Irmãs Merísio: mais de 50 anos dedicados à costura

13 de maio de 2019 14:11 | Visualizações: 1426
Comunidade , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Irmãs Merísio: mais de 50 anos dedicados à costura Marlene e Carmen (Foto: Patrícia Silva/Lance Notícias)

Não há quem não conheça o trabalho das irmãs Merísio. Atualmente, elas vivem em Xanxerê, mas são de Lajeado Grande e lá iniciaram a sua profissão de costureira.

Carmem, de 61 anos, e Marlene de 71, há mais de 50 anos trabalham juntas.

– Eu sou a mais velha e comecei com 12 anos a costurar, comecei com a minha mãe. Nós morávamos no interior, em Lajeado Grande. Viemos para Xanxerê em agosto de 1974, mas sempre trabalhando – relembra Marlene.

O foco das irmãs é roupa de festa, principalmente vestidos de formandas e noivas.

– O cotidiano, as roupas esporte a gente não faz porque não temos tempo. Produzimos para toda a região, Concórdia, Ponte Serrada, Abelardo Luz, Chapecó, Xaxim. Chegamos a produzir 20 por semana. O nosso trabalho é bastante manual. Pegamos uma renda inteira, recortamos e colocamos novamente. O nosso trabalho é ponto por ponto. É o carinho, é a dedicação, porque a nossa profissão está em extinção, cada peça é única, cada cliente é um – detalha.

Marlene arrisca um palpite para tantos anos de sucesso: a perseverança!

– Eu acho que o maior sucesso desse nosso trabalho foi a perseverança. Nunca nos deixamos abalar pelo pessimismo. Eu tenho comigo uma filosofia: a gente entra na praça, mas não são todos que permanecem nela e estar no mesmo ramo há 58 anos eu até me orgulho um pouco, porque acho que não é para qualquer um – enfatiza.

Elas contam com uma rotina pesada, chegam a atuar durante a madrugada para dar conta de entregar as encomendas, mas frisam que não pretendem parar.

– É uma profissão humilde, pois não vemos uma menina falar “eu quero ser costureira”. É um trabalho em que ganhamos a vida com dignidade. Uma menina prefere ir para os Estados Unidos trabalhar de doméstica do que ficar aqui e atuar como costureira, porque a própria sociedade não nos valoriza. Mas, isso nunca me preocupou. Eu sempre tenho e tive uma convicção: eu ganho a minha vida de uma forma digna. Hoje eu já estou madura, na terceira idade, mas vou continuar enquanto eu puder – finaliza.


Por: Patricia Silva

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