Jovem conta os desafios de ser portadora do vírus HIV

22 de junho de 2016 10:33
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Jovem conta os desafios de ser portadora do vírus HIV Janaina, o esposo e o filho do casal (Foto: Arquivo pessoal)

Preconceito. Segundo dicionário: sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância. Já se questionou se você é uma pessoa preconceituosa? Melhor, já se questionou no quanto o preconceito afeta a vida de uma pessoa?

Janaína de Miranda, 20 anos, reside em Ibirama e casada. Junto com seu esposo Alexandre da Luz, natural de Xanxerê e com o apoio da família enfrenta o preconceito e os desafios que a vida lhe impõem, todos os dias. Janaína descobriu no fim de 2014 que é portadora do vírus HIV.

A mudança em sua vida foi radical, afinal ela deixou de frequentar baladas e sair com as amigas, para se dedicar ao esposo e ao filho. A aids não impediu que Janaina fosse uma esposa e mãe dedicada. Hoje, com o vírus e o emocional controlado ela leva a vida normalmente e trabalha duro para difundir mais informações sobre a doença, visando a diminuição do preconceito.

Como Janaina descobriu a doença

Com 18 anos, o que a Janaina mais queria era sair com as amigas, ir para a balada, conhecer pessoas: “Eu sempre fui uma menina de muitas festas e muito rebelde não ouvia os concelhos dos meus pais! Dos meus 14 anos até aos 18 anos aos finais de semana eu nunca parava em casa, eu sempre saia para as baladas e, até então, eu nunca me preocupei com minha saúde, nunca fiz exames! Eu sempre pensava ‘ah eu não vou pegar nenhuma doença, comigo isso nunca vai acontecer’, relata.

Sonhadora como qualquer mulher, Janaina vivia em busca do seu príncipe encantado: “Então, no dia 14 de junho conheci o Alexandre e foi paixão à primeira vista. Nos conhecemos melhor e logo começamos a namorar. A família dele, muito religiosa, deixou claro para nós que não poderíamos ter relações sexuais antes do casamento. Decidimos nos casar, isso em setembro de 2014 e conseguimos marcar o casamento para o dia 16 de outubro de 2014”.

Janaina cuidou de cada detalhe do seu casamento, o buffet, o vestido, a lista de convidados e então o grande dia chegou: “O grande dia chegou e foi tudo tão maravilhoso! Poucos dias depois comecei a ter alguns enjoos, fui ao médico e lá recebi uma das melhores notícias da vida, iria ser mãe! Logo dei entrada em todos os exames necessários para fazer o pré-natal”, explica.

 

Descoberta da aids

Quando descobriu que estava grávida, logo Janaina iniciou o pré-natal e uma série de exames, quando recebeu o resultado dos exames, curiosa, os abriu e uma palavra chamou sua atenção “Reagente”, “Eu nem sabia o significado disso, fui trabalhar e corri mostrar para o médico da empresa. O médico da disse que estava tudo certo, só tinha um detalhe. Ele me pediu ‘você já sabia q você é portadora do vírus HIV’? Desesperada respondi que não sabia, o médico me acalmou me dizendo que a doença não tem cura, mas tem tratamento.

A primeira pessoa para quem Janaina contou foi para o esposo, “ Contei para ele que havia pegado os exames e que o resultado não tinha sido nada bom, que eu era portadora do vírus HIV e, que iria contar para a família dele também. Contei para meus sogros e todos me apoiaram, me acalmaram e me lembraram do meu filho”, conta.

Com isso surgiu a dúvida se o o esposo de Janaina também possuía o vírus, logo ele fez o exame e deu negativo, ele não havia sido contagiado.

 

A aceitação da doença

No começo Janaina não aceitava sua situação. Entrou em choque, ficou depressiva, emagreceu: “Eu estava em estado de choque, eu só queria ficar sozinha, passei 15 dias chorando direto, fiquei extremamente nervosa qualquer coisa eu brigava com minha família. Mas tanto a minha família quanto a do meu marido, todos ficaram do meu lado me dando forças. Se passou um mês depois que descobri a doença, eu já havia emagrecido 12 quilos, entrei em depressão. Comecei a ir ao médico Infectologista na cidade de Rio do Sul, comecei o tratamento e lá recebi todas as informações necessária, e o médico me passou os coquetéis e comecei a tomar. Eles são muito fortes e tive vários sintomas até me acostumar”, diz.

 

Nascimento do filho

“No dia 03 de junho de 2015 chegou o dia de conhecer meu filho, às 8 horas, começaram as dores de contração, então neste dia antes do parto eu recebi uma medicação, para prevenir o meu bebê no parto, quando era 11h30min entrei em trabalho de parto. Fiz cesariana, pois o bebê não pode ter contato com o sangue! Ele nasceu perfeito, não se contaminou com o sangue, após o meu parto o meu filho recebeu 3 doses de xarope, que são necessários. Então fui ao Infectologista e lá o meu filho tem um Pediatra que cuida dele. Todos os meses 1 vez ao mês eu e meu bebê vamos ao médico, o meu filho só faz o acompanhamento, pois até aos 3 aninhos de idade ele irá tomar uma xarope pra prevenir ele, e também por que ele não tem defesas ao corpo. Como eu não podia amamentar ele, eu fui procurar meus direitos e então recebia a ajuda do leite, todos os meses recebo seis latas de leite”, conta a mãe.

Mesmo diante de toda dificuldade, preconceito e novidade, Janaina se diz ser uma pessoa feliz: “Sou extremamente feliz. Todos os meses faço o exame da carga viral e este exame vai para análise em Florianópolis. E todos os meses meu filho e meu marido realizam os exames por precauções, pois a doença pode demorar para se manifestar. Mas graças a Deus sempre dá negativo. Mas assim se eu quiser ter mais filhos, eu posso sim, só tenho que avisar ao meu infectologista, para eu fazer um tratamento antes e depois posso ter relações para engravidar. Hoje a medicina está muito avançada. Então posso ter uma vida normal iguais a qualquer pessoa. Já sofri preconceito, ontem mesmo tive uma audiência, contra uma pessoa que me vinham me perturbando, mas estou firme e forte”, finaliza.

 


Por: Patricia Silva

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