Infectologista alerta para prática de contaminação consentida de HIV e aids em Xanxerê e região

16 de agosto de 2016 10:38
Comunidade , Saúde , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Infectologista alerta para prática de contaminação consentida de HIV e aids em Xanxerê e região

 

As dúvidas em volta do vírus HIV e da Aids ainda são muitas. A falta de informação também. Em Xanxerê o número de soropositivos é expressivo, segundo o infectologista Hugo Noal e a preocupação só aumenta, já que não se tem uma política de prevenção e o uso de drogas injetáveis ou pior, a contaminação consentida também tem aumentado.

O nosso ambulatório é referência para mais de 30 municípios da região, infelizmente, o trabalho realizado aqui não é compartilhado com os outros municípios. Porém não temos uma ação efetiva na prevenção. O nosso maior problema atualmente é o abandono do tratamento e nós temos encontrado diversas pessoas que param o tratamento para receber um benefício previdenciário, com isso a gente perde as pessoas, perde famílias. A faixa etária onde existe maior evidência da doença são os adultos jovens, a gente também aumentou muito os casos nas pessoas maiores de 60 anos, mas é uma doença que não respeita faixa etária, cor ou classe”, destaca o infectologista.

Contaminação consentida

Transmitir o vírus do HIV propositalmente sem o parceiro saber é considerado crime, mas o que tem chamado mais atenção é que as pessoas estão sendo contaminadas pelo vírus por que querem. Os soropositivos estão sendo procurados para transmitir a doença.

“Aqui a situação é muito mais delicada, as pessoas estão se juntando em grupo onde um é soropositivo e sabidamente esta pessoa infecta as outras, ou seja, a pessoa com HIV, com o consentimento, tem relações com várias pessoas. Esta prática já era muito comum nas capitais e, chegou ao nosso conhecimento que já acontece aqui, as pessoas com aids são procuradas para passar a doença. Isso para a pessoa sentir a ansiedade se pegou a aids ou não, para ver o extremo que a doença humana chegou. Com isso bota a vida a perder, perde qualidade de vida”, destaca Noal.

Outro fator que tem contribuído para o número de elevado de soropositivos é o aumento do uso de drogas injetáveis.

Tratamento

O acompanhamento médico da infecção pelo HIV é essencial, tanto para quem não apresenta sintomas e não toma remédios (fase assintomática), quanto para quem já exibe algum sinal da doença e segue tratamento com os medicamentos antirretrovirais, fase que os médicos classificam como aids.

Nas consultas regulares, a equipe de saúde precisa avaliar a evolução clínica do paciente. Para isso, solicita os exames necessários e acompanha o tratamento. Tomar os remédios conforme as indicações do médico são fundamentais para ter sucesso no tratamento. Isso é ter uma boa adesão.

O uso irregular dos antirretrovirais (má adesão ao tratamento) acelera o processo de resistência do vírus aos medicamentos, por isso, toda e qualquer decisão sobre interrupção ou troca de medicamentos deve ser tomada com o consentimento do médico que faz o acompanhamento do soropositivo. A equipe de saúde está apta a tomar essas decisões e deve ser vista como aliada, pois juntos devem tentar chegar à melhor solução para cada caso.

No atendimento inicial, são solicitados os seguintes exames: sangue (hemograma completo), fezes, urina, testes para hepatites B e C, tuberculose, sífilis, dosagem de açúcar e gorduras (glicemia, colesterol e triglicerídeos), avaliação do funcionamento do fígado e rins, além de raios-X do tórax. Determinada pelo médico, a frequência dos exames e das consultas é essencial para controlar o avanço do HIV no organismo e determina o tratamento mais adequado em cada caso.

Acompanhamento em Xanxerê

“O paciente que tem HIV fica doente de aids, muitas vezes ele não consegue trabalhar, não que ele não consiga, mas muitas vezes a pessoa portadora fica muito mais doente, então começa a pegar atestados e logo as empresas dispensam e a pessoa perde o emprego. Neste momento que ele é demitido ele não tem assistência nenhuma e é aí que o instituto entra”, destaca Nelci Lorena, presidente do instituto Amor à Vida, que desenvolve trabalhos com pessoas portadoras do vírus HIV e Aids.


Por: Patricia Silva

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