Há mais de uma década não há neurologista no Hospital de Xanxerê

27 de julho de 2019 08:11 | Visualizações: 7051
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Há mais de uma década não há neurologista no Hospital de Xanxerê Foto: divulgação

O Hospital Regional São Paulo de Xanxerê conta com múltiplas especialidades médicas, sendo inclusive expoente para toda a região do oeste catarinense na área de cardiologia por exemplo. Porém, há mais de dez anos não existe especialista na área de Neurologia integrando o corpo clínico do hospital e assim prestando serviço nesta área para a população que faz do Hospital Regional São Paulo de Xanxerê sua referência.

O neurologista é o médico especialista responsável por diagnosticar e tratar doenças do sistema nervoso central e periférico, patologias do cérebro, nervos, medula espinhal e músculos. Encarregado pelo diagnóstico precoce e tratamento de isquemias cerebrais e derrames (AVC), além de outras como Alzheimer e Parkinson por exemplo.

Todavia, o Lance Notícias teve conhecimento de uma proposta feita, há mais de 45 dias, ao Hospital Regional São Paulo (HRSP) para oferecer atendimento neurológico, encaminhada pelo Dr. Raymundo Tomkowski, CRM 24337, RQE 15070 (registro da especialidade no CRM em Santa Catarina), para realizar internamentos de casos neurológicos de urgência e emergência. Dr. Raymundo teria auxílio do Neurocirurgião Dr. Mauro Tibola, que reside em Xanxerê há mais de dez anos.

Ressalta-se que na proposta enviada pelos profissionais ao HRSP, os atendimentos seriam pelo SUS, ao qual o hospital já é credenciado, convênios e particulares (no modelo já praticado por todas outras especialidades estabelecidas na instituição). Informam também que não haveria ônus para o hospital, pois no modelo proposto não tem por finalidade vínculo salarial ou ganhos com sobreaviso – apenas receberiam os valores que os convênios repassam ao hospital.

Esse projeto surgiu com a chegada do colega (Dr. Raymundo) que é neurologista, sendo que o Hospital há mais de uma década não tem um especialista nesta área (Neurologia) em seu corpo clínico atuante.

– De um debate informal, fomos amadurecendo as ideias, trocando informações entre nossas áreas, somando experiências e aprendizados e chegamos a um consenso de que visto a prevalência das doenças neurológicas em nosso meio, se faz necessário a presença desta especialidade (neurologia) de forma mais presente e atuante no HRSP. Como o Dr. Raymundo não poderia atender sozinho todos os dias (o que é humanamente impossível), ele sugeriu que eu o auxiliasse na escala para que a população ficasse sempre assistida no caso de uma emergência neurológica – comenta Dr. Mauro Tibola.

Dr. Raymundo Tomkowski salienta o impacto que a neurologia tem na saúde pública.

– Para se ter ideia do impacto que as doenças neurológicas tem na sociedade, só no Brasil, o acidente vascular cerebral (AVC) é a segunda principal causa de morte, atrás apenas do infarto Agudo do Miocárdio (IAM). Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, a cada 5 minutos um brasileiro morre em decorrência de AVC, contabilizando mais de 100 mil óbitos por ano. São vidas produtivas interrompidas. Temos praticamente 1 bilhão de pessoas no mundo com hipertensão e cada vez vemos mais jovens com pressão alta devido a mudança de nosso estilo de vida. E esse aumento da pressão dificulta a passagem de sangue pelas artérias, um fator de risco importante para a ocorrências desses derrames – enfatiza o neurologista.

O Lance Notícias conversou ainda com a família de uma xanxerense, vítima de um AVC.

– Quanto ao atendimento que tivemos, não podemos reclamar de nada, fomos muito bem atendidos pelos socorristas do Samu até os médicos do Hospital Regional São Paulo. Mas, minha mãe teve um AVC isquêmico, fez a tomografia e me lembro que era por volta de 2h da madrugada quando fui questionar as enfermeiras quanto ao resultado da tomografia e me informaram que eu só teria uma resposta no outro dia, por volta das 10h, pois o hospital não tem neurologista. A minha mãe recebeu alta e ao sair do hospital fomos direto para a clínica do especialista. Ela estava com um lado do corpo todo paralisado, de fralda, sonda. Oito dias depois minha mãe faleceu. Nós ainda estamos convivendo com o luto e nos questionamos sim, se não seria diferente caso tivesse sido atendida em primeiro momento por um especialista da área. Sabemos que o caso era grave. Mas o sentimento de dúvida fica. Não queríamos o Dr. A, B ou C, mas a especialidade existe, certo? Temos uma estrutura gigantesca em Xanxerê, somos referência em cardiologia, temos nefrologista, mas não tem neurologista? Sempre achei que neurologia fosse para lidar com doenças graves, hospitalares. Não faz sentido. Amanhã pode ser eu, você, sua mãe que pode sofrer um AVC e daí? O que vai ser feito? – indaga o filho da senhora, que neste momento prefere não expor o seu nome.

O Lance Notícias buscou contato com o Hospital Regional São Paulo, ainda na quarta-feira, dia 17 de julho, porém não obteve resposta até a publicação desta reportagem.


Por: Direto da Redação

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