Operação da Polícia Federal investiga suposto desvio de recursos públicos e cumpre mandados em Xanxerê

Cerca de R$ 16 milhões do Hospital Regional do Oeste foram destinados a empresas de familiares e pessoas ligadas à dirigente. Sobrepreço em exames é de R$ 6,7 milhões

20 de setembro de 2018 08:31
Polícia , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Operação da Polícia Federal investiga suposto desvio de recursos públicos e cumpre mandados em Xanxerê (Foto: Alessandra Oliveira/Lance Notícias)

Atualizada às 10h30min:

Na manhã desta quinta-feira (20), a Polícia Federal (PF) cumpre dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Xanxerê, Chapecó (SC) e Maringá (PR), além de decisão judicial de indisponibilidade de bens dos principais envolvidos e de duas suspensões do exercício de função pública.

A Operação é intitulada Patriarcado e investiga um suposto desvio de recursos públicos destinados pelo Sistema Único de Saúde ao Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, que atende a pacientes de toda a região. Participam da Operação, além da PF, o Ministério da Transparência, Controladoria-Geral da União (CGU), Ministério Público Federal (MPF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público Estadual de Santa Catarina. Esse é um desdobramento da Operação Manobra de Osler.

De acordo com a Polícia Federal, investiga-se o favorecimento ilícito na contratação de laboratório de análises e de empresas de diagnóstico pertencentes a familiares do presidente da Associação que administra o Hospital, além do superfaturamento de exames cobrados do hospital. Em Xanxerê, o local visitado foi uma clínica, localizada na Rua Independência.

Segundo investigações, entre 2014 e 2016, o HRO, hospital público administrado pela Associação Hospitalar Lenoir Vargas, recebeu cerca de 188 milhões de reais oriundos do SUS. Deste valor, aproximadamente R$ 16 milhões foram destinados a empresas de familiares e de pessoas direta ou indiretamente ligadas ao dirigente da Associação. Dentre essas empresas, um laboratório de análises clínicas recebeu o maior volume de recursos oriundos do hospital no referido período, cerca de R$ 12 milhões.

Sobre o laboratório, não foi apresentado o processo seletivo que deu origem à escolha e foi identificado que o dirigente da Associação foi seu sócio até 2010, ano em que foi substituído na empresa por familiar direto. Além disso, para o período sobre exames, foram identificados sobrepreços de cerca de R$ 6,7 milhões praticados nos valores de procedimentos de análises clínicas, supostamente realizados pelo laboratório.

Os mandados que estão sendo cumpridos foram expedidos pela Justiça de Chapecó. Os envolvidos estão sendo investigados pela prática de crime de peculato e organização criminosa. Participam do cumprimento das buscas integrantes da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o que divulgou o Portal ClicRDC em suas redes sociais, a Assessoria do Hospital citado na investigação informou que não tinha conhecimento dos fatos, mas que em breve deve se manifestar oficialmente.

Os envolvidos são investigados pela prática dos crimes de peculato (art. 312, do Código Penal) e Organização Criminosa (art. 2o, da Lei 12.850/2013).

 

Com informações da Controladoria Geral da União


Por: Alessandra Oliveira

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