Mulheres haitianas enfrentam mais dificuldades para conseguir emprego em Xanxerê

26 de julho de 2018 09:49
Comunidade , Cultura , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Mulheres haitianas enfrentam mais dificuldades para conseguir emprego em Xanxerê (Foto: Jana Pessôa/Setas-MT)

Conforme um levantamento feito pela Associação dos Haitianos de Xanxerê (AHXA), são cerca de 250 imigrantes em Xanxerê. De acordo com Bernadel Louís Sainne, presidente da associação, não há como fazer um levantamento exato de quantos haitianos estão em Xanxerê, pois nem todos fazem parte da associação.

Segundo o presidente, a associação realiza encontros mensais, onde são discutidos diversos assuntos. Além disso, nas reuniões também são abordados problemas pelos quais os imigrantes passam, e a associação busca resolver.

“Às vezes alguns imigrantes apresentam um problema para nós, algo que estão enfrentando no emprego ou em casa, e nós conversamos e sempre tentamos resolver da melhor forma possível”.

Quanto ao preconceito, Bernadel disse que ele existe, mas que nunca aconteceu com ele. “Todos somos imigrantes e não conhecemos todo mundo, mas é preciso tirar um tempinho e conhecer mais sobre a cultura do outro e respeitar isso. Uma das maiores dificuldades é o idioma, mas temos aulas todos os sábados e estamos aprendendo. A convivência com o povo daqui é boa”, destaca.

Sobre o número de imigrantes que deixam a cidade, a associação não consegue calcular, pois muda rápido e as chegadas e partidas são constantes. Mas, quanto aos motivos, Louinel Maurice, vice-presidente da associação destaca que o principal, que faz um haitiano ir embora, é quando ele não consegue emprego.

Além disso, muitos não conseguem se adaptar a cultura do local e também ao frio e, por conta disso, optam por voltar para seu país de origem ou buscar outra cidade.

Segundo Bernadel, a falta de oportunidade de emprego afeta mais as mulheres haitianas.

“As mulheres têm maior dificuldade para conseguir emprego, são poucas que conseguiram trabalho. Procuramos alguns locais que poderiam ajudar, mas não conseguimos, conversar não resolveu. Há três anos, Xanxerê estava bom, principalmente para emprego, mas hoje está difícil”, comenta.

Quanto a capacitação, Bernadel comenta que dois haitianos estão fazendo cursos de graduação em Chapecó e muitos buscam cursos de qualificação no IFSC, com o objetivo de buscar empregos melhores e melhorar a comunicação.

“Se não soubermos como nos comunicar, não temos como buscar um emprego, então quando chegamos, procuramos resolver esse problema da comunicação para depois conseguir emprego, pois se não soubermos nos comunicar, não conseguimos fazer nada”, conclui.


Por: Alessandra Oliveira

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