Mulheres no campo: agricultora de Xanxerê conta os desafios diários enfrentados na profissão

10 de julho de 2019 11:10 | Visualizações: 2169
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Mulheres no campo: agricultora de Xanxerê conta os desafios diários enfrentados na profissão Fotos: Arquivo Pessoal

A presença feminina é cada vez maior no campo. Hoje, nas fazendas, há mais mulheres com curso superior do que homens. Elas aceitam qualquer desafio e se destacam nos afazeres. Célis Andressa Gasparetto, é exemplo disso. Engajada com movimentos agropecuários, ela e seu esposo trabalham sozinhos na propriedade que possui uma maneira diferente de conduzir as atividades.

Ela comenta que o processo de adaptação foi natural, já que sempre trabalhou na agricultura e ama o que faz.

– Hoje, as mulheres tomaram seu espaço no campo, foi um processo de empoderamento da mulher que trabalha com agricultura que antigamente era só vista como mulher do lar ou a esposa do fazendeiro, ou nem ocupávamos empregos de trabalhadoras rurais. Para mim foi facilitado porque recebi incentivo do meu esposo, do meu irmão, minha mãe e tios. Eles me deram espaço e confiança. Encontrei menos preconceito do que imaginei, e hoje me vejo como uma mulher mais forte e motivadora para outras mulheres da agricultura – afirma Célis.

As mulheres planejam e executam. Um terço das propriedades rurais está sob a direção feminina. Mas ainda há muito espaço para a mulher conquistar no campo.

– A gente tem que se impor, ao marido, a família, as pessoas, mostrar que estamos a par do negócio, que temos conhecimento, assim a inserção neste ramo é mais rápida, e entendem que você faz parte do negócio. Se não nos impusermos nunca vamos conquistar nosso lugar – comenta.

A rotina de Célis é corrida, uma vez que divide o tempo entre cuidar dos filhos, da propriedade e do lar.

– Depois dos filhos a tarefa é dobrada, porque morando no campo não podemos mandar para creche e continuar com o trabalho normalmente. Então, temos que estar sempre nos adaptando, levando as crianças junto. Eu, particularmente, uso bastante o canguru, o carrinho de passeio, às vezes eles dormem no carro, e quando é algo que preciso de mais tempo, como estes dias que ficamos 2h inseminando vacas, ou algum manejo, levo eles na casa dos tios. Mas, é claro que estou mais limitada porque nem sempre é seguro ter eles junto em certas funções. Mas o Valentin, que é o mais velho, já vive a rotina da propriedade, e esta é a vida que queremos ensinar a eles para dar valor a agricultura, aos animais e a natureza – conta.

E o que a agricultora realmente busca é a valorização da mulher e de todas as produções do campo.

– A cada dia conheço mais mulheres que tomaram a frente de suas propriedades, e assim motivamos umas às outras, há uma leva de casal jovem empenhados principalmente na produção de leite, o que eu realmente espero é que melhore as políticas de preço e que consigamos nos manter na propriedade e perpetuando este estilo de vida no campo – conclui.

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Por: Alessandra Bagattini

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