Justiça arquiva processo contra o ex-governador Colombo e o xanxerense Antonio Gavazzoni

16 de julho de 2018 13:38
Polícia , Política Compartilhar no Whatsapp
Justiça arquiva processo contra o ex-governador Colombo e o xanxerense Antonio Gavazzoni Foto: divulgação

2ª Vara Criminal de Florianópolis arquivou o processo criminal contra o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) e o ex-secretário da Fazenda Antonio Gavazzoni (PSD) por suspeita de recebimento de R$ 10 milhões em propina em 2014. A Justiça acatou um parecer do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) feito em 5 de junho, que apontou inconsistência na delação do ex-executivo da JBS Ricardo Saud. O processo corre em segredo de Justiça.

Em 5 de maio de 2017, o delator afirmou que foram pagos R$ 10 milhões em propina para a campanha de Colombo nas eleições de 2014. O objetivo, segundo Saud, era obter facilidades na licitação para comprar a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan).

Raimundo Colombo comentou em nota (veja a íntegra abaixo) a decisão da Justiça de arquivar delação da JBS: “Sempre acreditei na Justiça e tinha absoluta certeza de que esse seria o resultado. Por uma questão de consciência, porque não havia cometido nenhum crime ou ilegalidade”. O G1 não conseguiu contato com Gavazzoni.

Depois de tramitar em instâncias superiores, o processo criminal foi aberto na Justiça de Santa Catarina em abril de 2018, após a renúncia de Colombo. O juiz Fernando Vieira Luiz determinou o arquivamento “diante da ausência de elementos suficientes à propositura da ação penal”.

O parecer da promotora Rosemary Machado Silva diz que as acusações do ex-executivo da JBS Ricardo Saud não condizem com os fatos.

“Sem maiores detalhes, nem descrições pormenorizadas e nem datas correlatas, se encerra a delação do colaborador Ricardo Saud, livrando-se das penalidades”, explica a promotora em um trecho.

A promotora afirma, entre outros argumentos, que a venda da Casan já tinha sido suspensa por decisão do governo em 13 de agosto de 2013, um ano antes da doação de R$ 8 milhões da JBS para a campanha à reeleição de Colombo. O ex-governador afirma que as doações foram legais ao diretório nacional do PSD.

Sobre um possível recebimento de R$ 2 milhões em dinheiro vivo por propina por Gavazzoni, em um supermercado da capital, a promotora diz: “seguindo o mesmo comportamento indigno com o instituto da delação premiada, o delator fala que não se lembra se foi o Secretário da Fazenda Estadual, ora investigado, ou se foi outro mensageiro”.

Posição dos citados

Veja a integra da nota do ex-governador Raimundo Colombo. A reportagem não conseguiu contato com Gavazzoni.

“O ex-governador Raimundo Colombo diz receber com tranquilidade a decisão do juiz Fernando Vieira Luiz, da segunda vara criminal de Florianópolis, que aceitou a recomendação do Ministério Público de Santa Catarina e determinou o arquivamento do processo que apurava a delação premiada de executivo da empresa JBS. O parecer da promotora Rosemary Machado Silva tem 14 páginas e conclui que a narrativa do delator Ricardo Saud não sobrevive à contextualização dos fatos.

“Sempre acreditei na Justiça e tinha absoluta certeza de que esse seria o resultado. Por uma questão de consciência, porque não havia cometido nenhum crime ou ilegalidade”, afirma.

Colombo observa, contudo, que os prejuízos a sua imagem foram grandes. “É como se você jogasse um saco de penas de cima de uma torre. Nunca mais conseguiria juntar todas elas”, lamenta, ao lembrar que o sofrimento durante todo esse período foi muito grande.

O ex-governador destaca que a Justiça traz um conforto e faz aumentar a fé de que a democracia é o melhor sistema que a sociedade tem para se proteger. “Esse momento repõe a verdade e me sinto seguro de que vale a pena acreditar na Justiça”, ressalta”

 


Por: Patricia Silva

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