Irmãos se reencontram após mais de 70 anos separados

23 de agosto de 2017 15:46
Comunidade , região , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Irmãos se reencontram após mais de 70 anos separados Foto: Arquivo Pessoal

Foram mais de 70 anos de buscas, mas no mês de julho de 2017 elas encerraram e, Roberto, atualmente Alberto, reencontrou três dos nove irmãos biológicos que teve. Foram mais de 70 anos de busca, de conversas de como seria se ele ainda estivesse com a família biológica, e tentativas de encontrar Roberto Matias, ou melhor, Alberto Soares, nome que foi registrado pela família adotiva.

Quem conta a história é Gersonir Antônio Matias, sobrinho de Metilde, Arlindo e Hilário Matias que reencontraram Roberto/Alberto em meados de junho deste ano. O reencontro ocorreu em São Lourenço do Oeste.

“Foi muito emocionante, parece um sonho, 70 e poucos anos longe. Ele sempre foi assunto do nosso cotidiano e alguns partiram sem realizar o grande sonho, que era reencontrar ele”, frisa.
Reencontro

Devido as dificuldades financeiras da época, e também o grande número de filhos, Gersonir conta que o avô, Eugênio Matias, deixou o filho por alguns dias com o vizinho, “Eles não tinham filhos e diziam que era para deixar lá até eles terem um bebê”. Porém um certo dia o vizinho acabou se mudando de cidade e levou Roberto, até então chamado assim, argumentando que em alguns dias ele retornaria.

Na época Roberto tinha cerca de dois/três anos, não era registrado e morava em São Valentim, no Rio Grande do Sul.

“A nossa família sempre contava que o nome dele era Roberto Matias, mas ele não era registrado e a família colocou o nome de Alberto Soares. Nós sempre procurávamos por Roberto, achando que o nome dele era o mesmo, por isso nunca conseguimos nada”, destaca.
A busca da família se deu por parte de Alberto, que no dia do aniversário de 75 anos, idade de acordo com o registro, falou para uma neta procurar pela família na internet, dando as informações que sabia. Porém, a menina não encontrou nada, mas entrou em contato com uma rádio do município de São Valentim que veiculou e uma sobrinha dele ouviu e entrou em contato com Gersonir.

“Ele contou que quanto tinha uns 10 anos um tio dele contou que ele era adotado. Falou que o nome do pai verdadeiro dele era Eugenio Matias, que ele era de São Valentim e que tinha um irmão chamado Constante Matias. Foi com essas informações, que ele gravou, que a neta dele repassou para a rádio”, conta.

Gersonir fez o primeiro contato com Alberto e foi visita-lo em Clevelândia, no Paraná, onde ele mora há muitos anos. “E o pior é que nunca estivemos mais que 100 quilômetros, longe dele”, frisa.

Quando saiu de São Valentin ele veio para a região de Santa Catarina, morou por algum tempo em Chapecó, depois Xanxerê, Xaxim, em alguns municípios da região no Paraná, até fixar em Clevelândia. “Ninguém sabia que ele tinha vindo para Santa Catarina, todos achavam que ele estava no Rio Grande do Sul. Ele foi lá procura e a gente ia procura ele lá”.

Gersonir faz questão de destacar que foi graças a tecnologia que a família pode se reencontrar. Mas também lamenta de não terem pensando antes de buscar pelo nome dos pais adotivos de Alberto.
“Agora a gente pensa que foi um vacilo nosso. No dia que eu descobri que era ele mesmo, liguei para outro tio em Erechim e pedi o nome dos vizinhos, da família que levou ele. Vacilo nosso, nunca pedi para o pai se ele sabia, porque eles sempre diziam um vizinho, e nunca pensei em pedir o nome e sobrenome. Aí pedi para tio se ele sabia nome e sobrenome e ele sabia. Meu Deus, porque não pedimos antes, aí a gente procurava”, lamenta.

No encontro, em São Lourenço do Oeste, Alberto encontrou sobrinho e reencontrou um dos irmãos. Alguns dias depois foi para o Rio Grande do Sul reencontrar os demais, que não vieram por motivos de saúde. Hoje, Hilário tem 79 anos, Arlindo 82 anos e Metilde 85 anos. De acordo com ele, Alberto tem 77 anos.

No encontro com os três irmãos, Gersonir conta que eles comentaram de algumas lembranças da época, sendo uma que Alberto, Hilário e a Metilde lembram que foi no dia da partida de Alberto. “Ele lembra quando saíram de lá, o pai adotivo parou com a carroça numa casa, para tomar água e tinha duas crianças que falaram para ele não ir. Essas duas crianças são irmãos dele e a casa que eles pararam era da irmã mais velha deles, que já era casada”.

Gersonir também conta que Alberto não tinha coragem de dizer aos pais adotivos que sabia que era adotado, pois eles eram rudes com ele. Quando brigavam ele pensava em procurar os pais biológicos, mas não sabia para onde e ir e ficava, com medo.

Os pais adotivos dele faleceram não faz muito tempo, com quase 100 anos devido ao alcoolismo. Ele foi registrado com o auxílio da família da namorada, atual esposa. Como não sabia certo a idade, registrou com dois anos a menos.

Gersonir conta também que a avó teve mais dois filhos depois que Roberto foi levado. Um que, que registrou como Alberto, e o pai dele. “Ele é muito parecido com o Alberto, que já é falecido”.

Foto: Arquivo Pessoal

 

 

Thaise Guidini/Tivi Net 

 


Por: Alessandra Bagattini

Deixe seu comentário

Saiba Mais