximando e, não percebendo gasolina espalhada pelo chão, tentou imobilizá-lo e acabaram caindo, molhando sua farda. Foi nesse momento que o homem ateou fogo no local e ocasionou a explosão.

– Na imobilização a gente caiu, ele acionou o isqueiro e ocorreu a explosão devido os gases que formam desse combustível. Foi um momento bem difícil e pensei naquela hora que tinha partido para outra, foi uma sensação de morte. Depois de passar por isso eu vi a soldado Viviane quebrar o vidro com disparados, foi quando eu consegui sair do local – relata.

Camargo esteve todo o momento consciente e lembra da sua companheira de farda gritar para que se rolasse. Algumas pessoas que presenciaram o fato usaram extintores para conter as chamas, foi quando uma guarnição do PPT chegou ao local e conseguiu retirar toda a farda.

– Quando tiraram a minha farda eu senti um alívio. Foi quando alguns cidadãos me carregaram em um veículo e me levaram para o hospital local onde recebi os primeiros atendimentos. Lembro que me tocavam e saia pedaços da minha pele, uma sensação de desconforto, mas a sede superava a dor – conta.

Com o auxílio do Corpo de Bombeiros, Camargo foi transferido para o Hospital Regional São Paulo, e somente pode usar o leito da UTI quando o homem que ateou fogo acabou indo a óbito.

– Como a gravidade do rapaz era maior, ele usou o leito. Assim que ele morreu, nós demos entrada por volta da 1h na UTI. No dia seguinte, por meio da Polícia Militar, fui levado por um helicóptero para Joinville, onde iniciei o tratamento em um hospital especializado em queimaduras – lembra.

Foram seis meses de muita paciência até que todas as feridas do corpo cicatrizassem. Camargo teve 55% do corpo queimado, inclusive com queimaduras de terceiro grau, o que levou a realizar o procedimento de enxerto. Ele relembra que amigos da farda o visitaram no hospital e sua família acompanhou durante todo o tratamento. Seu retorno a Xanxerê foi no dia 3 de julho, quando foi recebido com aplausos pelos policiais militares, amigos, familiares e imprensa local e regional.

Foto: Rede Princesa

– Eu voltei com a aeronave da Polícia Militar e fui recebido por muitos amigos da farda, familiares, imprensa local, foi uma satisfação muito grande ser recebido na cidade que eu amo. Demorou um ano para voltar a ter uma vida normal e desde então os tratamentos seguem porque os tecidos queimados retraem e tem que estar sempre alongando para que eu não perca o movimento e atrofie. Minha vida mudou depois do acidente, não posso pegar sol, não posso expor a qualquer produto, a minha pele ficou sensível e hoje me dedico a família – conta.

Apesar de não poder retornar ao trabalho diário da rotina policial, Camargo deixa uma mensagem aos seus colegas de farda para que não deixem de cumprir com o juramento: atender as pessoas mesmo com o risco da própria vida.

– Não me arrependo de nada do que fiz e que a melhor coisa que tem é estar com a consciência tranquila, de que cumpriu ou tentou cumprir o seu dever. Sempre busquei o melhor para a sociedade na segurança pública e eu acho que todo policial tem esse papel. Me orgulho de cada policial que trabalha na labuta e a gente sabe o quanto é difícil. E o conselho que dou é que se preparem, porque de tudo isso se colhe bons frutos e que sejam felizes na sua profissão – finaliza.

Foto: Divulgação


Por: Carol Debiasi

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