Mulher trans de Xanxerê destaca conquista do nome social no título de eleitor

11 de abril de 2018 11:11 | Comunidade , Eleições 2018 , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Mulher trans de Xanxerê destaca conquista do nome social no título de eleitor Foto: Alessandra Bagattini/Lance Notícias

Eleitores transexuais e travestis têm o prazo até o dia 9 de maio para solicitar a inclusão de seu nome social no título de eleitor e no caderno de votação das Eleições 2018 e atualizar sua identidade de gênero no Cadastro Eleitoral. Nome social é aquele que designa o nome pelo qual o transexual ou travesti é socialmente reconhecido. Já a identidade de gênero estabelece com que gênero – masculino ou feminino – a pessoa se identifica.

Em Xanxerê, Paloma Marques, mulher trans de 32 anos ainda tem em seus registros civis o nome pelo qual foi registrada em seu nascimento, Iaçanã Marques Fernandes. Ela já é trans há cerca de 20 anos e comenta que essa é uma conquista para todos os travestis e transexuais.

“Para mim é um sonho realizado poder fazer isso. É tão difícil chegar nos lugares com uma aparência feminina e na hora de mostrar o documento ter o nome masculino. Não que a gente tenha preconceito com nosso nome masculino, nascemos assim, mas é constrangedor. Agora vai ser tudo diferente para nós, para votar e até para abrir ficha em uma loja. Por enquanto podemos mudar só o título de eleitor, mas estamos indo atrás, eu e o Mario da UNA para vermos para mudar os outros documentos também. Os cartórios estão se preparando para isso ainda, porque é uma coisa nova. Para a sociedade é uma coisa de outro mundo, mas para nós é uma grande conquista. Estamos muito felizes mesmo e nesse ano já vamos votar com o nome feminino”, comenta.

Para o presidente da UNA LGBT de Xanxerê, Mario Harres, essa conquista é essencial para toda a população trans. “A conquista do nome social, da mudança do nome é essencial para a população trans desse país. Tudo mundo quer ser reconhecido por aquilo que é, todo mundo quer ser chamado pelo próprio nome. O nome é nossa primeira impressão, faz parte do nosso ser”

Paloma destaca que conquistas como essa servem para descontruir ainda mais o preconceito da sociedade com essa população. Ela lembra que quando se assumiu mulher trans sofreu muito preconceito, até mesmo dentro da própria família.

“No começo eu sofri muito no colégio. Há 20 anos antes de eu ir para o mundo da prostituição eu sofri muito aqui, porque o preconceito era muito grande. Na rua a gente apanhava das pessoas na rua, mas hoje somos respeitadas. Passamos por muito preconceito. E dentro da minha família eu sofri muito com o meu pai, porque para ele era muito difícil aceitar. Eu tinha bastante apoio da minha vó. Na oitava série eu parei de estudar pelo preconceito, porque comecei a me vestir como mulher e eles não aceitavam, meus colegas me maltratavam. Hoje está bem diferente, tem várias trans que moram aqui e o tratamento está bem diferente, a sociedade nos aceita mais agora, mas no começo foi muito constrangedor, muito sofrimento, por isso é importante que a família aceite, apoie e não julgue, pois isso nos deixa mais transtornados”, conclui.

Paloma Marques (Foto: Arquivo Pessoal)


Por: Alessandra Oliveira

Deixe seu comentário

Saiba Mais