No Dia Mundial de Combate ao câncer, mãe relata vitória contra a doença

8 de abril de 2016 16:03
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No Dia Mundial de Combate ao câncer, mãe relata vitória contra a doença Elizandra superou o câncer (Foto: Patricia Silva)

Nesta sexta-feira (08), é celebrado o dia mundial de combate ao câncer. A data não é lembrada por acaso. No Brasil, ele é a segunda causa de morte por doença, atrás apenas das doenças cardiovasculares.

Na estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o biênio 2016/2017, o Brasil deve registrar 596 mil casos de câncer. Mundialmente, a incidência do câncer cresceu 20% na última década.

Aqui vamos relatar a história de uma mãe que superou o câncer.

Elizandra Menegotto, passou por uma das fases mais desafiadoras que a vida pode propor. Mas, hoje, mesmo sabendo que a batalha não terminou conta a quem quiser ouvir a felicidade de superar um câncer. Ainda no ano de 2013, quando sua filha tinha dois anos, Elizandra descobriu o câncer na mama esquerda, desde então passou por diversas cirurgias, quimioterapia, radioterapia e afirma, que apesar de toda a dor e sofrimento, a doença evidenciou as pessoas especiais que a cercam.

“Tudo começou em 2013, quando eu ainda amamentava minha filha, ela tinha dois anos e na noite de uma quarta-feira, nunca vou esquecer o dia, eu percebi um caroço no seio e na mesma hora eu pensei em câncer de mama. No outro dia mesmo, eu já procurei um médico e o após alguns exames o médico confirmou que eu estava com um tumor, que já estava em estado avançado e precisávamos correr contra o tempo. Nesse dia eu saí do consultório meio atordoada. Fiz meu encaminhamento, a biópsia e a solução seria a retirada da mama”, conta.

Desde a descoberta do câncer até a notícia de que a mama precisaria ser retirada se passaram poucos dias. Mas, Elizandra sempre se mostrou muito confiante.

“A princípio eu teria que tirar as duas mamas, mas durante a primeira cirurgia eles retiraram apenas o nódulo. Mas, em menos de 10 dias já recebi o resultado dos exames e eu tive que retirar toda a mama mesmo e, em menos de 15 dias já tive que fazer a segunda cirurgia onde toda a mama foi retirada. Novamente, combinei com a médica que as duas mamas seriam retiradas, mas ela tirou apenas uma”, explica.

Quimioterapia e radioterapia

A quimioterapia é considerada pela Elizandra o processo mais delicado de toda a fase. Foram oito sessões a cada 21 dias. 15 dias após a primeira sessão todos os seus cabelos caíram.

“Eu passava mal 13 dias após a quimio, vomitava, não conseguia comer, tive todos os efeitos colaterais. Na penúltima quimioterapia precisei até ficar internada. Quando comecei o tratamento o médico já me alertou que 15 dias depois eu iria ficar careca e o meu maior medo era o estranhamento da minha filha, ela já estava passando por uma mudança que foi a retirada do leite materno, então eu mostrava para minha filha uma revista com uma modelo careca, bem bonita e dizia que iria cortar meu cabelo daquela maneira, para ela ir se acostumando. Quando começou a cair meu cabelo, fui no salão e pedi para raspar. A própria cabeleireira segurou o choro”.

Elizandra tinha apenas 2% de chance de fazer radioterapia, mesmo com poucas chances foram necessárias 25 sessões, realizadas todos os dias.

“Quando eu tinha feito 21 sessões eu não aguentava mais, minha pele já estava muito queimada eu até comentei com o médico que eu não conseguia mais. Usava muito gel no local e no fim consegui fazer todo o tratamento sem interromper”, diz.

Apoio

“Quando a médica me disse que o nódulo estava bem perto do mamilo, eu pensei ‘meu deu, vou ter que tirar toda a mama’, aquilo caiu como uma bomba para mim. Conversei com meu marido, ele me apoiou muito e isso me dava ânimo. O primeiro pensamento foi ‘eu vou morrer’, e eu pensava na minha filha, quem me ajudaria a cuidar dela. Foi nesse momento que eu recebi muita ajuda das minhas vizinhas. Uma vizinha levava a minha filha todo o dia na escola. A primeira vez que me vi no espelho sem a mama eu não me reconheci, parecia que não era eu. Mesmo assim recebi muito apoio do meu marido, minha família e toda a comunidade do bairro e da Rede Feminina, pessoas que eu nunca imaginei que iriam me ajudar estavam do meu lado”.

Hoje, Elizandra ainda toma um medicamento toda a noite e deve ser assim pelos próximos dez anos. Este, também causa efeitos colaterais todos os dias. Elizandra desenvolveu ainda tireóide e tendinite no braço direito. Em outubro de 2015, ela fez a reconstrução da mama utilizando o próprio músculo das costas. Agora, ela deve implantar silicone nas mamas para finalizar o processo de reconstrução, a próxima cirurgia deve ocorrer no fim deste ano.


Por: Patricia Silva

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