O divórcio e o câncer – confira o relato de uma mulher xanxerense

6 de agosto de 2019 18:12 | Visualizações: 1577
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O divórcio e o câncer – confira o relato de uma mulher xanxerense Foto: divulgação

Sessenta mil brasileiras recebem o diagnóstico de câncer de mama no Brasil todos os anos. Cinquenta e um anos é a idade média das pacientes brasileiras. Cerca 44% não trabalham atualmente por causa do câncer de mama e 74% tem filhos. Com a descoberta da doença, aumentam os casos de divórcios.

O câncer possui uma dura realidade e deixa sequelas intensas no paciente, no cônjuge e em toda a família. Muitas se recuperam da doença, superam o câncer, mas perdem o casamento, a autoestima e a felicidade.

– Eu tinha 30 anos na época, na primeira manifestação, em 2001. Eu estava tentando engravidar, queria o segundo filho. Foi quando parou a menstruação, fui fazer exame pensando que era a gravidez e descobri o tumor no útero. Com isso começou a vir todas as inseguranças, medo e a procura por tratamento na rede pública, privada e assim acabei deixando de lado o marido, a casa, porque o foco é você. A perda do chão é na hora. E tudo depende de como o médico aborda. No meu caso eu estava sozinha e ele me disse que eu estava com um problema, tinha um tumor grande e deveria “sacar tudo fora”, nisso ele quis dizer que eu deveria tirar o útero fora, mas naquele momento eu estava tentando engravidar, foi um choque muito grande. É o que o SUS nos oferece – relembra uma xanxerense que passou pelo câncer e teve o seu casamento desfeito durante o tratamento.

O processo é longo, demorado e dolorido. No caso da personagem xanxerense, que por vários motivos prefere não se identificar, ela não teve apenas um tumor.

– Procurei ajuda da minha família e consegui fazer o tratamento particular. Não retirei o útero. Fiz quimioterapia para reduzir o tumor, tirei ele e consegui manter o útero. Nisso veio o desgaste do casamento. Tivemos a nossa primeira separação. Me recuperei. Acabamos voltando e na reconciliação acabei engravidando e tive o meu segundo filho, que era meu sonho. Seis anos depois, vários nódulos apareceram. Foi quando decidi por retirar o útero. Depois, tive tumores em outros órgãos. Teve momentos que pensei que era o meu momento de morrer. Quando eu vi já tinha outra pessoa na vida dele. Existia um amor e eu acredito que ainda exista, hoje somos amigos, mas o casamento foi por água abaixo. E, foi por causa da doença. Eu era companheira, mas não era mulher, não como os homens da nossa região estão acostumados. Não falou amor, carinho, mas ele não me via como uma mulher sexualmente ativa – relata.

Hoje, após cinco cânceres diferentes (no útero, nas mamas, trompas e ovários), ela conta que a parte psicológica ainda precisa ser trabalhada.

– Até hoje para eu conseguir ter um outro relacionamento eu preciso resolver isso dentro de mim. Graças a Deus eu estou bem, não tenho mais problemas de saúde, mas a parte psicológica ainda precisa ser tratada. Você sonha com um casamento para sempre, mas não é assim. É como jarro quebrado, depois que quebra não volta mais ao normal – finaliza.

Este foi um dos temas abordados em na 11º Encontro da Rede de Controle do Câncer em Santa Catarina (Recan), que ocorreu nos dias 31 de julho e 1º de agosto, em Florianópolis e contou com a participação da presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Xanxerê, Andréa Gaboardi. O evento serviu para tratar da forma como o câncer impacta na vida das mulheres e de seus familiares.


Por: Patricia Silva

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